sábado, 28 de janeiro de 2017

QUANDO ME MOSTRAM ALGUM, PARO TODOS OS OUTROS

Assim foi quando recebi um convite da Academia Voltaredondense de Letras para ler Virgínia Woolf. Procurei e peguei um livro dela, Mrs Dalloway, e encostei os outros livros que estou lendo.
Você não lembra mas há um filme com Elizabeth Taylor (ela ganhou o Oscar como melhor atriz por este filme) e seu marido Richard Burton com o título, Quem tem medo de Virgínia Woolf. Dois casais discutem motivos e atitudes uns dos outros. Porque Virgínia entra nessa história?, por que foi uma escritora que desvendava os motivos de seus personagens.

Nesse livro que peguei ela descreve como - o que chamamos hoje de deprimido - vê as coisas a sua volta. A mulher costura na sala e o personagem a observa. Veja o que se passa na cabeça dele: "Ele a observava cortando, modelando, como se observasse um pássaro saltitar, esvoaçar na
grama, sem ousar mexer um dedo. Pois a verdade (melhor deixá-la na ignorância) é que os
seres humanos não têm fé, nem bondade, nem caridade além do que sirva para aumentar o
prazer do momento. Caçam em bandos.  Abandonam os caídos. Usam caretas pregadas na cara. Havia Brewer no escritório, de emoções agradáveis – por dentro só frieza e viscosidade; ou Amelia Nãoseidoquê passando as xícaras de chá às cinco em ponto – uma harpiazinha esconsa, escarninha, obscena deixando pingar grandes gotas de vício. Na rua, os furgões passavam roncando por ele; a
brutalidade estrondeava nas ruas; homens eram apanhados em minas; mulheres queimavam vivas".
Não é uma escritora fácil de ler, mas nos faz pensar muito. [e ainda sinto muitas dores da operação da hérnia]

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