segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

EIKE E VIRGÍNIA WOOLF

É que li uma frase dela e me lembrei dele na hora. Verdade que deveria ter primeiro olhado pra mim, mas sempre se olha mais o defeito dos outros. Antes de transcrevê-la permita um pensamento.
Uma frase e um remédio forte se parecem. As letras são os átomos que o escritor une formando moléculas, palavras, que juntas formam uma substância complexa. No caso das boas frases, elas nos levam direto à reflexão.
A frase: Não há reconhecimento para os que velam os últimos tremores de consciência no rosto do moribundo.
O que me ocorreu é que, na vida, pode-se ter um Lamborghini e belas mulheres, mas na hora que enfrentamos a despedida desse mundo, quem nos vela, verá nosso rosto tremer pelo que fizemos de mal.

sábado, 28 de janeiro de 2017

QUANDO ME MOSTRAM ALGUM, PARO TODOS OS OUTROS

Assim foi quando recebi um convite da Academia Voltaredondense de Letras para ler Virgínia Woolf. Procurei e peguei um livro dela, Mrs Dalloway, e encostei os outros livros que estou lendo.
Você não lembra mas há um filme com Elizabeth Taylor (ela ganhou o Oscar como melhor atriz por este filme) e seu marido Richard Burton com o título, Quem tem medo de Virgínia Woolf. Dois casais discutem motivos e atitudes uns dos outros. Porque Virgínia entra nessa história?, por que foi uma escritora que desvendava os motivos de seus personagens.

Nesse livro que peguei ela descreve como - o que chamamos hoje de deprimido - vê as coisas a sua volta. A mulher costura na sala e o personagem a observa. Veja o que se passa na cabeça dele: "Ele a observava cortando, modelando, como se observasse um pássaro saltitar, esvoaçar na
grama, sem ousar mexer um dedo. Pois a verdade (melhor deixá-la na ignorância) é que os
seres humanos não têm fé, nem bondade, nem caridade além do que sirva para aumentar o
prazer do momento. Caçam em bandos.  Abandonam os caídos. Usam caretas pregadas na cara. Havia Brewer no escritório, de emoções agradáveis – por dentro só frieza e viscosidade; ou Amelia Nãoseidoquê passando as xícaras de chá às cinco em ponto – uma harpiazinha esconsa, escarninha, obscena deixando pingar grandes gotas de vício. Na rua, os furgões passavam roncando por ele; a
brutalidade estrondeava nas ruas; homens eram apanhados em minas; mulheres queimavam vivas".
Não é uma escritora fácil de ler, mas nos faz pensar muito. [e ainda sinto muitas dores da operação da hérnia]

domingo, 22 de janeiro de 2017

QUÃO LOUCO SOMOS NÓS?


Jalal ad-Din Muhammad Rumi, Rumi para os amigos, viveu no século XIII e pensava o transcendental.
Refletia na vida além dessa matéria. Este é um poema dele.



QUÃO LOUCOS SOMOS NÓS?

"O mundo não é nada.
Nós não somos nada.
Nossa vida neste mundo não é nada além de sonhos e imagens.
Sendo assim, por que continuar lutando?
Se a pessoa que está sonhando sabe que está sonhando
Por que sofrer com os pesadelos?

Você me concedeu tantos favores
Que me sinto tentado a pedir por mais.
Como Moisés quando ouviu a voz de Deus
E desejou ver sua face.

Eu me pareço com um falcão doente
Preso à terra por causa de sua doença.
Não pertenço mais às pessoas da terra
Nem sou capaz de voar para o céu.
Oh pobre falcão

Seja como o sol, tenha graça e misericórdia
Seja como a noite, não veja as faltas dos outros
Seja como a água da fonte, não seque sua generosidade
Seja como um morto, para a raiva e o ódio
Seja como a Terra, tenha modéstia.

Pareça ser aquilo que você é
Seja aquilo que você parece ser"

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Maestro Caaraura, ele sabe tudo.


E acrescentou ao que escrevi sobre os judeus na Invasão Holandesa:
“Quando houve a Insurreição Pernambucana, a proporção de holandeses era de seis para cada pernambucano. Vencemos as batalhas, mas, para expulsá-los do país Pernambuco teve que construir os navios, pagar soldo aos mercenários e indenizar os agiotas judeus. Mesmo assim Pernambuco levou outros prejuízos. Os holandeses aprenderam a técnica do refino do açúcar e foram instalando engenhos por todo o trajeto, a começar pelo que se chamou de Guiana Holandes . Junto com os holandeses expulsos foram os serfadins, brasileiros filhos dos judeus. Chegando numa certa ilha, compraram-na dos índios por espelhos e quinquilharias. Fundaram um posto comercial, que de desenvolveu e tomou o nome de Nova Amsterdã, que fica na ilha de Manhattan. Os ingleses tomaram o entreposto e trocaram o nome para New York. Quer saber mais?”
Claro, sempre quero aprender mais com quem sabe tanto.
Mas o livro JUDEUS E MARRANOS NO BRASIL HOLANDÊS, de Daniela T Levy, fala sobre a expulsão dos "agiotas judeus" transcrevendo um trecho da poesia do rabino Isaac Aboab da Fonseca sobre os dias que antecederam a vitória luso-brasileira:
 "Começou então a fome.
O corpo ficou reduzido quase a ossos.
Era o momento desejado pelo inimigo
para tornar-se o dono dos bens do povo de Israel.
Deus permitiu porém, que sua gente fosse salva
por dois navios vindos da Holanda.
Lembrai e guardai isto, meus irmãos:
Aquele dia houve um milagre de Deus”.
Os luso-brasileiros foram magnânimos, como bem afirmou maestro Caaraura. O livro diz: “Diferente de outros momentos da história em que judeus foram obrigados a abandonar casas e foram reduzidos à miséria, em 1654, receberam respeito. Foi-lhes dado permissão para encerrar seus negócios, vender seus bens e navios foram disponibilizados para a travessia à outras regiões e abastecidos com mantimentos de remédios”.

Viva o povo brasileiro! Somos tão bonzinhos!  

FALEMOS DE UMA BEGUINA

Em 1250 havia na Bélgica mulheres católicas que não eram freiras, não faziam voto de clausura, mas levavam uma vida de devoção cuidando de doentes e alimentando os pobres da rua. Fiquei sabendo o nome de uma delas, Marguerite Porete. Como tanta gente boa ela morreu em 1310 de morte matada. De outra vez eu explico.

Quero só passar pra você uma oração dela ao Espírito Santo:
"Bem-amado de natureza gentil
muito há pra vos louvar;
generoso, côrtes sem medida,
soma de toda bondade,
nada quereis em mim, amado,
sem a minha vontade.
Assim, não devo mais calar
da Vossa beleza e lealdade"

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

MARRANOS NA INVASÃO HOLANDESA

Ele está sempre um passo a frente. Então quando pensei em escrever sobre o que aprendi em um livro, abrindo o Diário do Vale hoje, vi que Aurélio Paiva se antecipou. Bom que ele puxou um fio da meada e eu vou puxar outro.
Já ouviu falar de marranos? Pois era a designação dos judeus, na Península Ibérica, que se convertiam ao Cristianismo e por debaixo dos panos continuavam a seguir cerimônias, ritos e costumes judeus.
Sempre muito inteligentes eles detinham todos os contatos comerciais e a tecnologia holandesa de refinar o açúcar.
A invasão holandesa, em 1630, tinha um fim bem comercial, continuar dominando o negócio com o açúcar em toda Europa. Na Pernambuco ocupada viviam e negociavam intensamente 1.450 judeus, metade da população!

Mas uma coisa que desconhecia é que quando da expulsão dos holandeses e judeus, 23 destes foram para uma povoação que estava apenas começando. Era na América do Norte, fundada por holandeses e com o nome de Nova Amsterdam. Mais tarde, Nova Iorque.
Há placas comemorativas na Big Apple que homenageiam os brasileiros que foram fundadores da cidade.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

NÃO PENSE QUE ESTOU LOUCO

Li hoje cedo, são palavras de um cristão que viveu próximo ao ano 350. Aquele momento da Igreja Católica foi impar. A perseguição aos cristãos havia passado e surgiram homens muito estudiosos que combinavam o que a Bíblia ensina com o que os filósofos gregos descobriram. Esses evangelistas foram chamados de neoplatônicos, o pensamento grego retrabalhado pela revelação de Jesus Cristo. Agora, lê um pouquinho do que aprendi com Dionísio.
"Da divindade devemos afirmar todos os atributos, por ser causa de todas as coisas. Mas com mais razão se Lhe devemos negar todos eles, na medida em que Ele ultrapassa a realidade que conhecemos".
Deus é mais do que tudo que conhecemos, ou como Dionísio diz: Não é nada do que conhecemos. Mas tem mais.
"Deixando para trás todas as luzes divinas e todas as palavras do céu, penetraremos na treva em que está Aquele que tudo transcende".
É como se a luz fosse o ideal de todas as coisas feitas, mas Deus está nas trevas, um ambiente do qual nada podemos saber. Agora.