Vamos levando a vida, vendo comportamentos mudando e atitudes surgindo, e aceitamos tudo sem uma interrogação. Por exemplo, por que o tempo parece estar passando mais rápido?
No livro Tempo e Narrativa, do filósofo Paul Ricoeur, li esta explicação (p. 367): “Quanto a marcha rumo ao progresso, já quase não acreditamos nela. A crença de que o tempo para dias melhores estava diminuindo – com os desastres recentes, desordens civis, novas doenças e corrupção crescente – caiu em descrença. Não vemos recuar para um futuro cada vez mais distante e incerto a realização de nosso sonho de uma humanidade reconciliada? A Época Moderna se caracteriza por um encolhimento do espaço de experiência, que faz com que o passado pareça-nos cada vez mais distante, mas também por um afastamento crescente do horizonte de expectativa. A esperança de nossos antecessores de que marchávamos para a realização da utopia (algo ainda sem um lugar) nós a perdemos. Resta-nos hoje a ucronia (algo sem tempo certo) já que o horizonte de expectativa recua mais rápido do que avançamos. Ora, quando a expectativa já não pode ser fixada num futuro determinado, balizado por etapas discerníveis, o próprio presente se vê dividido entre um passado superado e um futuro indiscernível. Isto tudo torna o presente cindido e o sentimos como em crise”.
Trocado em miúdos: o homem jovem tem pouca experiência porque não estudou bem o passado e ficou sem um futuro discernível; isto cria um relógio muito louco.


