segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A Criação é, de certo modo, uma ação necessária.


Um paleontólogo, ou um cientista qualquer, chegando a uma descoberta a publica por seu e risco. Entretanto, se ele for um sacerdote precisa submeter sua obra à apreciação da Igreja. Assim conta o livro As Sandálias do Pescador e narra objeção dos padres da Sagrada Congregação do Santo ofício ao trabalho de pesquisa de um jesuíta: “Algumas das expressões usadas pelo autor levariam o leitor a pensar que a Criação é, de certo modo, uma ação necessária, em contraste com o conceito teológico clássico de que a Criação é um ato de absoluta liberdade de Deus”.

Este é o pensamento da ciência e de muita gente: “a Criação é, de certo modo, uma ação necessária”. Não foi Deus quem criou, mas foram acontecimentos no planeta que provocaram as condições para uma diversificação da vida. Veja esse comentário do professor Abel Carrasquilha, doutor em Geofísica no site GeofísicaBrasil:  “Dois grandes eventos afetaram a topografia das Américas Central e do Sul durante o Mioceno, com efeitos tanto climáticos como biogeográficos profundos: o fechamento do Istmo do Panamá por mar (a ponte de terra ligando América do Sul e do Norte) e o soerguimento da Cordilheira dos Andes. O fechamento fez surgir uma divergência evolutiva entre as faunas marinhas rasas e profundas de moluscos na região do Pacífico e do Caribe. A troca de mamíferos terrestres entre os continentes americanos do Norte e do Sul se atrasou por 2,7 milhões de anos, coincidindo com a intensificação da glaciação no Hemisfério Norte, que por sua vez, está ligada à mudanças no nível do mar”.

O pensamento humano, baseado em experiências e observações levou a Hipótese Gaia. “É uma hipótese ecológica controversa que propõe que a biosfera e os componentes físicos da Terra (atmosfera, criosfera, hidrosfera e litosfera) estão intimamente integrados de modo que formam um complexo sistema. Este tem função de regular o ambiente para manter uma condição estável, mediante múltiplos ajustes de equilíbrio dinâmico que favorecem a disseminação e diversificação dos seres vivos”.

Será que a Igreja vai se manter irredutível no conceito “de que a Criação é um ato de absoluta liberdade de Deus”, isto é, não depende das condições do planeta?

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quando era tudo junto e misturado.


Ainda falando desse longo tempo da história da Terra, o Éon Fanerozóico, quando a vida se multiplicou em miríades de organismos diferentes, li no artigo da Revista Brasileira de Geociências: “Os eventos biológicos - mudanças extraordinárias na fauna e flora em diferentes escalas, diferenciando-se em inovação, radiação, expansão biogeográfica e extinção - resultam de modificações expressivas ocorridas com os organismos durante eventos geológicos já que esses são os agentes modificadores dos ecossistemas e provocam o surgimento e a extinção dos diversos grupos de organismos”. E ao longo do Fanerozóico, ocorreu, de novo, um tremendo evento: “a tectônica de placas favoreceu mudanças geográficas que se alternaram entre continentes mais unidos ou mais afastados, gerando alternância dos organismos”. A deriva continental formou o supercontinente Pangeia.
 
Uma glaciação, como aparece no desenho Era do Gelo, causada por esta união da terra firme quase acabou com a vida no planeta. E com a gradual separação o calor voltou e os microrganismos encetaram a evolução com inovações, diversificações e o espalhamento por toda Terra.
 
O ser humano, o ente de matéria que seria a imagem do Criador em várias coisas, era o objetivo final desse projeto. Alguns irmãos acham que isso tudo foi por acaso. Será?  

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A criação do homem foi um bioevento magnífico.


Vivemos numa idade do planeta Terra chamada Fanerozoico que começou a 542 milhões de anos e esse nome significa: quando a vida se multiplicou. Esse Éon, é assim que é designado, divide-se em três eras: Paleozoica (a mais antiga) Mesozoica e a que vivemos, Cenozoica. Esta, que começou a 65, milhões de anos, divide-se em três períodos: Paleogeno, Neogeno e Quaternário (no qual vivemos). Vivemos numa época geológica denominada Holoceno que começou há 10 mil anos. Mas o que me tem atraído é o momento em que entre os grandes macacos, que já existiam há 7 milhões de anos, começaram acontecer mutações que se se adaptaram e surgiram os hominídeos, isto há 6 milhões de anos. Essa época geológica chamava-se Mioceno e pertenceu ao período Neogeno.

Um irmão evangélico tradicionalista, interporia: A Bíblia não fala nada disso!
E está lá, não só o Éon Fanerozoico como todos os quatro, que compõe a idade do planeta, 4 bilhões e 500 milhões de anos. E todo este tempo fabuloso está descrito no capítulo 1 de Gênesis e nos 4 versículos iniciais do capítulo 2 que conclui assim: E foi assim que o céu e a Terra foram criados.
O Éon Fanerozoico começou na descrição do versículo 20: “E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus”. E a época Mioceno começa no versículo 26: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Nada aconteceu do dia para a noite, mas demorou tempos e tempos.
Li na Revista Brasileira de Geociências o trabalho de três cientistas sobre o período Mioceno, o seguinte: “Nas últimas décadas os trabalhos desenvolvidos relacionam a evolução dos seres vivos com os processos da crosta terrestre. Assim, para a caracterização dos bioeventos – uma mutação aproveitada pela natureza - é necessário realizar a reconstrução histórica das áreas de endemismo – onde surgiram organismos com uma distribuição limitada a habitats especializados, nativos de uma área geográfica restrita como um continente, ou a áreas muito reduzidas, como o topo de uma montanha. Os mecanismos alocíclicos - processos tais como movimentos tectônicos e mudanças climáticas - da deriva continental, clima e variação do nível do mar influenciaram os bioeventos sob os aspectos global, regional e local”.
A criação do homem foi um bioevento magnífico, a conclusão de um grande projeto.

Mas nem todos acreditam assim. Numa postagem que fiz no grupo Archeology, do Facebook, o espanhol Javier, disse: Monos es posible, Dioses los descarto.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O impulso para um cérebro maior.


O Orrorin tugenensis é uma espécie extinta de hominídeo. Diz o Wikipedia que "os fósseis de, no mínimo, 5 indivíduos foram encontrados próximo à cidade de Tugen, Quênia. Eles são datados de, aproximadamente, 6 milhões de anos (Mioceno). Os fósseis incluem um fêmur, que sugere que o Orrorin andava de forma ereta; um úmero direito, sugerindo habilidades de escalador, mas não de braquiação; e dentes que sugerem uma dieta parecida com a dos humanos modernos. Outros fósseis encontrados nessas rochas mostram que o Orrorin viveu em um ambiente arbóreo, mas não na savana como dito por muitas teorias sobre evolução humana e, em particular, sobre as origens do bipedalismo. O Orrorin é claramente um hominídeo e, baseado nisso, foi datada a separação entre eles e outros grandes macacos africanos para aproximadamente 7 milhões de anos atrás. Isto é atestado pelo relógio molecular que indica: se a taxa de evolução molecular é relativamente constante, então a quantidade de diferença genética entre duas espécies dá uma medida do tempo desde sua separação evolutiva".
 
No livro As Sandálias do Pescador um jesuíta paleontólogo diz: “O impulso principal foi sempre para cima, na direção de um cérebro maior e de um organismo mais complexo”.