Reconstrução, essa palavra parece descrever o trabalho de
fazer algo voltar a forma que possuía. Mas em História não é assim. Vamos deixar
o filósofo Paul Ricoeur explicar (Tempo e Narrativa p. 255): “Uma vez que
queremos marcar a diferença entre ficção e história, sempre invocamos a ideia
de alguma correspondência entre a narrativa do historiador e do que realmente
aconteceu”.
Mas é impossível repetir exatamente o que aconteceu. Citar
documentos da época ou o testemunho de quem lá viveu ou que ouviu de quem
assistiu, não consegue reconstruir igual. “Estamos bem conscientes de que
qualquer reconstrução é uma construção diferente do curso dos acontecimentos
relatados”.
Assim, quando estudei livros e livros para compor uma
história de Adão e Eva dei um duro tremendo para conciliar o que a Bíblia conta
com o que a Arqueologia e a Paleontologia tem descoberto sobre o local e o
tempo em que o casal viveu.
“Se a História é uma construção, o historiador, por
instinto, gostaria que ela fosse uma perfeita reconstrução. Parece mesmo que
isto faz parte das obrigações impostas ao bom historiador. Coloque ele o seu
trabalho sob o signo da amizade ou sob o da curiosidade, ele é movido pelo
desejo de fazer justiça ao passado”.
Então, o filósofo diz algo majestoso: “A relação do
historiador com o passado é, primeiro, a de uma dívida não paga em que ele
representa a todos nós, os leitores”.


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