segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Decisões que tomamos facilitam ou complicam a vida.

Quando a notícia acabou de correr mundo, sendo ouvida até nos rincões mais distantes, muito parecido com as ondas de choque da explosão atômica que se espalharam por quilômetros, um escritor alemão sentou e começou a escrever o livro Ainda Resta uma Esperança, que acabei de ler pela segunda vez. Na p. 193 tem esta conversa escrita por J. M. Simmel:

“- A vítima mais importante da bomba atômica, meu querido amigo, não foram os 300.000 japoneses. A maior vítima foi a guerra.
- Não entendo.
- Não quero dizer que eu ache que não vá haver mais conflitos. Não quero dizer que as classes sociais a partir de agora vão viver sem desavenças ou que os soldados vão poder se dedicar aos esportes.
- Sempre haverá guerra.
- Certo, mas não outra guerra mundial. Se nações resolvessem investir umas contra as outras com bombas atômicas, em poucos minutos cidades e multidões desapareceriam sob a forma de leve bruma.
- Pode ser, mais os militares continuarão sem bom senso e os políticos quando assumem o poder perdem o pouco que tem. As pessoas que decidem sobre nossos destinos não são normais. No meio da sociedade existe monstro desumanizados, eles não conseguem mais pensar em termos humanos e não tem condições de avaliar o alcance e as consequências de seus atos. Pode ser que não haja mais uma guerra mundial, mas haverá atentados e muitas mortes. Porque o que é e sempre será horrível não é a bomba, é o homem! Os homens são ruins.
- Não, os homens são bons. Acho que de uma forma muito misteriosa, mas cada vez com mais clareza e com mais frequência o bem está vencendo o mal. Creio firmemente que depende exclusivamente de nós vivermos em paz e sermos felizes”.

Cada decisão que tomamos facilitam ou complicam a vida da gente.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Quer poder humano maior que esse?

Houve dois papas governando a Igreja ao mesmo tempo.
Não estou falando de hoje quando temos o Papa Francisco em governo e o papa Bento XVI em repouso. Aliás, na história da Igreja Católica Romana houve diversas ocasiões em que dois papas dividiam a governança. O livro Colunas Vivas de São Pedro, descrevendo as decisões dos concílios entre os anos 1.000 e 1.200, fala de diversos casos assim. Naqueles séculos a Europa tinha um Império, o Romano Germânico, e pequenos reinos. Por diversas vezes, por discordar do Papa, o imperador do momento escolhia um outro e impunha que bispados o aceitassem. O povo, vivendo oprimido pelos senhores feudais aceitava o Papa imposto pelo imperador, mas oravam para que Deus Pai e Jesus, o verdadeiro Senhor da Igreja, colocassem ordem em Sua Casa.

Os Papas que não foram escolhidos pelo Espírito Santo não duravam e o Sucessor de Pedro continuava sua linhagem pela fé. “A Autoritas apostólica consistia num fenômeno social fundamentalmente inconsciente. A razão que fazia os papas atraírem para si colaboradores e vassalos em altas posições políticas e senhoriais, vinha de sua autoridade moral e espiritual de chefe da Cristandade. Veja este caso: O prior de Saint-Martin-des-Champes relutou em aceitar a doação de um sanguinário Senhor feudal, mas o cardeal Pierleoni disse-lhe: ‘Pela autoridade da Sé Apostólica que me foi entregue absolvo-o de qualquer temor de consciência’”.

A Igreja tinha o poder de perdoar e acalmar consciências, quer poder humano maior que esse?    

domingo, 3 de janeiro de 2016

Num dogma acredita quem quiser.

Desde que me entendo como gente gosto de ler e passei a vida tentando convencer à todos, começando por minha mulher e meus filhos, que ler é muito bom.
A leitura nos faz refletir... e é aí que mora o perigo. 
Estou na página 277 do Livro Negro da Psicanálise e um dos autores diz: “Freud e outros bons analistas, reconhecem que as provas que podem apresentar para confirmar a veracidade da psique não constituem a base de suas convicções”. Quer dizer: acreditam no valor da análise para ajudar uma pessoa e ponto.
Diz mais: “O sucesso terapêutico não pode conferir veracidade às teses da psicanálise, assim como as curas de Lourdes não podem confirmar nem refutar a doutrina da Imaculada Conceição”. A gente acredita ou não.

Desde tempos imemoriais alguns homens tiveram ideias, ou revelações. Muitos morreram acreditando sozinho no que “viram”, mas outros encontraram seguidores. E aí, pode-se ‘esfregar na cara’ dele que está vivendo um erro que ele não aceita rever seu ponto de vista. Uma Testemunha de Jeová entende que dar uma transfusão de sangue no filho seria condená-lo a morte eterna por Jeová. E não adianta argumentar com ela, sua razão diz que está certa e acabou. Pode-se mostrar a um PTista como seu partido quase acaba com o Brasil e ele vai te 'jogar no colo' muitos benefícios que esta diretriz política deu ao país.

Anotei na página do livro: “Uma força emana de uma ideia, esta se torna convicção e finalmente um dogma. Acredita quem quiser”.    

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Por que os alemães apoiaram o nazismo?

Por mais que se estude fica sempre uma lacuna, algo que não ficou claro em nossa mente.
Estou aprendendo muito com o livro Colunas Vivas de São Pedro, um estudo detalhado de Roma no século XII. Com ele estou completando pedaços da história que não entendia. Como, porque apareceram antipapas naquele tempo. Um bispo que se deixa ou trabalha para ser eleito papa por uma facção católica enquanto o papa eleito está vivo, é um antipapa. E houve vários entre 1050 e 1180, por que? O que favoreceu o protestantismo na Alemanha no século XV, e o que uma coisa tem a ver com a outra?

De 1084 a 1105 Henrique IV foi imperador da Alemanha, mas neste tempo seus domínios estendiam-se por toda Europa e chamava-se Sacro Império Romano Germânico. Nada tendo a ver com o Império Romano que se esfacelou no século IV. Para dominar tão vasto território Henrique exigiu o direito de investir como bispos cristãos que fossem leais ao seu governo, algumas vezes mais do que à fé cristã. O papa Gregório VII negou autorização e como o imperador teimasse o excomungou. Num mundo cristão, com o povo indo à igreja cada semana, ter um governo condenado pela Igreja era insustentável. Henrique pediu perdão, foi aceito de volta à Igreja e fez pior, levou um bispo a ser escolhido papa. Os cristãos do lugar em que residia o falso papado conseguiram destituí-lo, mas o imperador escolhia outro em novo local. Assim, o papa Pascoal II, escreveu (p. 205): “Por rasgar a túnica de Cristo, isto é, devastar a igreja com pilhagens e incêndios o rei Henrique IV é excomungado e condenado por desobediência. Nós o entregamos ao perpétuo anátema em nosso último sínodo com o julgamento de toda igreja”.
O Império balançava e um filho do imperador se revolta, forma um exército e vence o pai tornando-se Henrique V e prometendo ser um cristão fiel à Igreja Católica Romana. O papa o apoia: “Pascoal, bispo, servo dos servos de Deus a Henrique, caríssimo filho em Cristo e, pela graça do Deus onipotente, augusto imperador dos romanos, saudações e benção apostólica... Vossos predecessores, de fato, tanto engrandeceram as igrejas de seu reino como buscaram dar segurança, protegendo os bispos e abades [menos o pai dele, é claro]. Eis porque o zelo de tua prudência e poder deve elevar-se vigilante para que seja conservada a grandeza da Igreja Romana”. Mas este novo imperador acabou por prender o papa, por interesses de propriedades.

Assim essa disputa entre o governo germânico e a Igreja causou a eleição de antipapas como plantou em mentes e corações alemães uma cultura que resultou no apoio ao sacerdote cismático, Lutero, no século XV, e o surgimento do nazismo e de Hitler, no século XX.