domingo, 26 de junho de 2016

Seu despertar com o céu carregado de estrelas.

Quando me debrucei sobre o desafio de procurar o Adão bíblico, deparei com o problema do afastamento dele no tempo. Quanto mais no passado mais complicada é a recuperação dos acontecimentos. Cerquei-me de livros de Arqueologia, estudos da Pré-História, Filosofia e Teologia. Tudo o que lia juntava ao meu arquivo mental com dezenas de anos de estudar e ensinar.
Leio agora em Tempo e Narrativa, de Paul Ricoeur, a constatação (p. 317): “O imaginário cresce à medida que a aproximação se torna maior”. Não é difícil pegar um livro de Arqueologia e citar como era a religião no Norte do Iraque há 6 mil anos. Mas se o escritor se aproxima mais da cena, vendo Adão bem de perto, por exemplo, seu despertar numa madrugada com o céu carregado de estrelas, não há fontes científicas para te ajudar, resta a imaginação. “Tomemos a tese mais realista sobre a descrição do passado histórico: é preciso reinscrever o tempo da narrativa no tempo do universo. A história contada precisa submeter-se a cronologia da história do Sistema Solar e das galáxias e do ser humano”. E como se faz isso? “Não nos esqueçamos de que o abismo entre tempo do mundo e tempo vivido na narrativa só é atravessado graças à construção de alguns conectores. Um deles é inserir informações sobre o movimento da sombra projetada pelo personagem o que define o momento do dia e a estação do ano”.


Escrever um romance e ainda por cima histórico não é tarefa fácil. 

Nenhum comentário: