quinta-feira, 18 de agosto de 2016

RECONSTRUINDO COM POUCA SEMELHANÇA.

Reconstrução, essa palavra parece descrever o trabalho de fazer algo voltar a forma que possuía. Mas em História não é assim. Vamos deixar o filósofo Paul Ricoeur explicar (Tempo e Narrativa p. 255): “Uma vez que queremos marcar a diferença entre ficção e história, sempre invocamos a ideia de alguma correspondência entre a narrativa do historiador e do que realmente aconteceu”.
Mas é impossível repetir exatamente o que aconteceu. Citar documentos da época ou o testemunho de quem lá viveu ou que ouviu de quem assistiu, não consegue reconstruir igual. “Estamos bem conscientes de que qualquer reconstrução é uma construção diferente do curso dos acontecimentos relatados”.
Assim, quando estudei livros e livros para compor uma história de Adão e Eva dei um duro tremendo para conciliar o que a Bíblia conta com o que a Arqueologia e a Paleontologia tem descoberto sobre o local e o tempo em que o casal viveu. 

“Se a História é uma construção, o historiador, por instinto, gostaria que ela fosse uma perfeita reconstrução. Parece mesmo que isto faz parte das obrigações impostas ao bom historiador. Coloque ele o seu trabalho sob o signo da amizade ou sob o da curiosidade, ele é movido pelo desejo de fazer justiça ao passado”.

Então, o filósofo diz algo majestoso: “A relação do historiador com o passado é, primeiro, a de uma dívida não paga em que ele representa a todos nós, os leitores”.

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