quinta-feira, 12 de maio de 2016

Posso interessá-lo por uma informação que você normalmente não usa?

Vou tentar porque lhe ajudará quando for ler seja o que for: uma apostila de um curso, uma notícia de jornal ou um livro técnico ou romântico.
Estou estudando o livro Tempo e Narrativa do filósofo Paul Ricoeur ,que ensina (p.290): “O autor que mais respeita seu leitor não é o que o gratifica ao mais baixo custo e só atinge seu leitor se compartilhar com ele um repertório familiar”.
Uma leitura que não tenha nada de novo para o leitor é uma perda de tempo. Tem que se puxar pelo raciocínio ou se empurrar para reflexão a mente assediada de bobagens e ideias repetidas. Tudo muito familiar.
“Por outro lado, o autor que pratica uma estratégia de desfamiliarização estimula uma leitura ativa, uma leitura que permita dizer: algo se passa nesse jogo, o que vou ganhar é proporcional ao que vou perder. A balança desse ganho e dessa perda é desconhecida do leitor”.
Num livro bom se aprende novos
insights, mas com certeza deixamos pelo caminho ideias pré-concebidas.
“Na realidade, é a pós-leitura que decide se a estase de desorientação gerou uma dinâmica de uma reorientação”.
Se um livro te faz parar e reler de novo o parágrafo é sinal de que ele mexeu com velhos conceitos que carregava.
No meu livro Adão, Feito da Terra, meu leitor acompanha o desespero de um jovem líder religioso perseguido por fanáticos da velha religião. Então, deixou-o estirado no chão e quem lê pergunta: morreu? está só ferido? Então dou um salto no tempo e no espaço e a pessoa com meu livro aberto nas mãos descobre que aquele moço idealista é o próprio...

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A pretexto de que nossa situação financeira é de completa ruína.

Existe a teoria de que a História se repete. Li uma comprovação disso no livro A Primeira República, de Edgard Carone. Neste livro o historiador comenta pouco e transcreve documentos, mensagens, decretos e decisões políticas emitidas pelos próprios. Assim, na p. 21 o presidente da República e militar, Manoel Deodoro da Fonseca, fala da situação do Brasil em seu governo: “A pretexto de que nossa situação financeira é de completa ruína e de que colossal déficit se verifica entre receita e despesa, a Câmara elegendo para a mesa administrativa e suas comissões quase unanimidade de adversários irreconciliáveis do governo desorganizou o país”.

O Brasil mais uma vez sofrendo com um mau governo. Então, o legislativo se mobilizou para derrubar o primeiro presidente da República. “Quando a 15 de novembro de 1889 me coube a honra de assumir o governo, em virtude da proclamação solene do Exército e da Armada como altos depositários da vontade nacional, meu primeiro cuidado foi organizar a administração interna”.
Mas foi um fracasso, milico é milico, político e político. O legislativo, com a missão de Constituinte começou a incomodar o mandatário: “À Constituinte pareceu querer concentrar em suas mãos a faculdade, que lhe era estranha, de governar o país. Assisti impassível à longa gestação dessa obra inçada de perigos que se amontoavam à proporção que ideias reacionárias e desrespeito às tradições nacionais iam penetrando nesse organismo público”.
Deodoro só faltou gritar: Não ao golpe! Mas naquele tempo, as instituições frágeis com a mudança de governo do reinado para a República, não teve como suportar o rancor do presidente e este mandou fechar a câmara. Se Dilma pudesse faria o mesmo, mas hoje são outros os tempos.
Isso ficou conhecido na História como Golpe de Estado de 3 de novembro de 1891. Mas agir contrário a lei nunca dá certo e Deodoro sofreu tantas pressões que vinte dias depois deixou o governo para seu vice. E Dilma também vai deixar o governo para seu vice.