sábado, 29 de novembro de 2014

Como você compreende, “vê”, Deus?

Para você ele é concentrador, isto é, busca tudo para si, ou é dispersador, delegador de funções, permitindo que cada ser busque o melhor para si mesmo. 
Se você entende Deus como o grande agrupador, seu conceito é criacionista, quer dizer, seu entendimento é de que Deus fez cada ser vivo: a barata, o leão, a formiga e o elefante, a baleia e o sabiá. Mas se para você Deus é profundamente liberal, dispensador de liberdade de escolha de seus seres, sua tendência é evolucionista, quer dizer Deus usou leis naturais para que a vida tomasse inúmeras formas.
Acabei de ler um artigo Diversidade dos Seres. Conta que homens muito antigos já quedavam meditando na origem da vida em nosso planeta. Diz o artigo que o primeiro que se conhece foi um filósofo grego, Anaximandro (610-546 a.C - no tempo contado de trás para frente, uma convenção para estudar os acontecimentos antes de Cristo vir a Terra, ele viveu 64 anos, entende?), que escreveu Sobre a Natureza, um estudo de biologia em forma de poesia. Dizia ele que “Organismos, como plantas e animais, começaram a aparecer da lama, e os primeiros animais foram os peixes, dos quais os humanos emergiram”. Não gostou dessa explicação? Os cientistas de hoje dizem que ela é falsa, mas tem um tiquinho de verdade. 
Outro pensador foi Carlos Lineu (1707-1778): “Ele criou o sistema de dois nomes latinos usados até hoje para identificar os seres vivos. Para explicar a diversidade da vida, ele sugeriu que em algum momento Deus criou em uma enorme montanha em uma ilha no equador, com diferentes biomas ao longo de suas encostas, todos os organismos vivos exatamente como os vemos hoje. Quando as águas baixaram, os animais se deslocaram para todos os lugares”. É mais ou menos como teria acontecido depois - e no que muitos creem - no dilúvio global. 
Outro, muito conhecido, Charles Darwin 

em A Origem das Espécies, "publicada em 1859, propõe uma explicação para a origem da diversidade da vida através dos mecanismos de seleção natural de características que tornam um animal mais apto a sobreviver, processo que com o tempo dá origem a novas espécies e que ficou conhecido como a Teoria da Evolução Darwiniana”. Para Darwin, Deus criou seres elementares que geraram toda diversidade que existe agora. 
Hoje, os cientista trabalhando com moléculas, genes, átomos e subpartículas, pensam, como Motoo Kimura, que “ao mesmo tempo que um animal está adaptado a algum nicho ecológico através da seleção natural, existem mutações dentro da população ou mesmo do indivíduo que causam variedades e outras que não tem valor adaptativo imediato, mas como também não atrapalham continuam presentes na população até acontecer alguma mudança no planeta que causa a deriva genética”.

Como cito no meu livro, Adão, Feito da Terra, quando há muitos milênios Deus decidiu criar a vida neste planeta Ele disse (Gênesis 1:24) : “Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie e se multipliquem sobre a Terra; e assim foi”. Então, para mim, nosso Criador é Dispersador.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A sabedoria humana é um exercício da alma.

Jesus escolheu homens simples, pescadores e coletores de impostos, judeus, e os preparou para pregar aos sábios de seu povo. Mas a ordem que deixou era levar a nova doutrina à todas nações. Então, precisava de uma pessoa instruída na sabedoria dos homens para alcançar o mundo todo. Chamou Paulo de Tarso. Cento e vinte anos após a morte de Paulo outro cristão conhecedor dos ensinos dos filósofos gregos foi usado por Jesus para ensinar e defender a fé cristã dos ataques dos sábios romanos. Veja o que Orígenes disse sobre as duas sabedorias (Contra Celso, livro VI p. 13):

“Segundo Platão, existe uma sabedoria divina e uma sabedoria humana. A sabedoria humana, que chamamos ‘sabedoria deste mundo, é loucura diante de Deus’. A sabedoria divina sobrevém por uma graça de Deus que a concede àqueles que se prepararam convenientemente para recebê-la e principalmente àqueles que, reconhecendo a diferença entre uma sabedoria e outra, dizem em suas preces: Por mais perfeito que seja alguém entre os filhos dos homens, se lhe falta a sabedoria que vem de Ti, de nada valerá. Nós afirmamos: a sabedoria humana é apenas um exercício da alma; a divina é seu fim: ela é apresentada como o alimento sólido da alma no texto: ‘Os adultos, porém, que pelo hábito possuem o senso moral exercitado para discernir o bem e o mal, recebem o alimento sólido’”.
Aquele que diz: a Bíblia me basta, não percebe que numa mente mais exercitada pelo estudo, a fé fica mais linda.

“A sabedoria humana forma-se pelos exercícios do corpo, estando, pois, limitada ao horizonte da finitude do saber. Alcançá-la depende do trabalho para se perscrutar as leis da natureza e desvendar os mistérios da ciência. Enquanto saber ascético ou advindo pelos exercícios e localizado no horizonte deste mundo, a sabedoria humana tem fins práticos, que visam superar certas limitações da condição humana e aliviar as dores da existência. Clemente de Alexandria já havia destacado o sentido da sabedoria humana dizendo que é ‘coisa boa em si e necessária’, porém incompleta porque limitada ao território da razão humana. A sabedoria divina, enquanto dom sobrevém da comunhão divina, por isso, mais que um exercício, é um fim em si mesma, pois introduz o sábio no gozo imediato com o doador do saber”.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Não imagine que o Filho saiu de Deus

No meu livro Adão, Feito da Terra, cito a passagem da Bíblia onde Deus anuncia seu plano de fazer o homem: “Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco”. Isto foi muitos milênios antes de Adão e Eva. Observe que Ele fala no plural, "vamos fazer".
Milhares de anos depois, um escritor registrou o que era o pensamento dos cristãos lá pelo ano 110 d.C (João 1:1-3): “Antes de ser criado o mundo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. Assim, desde o princípio a Palavra estava com Deus. Deus fez todas as coisas por meio dele e nada do que existe foi feito sem ele”. Este era com quem Deus falava.
E então, lá pelo ano 200 d.C, o filósofo Orígenes explicou esta intricada relação do Pai com o Filho:
“O Unigênito, nosso Salvador, único engendrado pelo Pai, é filho por natureza e não por adoção. Ele é nascido da própria inteligência do Pai, pois a natureza divina não é divisível, para que nós não imaginemos que o Filho é procriado por uma divisão ou uma diminuição da substância do Pai. Mas, que ele é inteligência, coração e pensamento de Deus; esse Logos permanece no seio do Pai, anuncia Deus que ninguém jamais viu, e revela o Pai, que pessoa alguma conhece, senão ele próprio, e aqueles a quem o envia o Pai celeste”.
Não imagine que o Filho saiu de Deus, “a natureza divina não é divisível”. Nem pense que o “Filho é procriado por uma divisão ou uma diminuição da substância do Pai”. Não são dois deuses, pois “esse Logos permanece no seio do Pai”. Mas Orígenes vai mais longe:
“Ele desceu sobre a terra por piedade, ele pacientemente sentiu nossa paixão antes de sofrer a cruz e de dignar-se assumir nossa carne; pois se ele não tivesse sofrido, não teria partilhado a vida humana. E o próprio Pai, Deus do universo, pleno de indulgência, de misericórdia e de piedade, se põe em uma condição compatível com a grandeza de sua natureza e leva sobre si as paixões humanas”.
Prestou atenção neste pensamento: “O próprio Pai, Deus do universo leva sobre si as paixões humanas”.

Deu para entender?

sábado, 8 de novembro de 2014

Ele pode caber numa célula.

Conjunto de Cantor. 
- Zé, acho que faltou colocar um artigo: conjunto de um cantor.
Não posso dizer que não tenha a ver com música, mas é matemática. Cantor é  o matemático russo Georg Ferdinand Ludwig Philipp Cantor. 

Ele descobriu um conjunto de espaços, tempos, números formados por intervalos, e muito mais. A fórmula é esotérica, pelo menos para mim.
C1/3 = n = 1An
O que me fascina é que esse fractal é descrito como sendo fechado. É um sistema com as seguintes propriedades.
É infinito abarcando tudo.
Não tem medida, é uma amplidão sem espaço.
Essa descoberta de Cantor tem aplicações muito avançadas, mas não conheço nenhuma.
Ou melhor, ela pode ser uma descrição matemática do Criador de tudo.
Deus pode estar abraçado a você, mas você não pode penetrá-lo. Nada em sua criação pode fazer parte dEle.
É infinito, pois se você pensar na galáxia mais distante, uma que se demoraria 14 bilhões de anos para chegar lá, Deus é muito maior que esta extensão.
E o mais incrível, não se pode medir o Pai do Mundo e Ele pode caber numa célula.

Me desculpe se estou errado.
Em tempo: há dias em que fico muito feliz, é quando alguém que comprou meu livro me diz: Já li umas cem páginas. Essa noite sonhei que meu carro estava lotadinho de agulhas. Fui procurar uma interpretação no livro de sonhos. Diz na página de Utensílios: Se alfinetes aparecerem em seu sonho quer dizer que você poderá estar tentando cutucar alguém. Adão, Feito da Terra, foi escrito para compartilhar coisas que aprendi com muita leitura e estudo. Teimei em publicá-lo porque quero passar essas informações para muitas pessoas. Ele tem a intenção de divertir, ensinar e, por que não, cutucar.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ele é filho por natureza e não por criação.

Tanta coisa já foi dita – e nosso século que há pouco começou parece que já disse mais do que todo o tempo anterior – sobre Jesus que para podermos nos equilibrar sobre essa rede balançante, forçoso é voltarmos ao passado, ao começo de tudo. Ou pelo menos aos anos próximos ao acontecimento singular, a crucificação do judeu Jesus.
No ano 33, um mês e meio depois daquele drama, o apóstolo Pedro disse a uma multidão que visitava Jerusalém (Atos 2:34-36 ) : “Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Saiba, pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. Era assim que aqueles primeiros cristãos entendiam quem era Jesus, era o Messias prometido.
Perto de 80 anos depois começou a circular nas igrejas cristãs já espalhadas por todo entorno do Mediterrâneo indo até a Turquia, um Evangelho atribuído ao apóstolo João. Naquele quase um século a visão que os cristãos tinham sobre o homem Jesus tinha ganho uma nova interpretação (João 1:1-14): “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. O judeu Jesus havia sido o unigênito de Deus muito antes de ser criado o mundo.
Muitos acreditavam assim e tantos outros zombavam dessa crença. No fim do segundo século o cristão e filósofo Orígenes dedicou-se a pensar quem era o Verbo. “Vemos que o Filho de Deus, chamado também sua Palavra e Sabedoria, é aquele somente que conhece o Pai e o revela àqueles que se tornam capazes de receber sua Palavra e sua Sabedoria, pelo fato mesmo de que ele é a figura e expressão da substância de Deus”.

Assim como um pesquisador de um novo vírus se debruça dias e dias estudando a questão, Orígenes também dedicou um longo tempo para pensar essa relação entre o Pai e o Filho, como era existirem na mesma substância. “O Unigênito, nosso Salvador, é o único engendrado (generatus natura) pelo Pai, é filho por natureza e não por criação. Ele é nascido da própria inteligência do Pai, como a vontade de Deus; pois ele não é divisível, não imaginemos que o Filho é procriado por uma divisão ou uma diminuição da substância do Pai. Esse Logos, permanece no seio do Pai, anuncia Deus que ninguém jamais viu, e revela o Pai, que pessoa alguma conhece, senão ele próprio, aqueles a quem o envia o Pai celeste”.

Os cristãos não são politeístas, não adoram três deuses, adoram um só Deus.

domingo, 2 de novembro de 2014

A causa de toda perturbação está em que ninguém se acusa a si mesmo.

Temos, agora, uma coisa muita agradável, eu e Lili. Ao invés de sentarmos para estudar juntos, estamos deitando para ler, com todo respeito. A pouco estávamos lendo uma exortação de um homem que viveu na terra de Gaza. 

Doroteu (505-565) tornou-se cristão, escolheu a vida de monge, fundou um monastério e escreveu Instruções para um Treinamento a Plena Vida Espiritual. Enquanto recebíamos massagem por todo corpo explicava a Lili que aquela época parecia-se muito com a nossa.
- Parecia-se a de hoje em que sentido, Zé?
Disse São Doroteu: “Somos negligentes e amantes da vida cômoda, acreditamos andar pelo caminho certo, apesar de sermos impacientíssimos em tudo. Assemelhamo-nos a um bonito pão que ao ser cortado mostra um miolo cheio de sujeira. Levamos a vida quietos e de modo pacífico, mas basta alguém lançar uma palavra desagradável e imediatamente jorra de dentro de nós acusações e imprecações, pus e sujeira oculta”.
Fiz para Lili um breve resumo do mundo em torno de Mediterrâneo àquela época. Por seiscentos anos os romanos se expandiram dominando e levando seu idioma, sua cultura, costumes e saberes por toda Europa e Oriente Médio. Mas ao final do século IV os guerreiros e os sábios romanos tornaram-se corruptos e amantes da vida fácil e licenciosa. Sempre houve malfeitores, mas então em cada família havia pessoas sem princípios e os familiares suportavam e até aceitavam aquilo.
- Os bons não eram mais a maioria, não é?
Pior, não havia mais um parâmetro para o que era ser um bom cidadão. Inverteram-se todos valores. Não parece com hoje em dia? Então, os povos bárbaros – com uma cultura selvagem, analfabetos, pobres, com uma religião que adorava a natureza, sujos e sem conhecimento de bons costumes – venceram os “bons romanos”, educados, religiosos e com alguma riqueza. O século V viu a civilização romana ser desmanchada: as estradas calçadas que ligavam Roma a povos em todas as direções foram abandonadas e se desmancharam, as torres de comunicação que de tantos em tantos quilômetros enviavam mensagens sejam por reflexos de espelho ou por movimento de bandeiras foram desativadas e as linhas de comércio foram cortadas. Cada guerreiro bárbaro mais terrível formou sem principado cuja única relação com os vizinhos era de guerra.
- A cultura latina acabou, Zé?  
Não, ela foi mantida acesa pela Igreja Católica.  (pintura feita por cristãos nas catacumbas, séc.III)

E não adianta “torcer o nariz”. Se não fosse o latim falado pelos padres nos mosteiros, a leitura regular dos livros e o trabalho de fazer cópias deles e o estudo continuado das ciências feitas nesses locais que os bárbaros não atacavam por superstição e medo, tudo teria desaparecido. São Doroteu de Gaza foi um desses homens incansáveis. Vivemos num tempo semelhante àquele. Vale que temos a “rodear-nos uma tão grande nuvem de testemunhas”, como esse homem. 
(pintura no teto da Igreja de Santa Pudenziana, final séc. IV)  


Ah, ia esquecendo o que ele nos mandou fazer numa época em que ser gay é respeitável, vender os princípios por um bom dinheiro é sinal de capacidade e achar o aborto, a pedofilia e a falta de cuidado com as crianças coisa de gente avançada: a causa de toda perturbação está em que ninguém se acusa a si mesmo.