Jesus escolheu homens simples,
pescadores e coletores de impostos, judeus, e os preparou para pregar aos
sábios de seu povo. Mas a ordem que deixou era levar a nova doutrina à todas
nações. Então, precisava de uma pessoa instruída na sabedoria dos homens para
alcançar o mundo todo. Chamou Paulo de Tarso. Cento e vinte anos após a morte de Paulo outro cristão
conhecedor dos ensinos dos filósofos gregos foi usado por Jesus para ensinar e defender a fé cristã dos ataques dos sábios romanos.
Veja o que Orígenes disse sobre as duas sabedorias (Contra Celso, livro VI p.
13):
“Segundo Platão, existe uma
sabedoria divina e uma sabedoria humana. A sabedoria humana, que chamamos ‘sabedoria
deste mundo, é loucura diante de Deus’. A sabedoria divina sobrevém por uma
graça de Deus que a concede àqueles que se prepararam convenientemente para
recebê-la e principalmente àqueles que, reconhecendo a diferença entre uma
sabedoria e outra, dizem em suas preces: Por mais perfeito que seja alguém
entre os filhos dos homens, se lhe falta a sabedoria que vem de Ti, de nada
valerá. Nós afirmamos: a sabedoria humana é apenas um exercício da alma; a
divina é seu fim: ela é apresentada como o alimento sólido da alma no texto: ‘Os
adultos, porém, que pelo hábito possuem o senso moral exercitado para discernir
o bem e o mal, recebem o alimento sólido’”.
Aquele que diz: a Bíblia me basta,
não percebe que numa mente mais exercitada pelo estudo, a fé fica mais linda.
“A sabedoria humana forma-se
pelos exercícios do corpo, estando, pois, limitada ao horizonte da finitude do
saber. Alcançá-la depende do trabalho para se perscrutar as leis da natureza e
desvendar os mistérios da ciência. Enquanto saber ascético ou advindo pelos
exercícios e localizado no horizonte deste mundo, a sabedoria humana tem fins
práticos, que visam superar certas limitações da condição humana e aliviar as
dores da existência. Clemente de Alexandria já havia destacado o sentido da sabedoria
humana dizendo que é ‘coisa boa em si e necessária’, porém incompleta porque
limitada ao território da razão humana. A sabedoria divina, enquanto dom
sobrevém da comunhão divina, por isso, mais que um exercício, é um fim em si
mesma, pois introduz o sábio no gozo imediato com o doador do saber”.


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