quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A sabedoria humana é um exercício da alma.

Jesus escolheu homens simples, pescadores e coletores de impostos, judeus, e os preparou para pregar aos sábios de seu povo. Mas a ordem que deixou era levar a nova doutrina à todas nações. Então, precisava de uma pessoa instruída na sabedoria dos homens para alcançar o mundo todo. Chamou Paulo de Tarso. Cento e vinte anos após a morte de Paulo outro cristão conhecedor dos ensinos dos filósofos gregos foi usado por Jesus para ensinar e defender a fé cristã dos ataques dos sábios romanos. Veja o que Orígenes disse sobre as duas sabedorias (Contra Celso, livro VI p. 13):

“Segundo Platão, existe uma sabedoria divina e uma sabedoria humana. A sabedoria humana, que chamamos ‘sabedoria deste mundo, é loucura diante de Deus’. A sabedoria divina sobrevém por uma graça de Deus que a concede àqueles que se prepararam convenientemente para recebê-la e principalmente àqueles que, reconhecendo a diferença entre uma sabedoria e outra, dizem em suas preces: Por mais perfeito que seja alguém entre os filhos dos homens, se lhe falta a sabedoria que vem de Ti, de nada valerá. Nós afirmamos: a sabedoria humana é apenas um exercício da alma; a divina é seu fim: ela é apresentada como o alimento sólido da alma no texto: ‘Os adultos, porém, que pelo hábito possuem o senso moral exercitado para discernir o bem e o mal, recebem o alimento sólido’”.
Aquele que diz: a Bíblia me basta, não percebe que numa mente mais exercitada pelo estudo, a fé fica mais linda.

“A sabedoria humana forma-se pelos exercícios do corpo, estando, pois, limitada ao horizonte da finitude do saber. Alcançá-la depende do trabalho para se perscrutar as leis da natureza e desvendar os mistérios da ciência. Enquanto saber ascético ou advindo pelos exercícios e localizado no horizonte deste mundo, a sabedoria humana tem fins práticos, que visam superar certas limitações da condição humana e aliviar as dores da existência. Clemente de Alexandria já havia destacado o sentido da sabedoria humana dizendo que é ‘coisa boa em si e necessária’, porém incompleta porque limitada ao território da razão humana. A sabedoria divina, enquanto dom sobrevém da comunhão divina, por isso, mais que um exercício, é um fim em si mesma, pois introduz o sábio no gozo imediato com o doador do saber”.

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