domingo, 29 de junho de 2014

Cada homem é algo maravilhoso.

Quem escreve precisa ler muito, e eu leio bastante. Estou lendo um ótimo livro, Dêmiam, de Herman Hesse. Ele começa falando sobre o que é escrever a vida de uma pessoa.
"Os poetas, quando escrevem novelas, costumam proceder como se
fossem Deus e pudessem abranger com o olhar toda a história de uma
vida humana, compreendendo-a e expondo-a como se o próprio Deus
a relatasse, sem nenhum véu, revelando a cada instante sua essência
mais íntima. Não posso agir assim, e os próprios poetas não o
conseguem. Minha história é, no entanto, para mim, mais importante
do que a de qualquer outro autor, pois é a história de um homem
— não a de um personagem inventado, mas a de um homem
real, único. Hoje sabe-se cada vez menos o que isso significa".
Li isso com total interesse, porque parece que está falando do trabalho que tive ao escrever a história de Adão.

Mas veja esse remate:
"Se não passássemos de
indivíduos isolados, se cada um de nós pudesse realmente ser varrido
por uma bala de fuzil, não haveria sentido algum em relatar histórias.
Mas cada homem não é apenas ele mesmo; é também um ponto único,
singularíssimo, sempre importante e peculiar, no qual os fenômenos
do mundo se cruzam daquela forma uma só vez e nunca mais. Assim,
a história de cada homem é essencial, eterna e divina, e cada homem,
ao viver em alguma parte e cumprir os ditames da Natureza, é algo
maravilhoso e digno de toda a atenção. Em cada um dos seres
humanos o espírito adquiriu forma, em cada um deles a criatura
padece, em cada qual é crucificado como um Redentor".
É isto, exatamente, que vi no singular homem Adão, antepassado, possivelmente, de três quintos dos humanos que vivem hoje.
Meu amigo Fabiano, o primeiro a adquirir meu livro, no leito do hospital; hoje está recuperado

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