Tanta coisa já foi dita – e nosso
século que há pouco começou parece que já disse mais do que todo o tempo
anterior – sobre Jesus que para podermos nos equilibrar sobre essa rede balançante,
forçoso é voltarmos ao passado, ao começo de tudo. Ou pelo menos aos anos
próximos ao acontecimento singular, a crucificação do judeu Jesus.
No ano 33, um mês e meio depois daquele
drama, o apóstolo Pedro disse a uma multidão que visitava Jerusalém (Atos
2:34-36 ) : “Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o
Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita até que ponha os teus inimigos
por escabelo de teus pés. Saiba, pois com certeza toda a
casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e
Cristo”. Era assim que aqueles primeiros cristãos entendiam quem era Jesus, era
o Messias prometido.
Perto de 80 anos depois começou a
circular nas igrejas cristãs já espalhadas por todo entorno do Mediterrâneo
indo até a Turquia, um Evangelho atribuído ao apóstolo João. Naquele quase um
século a visão que os cristãos tinham sobre o homem Jesus tinha ganho uma nova
interpretação (João 1:1-14): “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com
Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas
foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. E o Verbo se fez
carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do
Pai, cheio de graça e de verdade”. O judeu Jesus havia sido o unigênito de Deus
muito antes de ser criado o mundo.
Muitos acreditavam assim e tantos
outros zombavam dessa crença. No fim do segundo século o cristão e filósofo
Orígenes dedicou-se a pensar quem era o Verbo. “Vemos que o Filho de Deus, chamado
também sua Palavra e Sabedoria, é aquele somente que conhece o Pai e o revela àqueles
que se tornam capazes de receber sua Palavra e sua Sabedoria, pelo fato mesmo
de que ele é a figura e expressão da substância de Deus”.
Assim como um pesquisador de um
novo vírus se debruça dias e dias estudando a questão, Orígenes também dedicou
um longo tempo para pensar essa relação entre o Pai e o Filho, como era existirem na mesma substância. “O Unigênito,
nosso Salvador, é o único engendrado (generatus natura) pelo Pai, é filho
por natureza e não por criação. Ele é nascido da própria inteligência do Pai,
como a vontade de Deus; pois ele não é divisível, não imaginemos que o Filho é
procriado por uma divisão ou uma diminuição da substância do Pai. Esse Logos,
permanece no seio do Pai, anuncia Deus que ninguém jamais viu, e revela o Pai,
que pessoa alguma conhece, senão ele próprio, aqueles a quem o envia o Pai
celeste”.
Os cristãos não são politeístas,
não adoram três deuses, adoram um só Deus.


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