sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O jeito é se conformar e “engolir o sapo”.

Um pregador com sua Bíblia na mão tem que fazer muitos malabarismos para explicar determinadas doutrinas. Meu pai, que não menosprezava as Escrituras, me mostrou as palavras de um filósofo que disse: “A Bíblia é uma velha rabeca (violino) com a qual se pode tocar qualquer toada”. No livro Zelota o iraniano Reza Aslan me fez ver algo que sabia e não via. 
Nem passara ainda dez anos da crucificação de Jesus quando começou um cisma na Igreja Cristã. Saulo, inimigo dos cristãos converteu-se em 37 e.C e, já profundo conhecedor da Bíblia, começou a pregar em cidades gregas, a quem nunca lera a Bíblia. E ensinava diferente dos apóstolos e da igreja em Jerusalém, cujo bispo era Tiago. Na carta que ele escreveu aos cristãos na Galícia, Paulo disse (2:16): “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada”. Tiago disse em sua carta (1:23 e 2:10): “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecediço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos”. 
O livro Zelota, conta (p. 225): “Nunca houve qualquer dúvida sobre onde se colocaria a lealdade da comunidade cristã. Tiago, Pedro e João, estes eram os pilares da Igreja. Eles eram os principais personagens de todas as histórias que se contavam sobre Jesus. Foram os homens que andaram com Jesus. Estavam entre os primeiros a vê-lo ressuscitar dos mortos. A autoridade que os apóstolos mantinham sobre suas vidas era inabalável. Nem mesmo Paulo poderia escapar dela. Em 57 e.C ele precisou apresentar-se perante Tiago e arrepender-se publicamente do que pregava”. 
Lucas conta assim (Atos 21:17-24): “E, logo que chegamos a Jerusalém, os irmãos nos receberam de muito boa vontade. E no dia seguinte, Paulo entrou conosco em casa de Tiago, e todos os anciãos vieram ali. E, havendo-os saudado, contou-lhes por miúdo o que por seu ministério Deus fizera entre os gentios. E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor, mas disseram-lhe: “Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus há que creem, e todos são zeladores da lei. E já acerca de ti foram informados de que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisés, dizendo que não devem circuncidar seus filhos, nem andar segundo o costume da lei. Que faremos pois?  Em todo o caso é necessário que a multidão se ajunte; porque terão ouvido que já és vindo. Faze, pois, isto que te dizemos: Temos quatro homens que fizeram voto. Toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles os gastos para que rapem a cabeça, e todos ficarão sabendo que nada há daquilo de que foram informados acerca de ti, mas que também tu mesmo andas guardando a lei”. 
E Paulo se retratou. Quantas vezes temos de nos submeter aos superiores! O jeito é se conformar e “engolir o sapo”.
Mais amigos estão lendo Adão, feito da Terra: o dentista Júlio da 33, o vendedor de carros Adriano de Niterói, Alberto do Espaço Antoneli 33, Alex cabeleireiro na Beira Rio, a cabeleireira Berê do CBS e Érika e colaboradora de outro salão no CBS.

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