segunda-feira, 15 de maio de 2017

Era, como diz as gentes, passar.

Neste mundo pós-moderno não há lugar nem tempo para se ter luto, sofrer a perda pela morte. Na correria em que vivemos temem que parar a vida para meditar na morte de um ser querido pode causar uma depressão em quem entre em reflexão.
Já nas antigas tábuas sumérias a morte era representada pela cruz +. Explicando esse símbolo encontrei esse trecho do livro de Camilo Castelo Branco (p.171):
"A respiração era sossegada, mas quase inaudível. Daí a segundos, não vivia; mas aquele estado não podia ser morte. Era, como diz a gente das nossas aldeias, passar: vocábulo sublime que nos vem de algum superior espírito que o achou assim nas suas lucubrações sobre o mistério da imortalidade, e os latinos o perfilharam para o entesourarem depois os cristãos. Transite, passar, ir para além, diziam eles. Assim foi o evolar-se daquele grande espírito do monge. Passou. Além, a luz perpétua, a glorificação das inteligências salvadoras, o foco divino recebeu o raio luminoso que se apagara na Terra".

A cruz é isso, o travessão - o corte da vida pela morte, a coluna vertical I a vida aqui e além.

Nenhum comentário: