Sempre ouvi
dizer que quem primeiro pensou a frase: A religião é o ópio do povo; foi Karl
Marx.
Mas não foi.
Vivendo e aprendendo. Ele criou esta frase no livro Crítica da filosofia do
direito de Hegel, publicado em 1844. Foi Wilhelm Friedrich Hegel quem teve esta
visão da religião. O contexto daquela frase, diz: "É este o fundamento da
crítica irreligiosa: o homem faz a religião, a religião não faz o homem. E a
religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não
se encontrou ainda ou voltou a se perder. Mas o mundo do homem é o Estado e a
sociedade. Este Estado e esta sociedade é que produzem a religião. A religião é
a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma
popular, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua
base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da
essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por
conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele
mundo cujo aroma espiritual é a religião”.
É só então,
depois de citar Hengel, que Marx, conclui: “A religião é o suspiro da criatura
oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A
religião é o ópio do povo”.
- Zé, se compreendi
direito ele não falou mal da religião.
Comecei a
ler um belo livro, A Serra e o Santuário, do amigo J. C. Vargens Tambasco,
falando da serra de Caetés, muito além de Belo Horizonte. Logo na Introdução,
ele diz falando do Ciclo do Ouro, da prosperidade e da licenciosidade dos que
trabalhavam e dos que usufruíam daquela riqueza farta: “Dentro desse viver, a
criação do Santuário de Nossa Senhora da Piedade... erigido em tempos de
intensa religiosidade das gentes... era entendida como meio eficaz da remissão
dos pecados da comunidade... e do apaziguamento de um Deus severo propenso a
castigar coletivamente uma comunidade que vivesse de forma ímpia”.
Então é isso
o que eles tentaram dizer: “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o
ânimo de um mundo sem coração”. Para mim a religião é bem mais do que isto, e
pra você?



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