quarta-feira, 29 de junho de 2016

UM HERÓI BRASILEIRO - coisa rara de se ver.

O século XIX caminhava rápido para seu término, quando no acender as luzes de 1896, 1º de janeiro, nasce mais um mineirinho que recebeu o nome antigo de Fulgêncio. As mulheres de Januária, cidadezinha de Minas Gerais, foram visitar o pequeno e gabavam a belezura de menino. Diz um ditado que no nascimento a emoção que governa é a esperança, pois não se sabe em que vai dar aquela criaturinha. Mas criado numa família com disciplina férrea o garoto só deu alegria aos pais. Contava 16 anos quando passou nos exames para a Polícia Militar e se destacou pela disciplina e serenidade. Chegou a tenente-coronel, e foi com esta patente que ele enfrentou seu maior desafio, comandar o 7º Batalhão da Força Pública de Minas Gerais na luta contra os irmãos brasileiros paulistas, era a Revolução de 1932. Sob seu comando estava um jovem de 29 anos, capitão médico, que atendia pelo nome de Juscelino Kubitschek de Oliveira. A história é assim, cheia de encontros improváveis.
Uma explicação: Na eleição para presidente da República, em 1929, Getúlio Vargas foi derrotado pelo candidato de São Paulo, Júlio Prestes. Mas alguns governadores apoiaram um golpe militar para tirar o presidente que terminava o mandato, Washington Luiz, e colocar Getúlio no poder. Minas apoiou este golpe contra a Constituição. Os paulistas se revoltaram.
Uma luta encarniçada se deu no alto da serra da Mantiqueira com a cidade de Cruzeiro lá embaixo. No túnel ferroviário centenas de soldados de ambos os lados morreram em combate. 

Na fuzilaria intermitente o jovem tenente-coronel de 35 anos foi atingido por uma bala de fúsil e veio a falecer. A estação ferroviária na entrada da Garganta do Embaú foi batizada Estação Coronel Fulgêncio.

Em 26 de setembro de 1986 foi criada a Medalha de Mérito Coronel Fulgêncio de Souza Santos. Este heroico brasileiro foi escolhido neste ano, 2016, como o benemérito dos aguerridos ciclistas Caçadores de Cachoeiras. 

domingo, 26 de junho de 2016

Seu despertar com o céu carregado de estrelas.

Quando me debrucei sobre o desafio de procurar o Adão bíblico, deparei com o problema do afastamento dele no tempo. Quanto mais no passado mais complicada é a recuperação dos acontecimentos. Cerquei-me de livros de Arqueologia, estudos da Pré-História, Filosofia e Teologia. Tudo o que lia juntava ao meu arquivo mental com dezenas de anos de estudar e ensinar.
Leio agora em Tempo e Narrativa, de Paul Ricoeur, a constatação (p. 317): “O imaginário cresce à medida que a aproximação se torna maior”. Não é difícil pegar um livro de Arqueologia e citar como era a religião no Norte do Iraque há 6 mil anos. Mas se o escritor se aproxima mais da cena, vendo Adão bem de perto, por exemplo, seu despertar numa madrugada com o céu carregado de estrelas, não há fontes científicas para te ajudar, resta a imaginação. “Tomemos a tese mais realista sobre a descrição do passado histórico: é preciso reinscrever o tempo da narrativa no tempo do universo. A história contada precisa submeter-se a cronologia da história do Sistema Solar e das galáxias e do ser humano”. E como se faz isso? “Não nos esqueçamos de que o abismo entre tempo do mundo e tempo vivido na narrativa só é atravessado graças à construção de alguns conectores. Um deles é inserir informações sobre o movimento da sombra projetada pelo personagem o que define o momento do dia e a estação do ano”.


Escrever um romance e ainda por cima histórico não é tarefa fácil.