domingo, 5 de fevereiro de 2017

A LINDA MULHER QUE PASSA

Muito, mas muito tempo mesmo, antes de Vinicius de Moraes cantar:
Olha que coisa mais linda
mais cheia de graça
é ela menina que vem
e que passa...

O poeta Baldelaire fez esses versos para uma parisiense:
A uma passante
A rua em derredor era um ruído incomum,
longa, magra, de luto e na dor majestosa,
Uma mulher passou e com a mão faustosa
Erguendo, balançando o festão e o debrum;
Nobre e ágil, tendo a perna assim de estátua.
Eu bebia perdido em minha crispação
No seu olhar, céu que germina o furacão,
A doçura que embala o frenesi que mata.
Um relâmpago e após a noite! — Aérea beldade,
E cujo olhar me fez renascer de repente,
Só te verei um dia e já na eternidade?
Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente!
Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais,
Tu que eu teria amado demais! 
O filósofo Walter Benjamin assim o comenta:
O soneto apresenta a imagem de um choque.
Ela atingiu o âmago de seu sentimento e ele foi invadido por Eros em todos os recônditos do seu ser. Os versos mostram como a perplexidade pode acometer, como um frémito, o homem solitário.
E JESUS já havia avisado de como um encontro fortuito desses pode levar à muitos problemas:
Eu, porém, vos digo, que qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, em seu coração, já cometeu adultério com ela.
Livrai-me, SENHOR, da linda mulher que passa. 

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