quinta-feira, 16 de abril de 2015

Prenda-o e não lhe dê chance de aprender a ser do bem.

Povo fascinante os Vikings, os guerreiros dinamarqueses. Sobre eles estou lendo em O Último Reino, emprestado pelo amigo Luciano Moura. O personagem principal é um menino inglês capturado e criado por um chefe que veio das terras nórdicas. O que o menino pensa nos esclarece muito sobre a diminuição da idade para efeitos penais.
Um menino tem várias influências. Leia o que diz Uhtred (p. 79): “Observe a apenda, dissera meu pai, e eu estava aprendendo. O que mais pode fazer um garoto que ainda não mudou de voz? Só um em cada três homens é um valente e cuidado com os golpes baixos, a traição. Olhe e aprenda, dizia meu pai”. Mas o pai morreu e ele acabou nas mãos de um assassino, que também lhe ensinava. Afinal, o que mais pode fazer um rapaz senão aprender? (p. 70) “O que acontecerá com você será de sua própria responsabilidade. Você vai aprender a usar uma arma e a enfrentar os oponentes e depois usará o que aprender para tornar sua vida boa ou ruim”.

Assim acontece com quem não tem experiência de vida e teve um bom professor marginal e não teve um pai presente e preocupado. Então, o jovem pensa mais ou menos desse jeito (p. 113): “Comecei a pensar que não era bom ficar do lado do bem, porque ele estava perdendo. Por isso decidi ser assassino. Claro que estava confuso, mas não dava para ficar muito tempo pensando nisso. Em vez disso, à medida que me aproximava dos 12 anos, comecei minha luta de verdade. Era obrigado a ficar horas segurando uma arma pesada com as mãos estendidas para a frente do corpo até os braços doerem. Aprendi a atirar e fui treinado para matar. E ainda estou aprendendo a me proteger. Cresci, ganhei músculos e comecei a falar com voz de homem. Era do bem, mas parecia um matador”.
Não queira se defrontar com um menor dividido assim. Com um criminoso profissional talvez você tenha uma chance de ficar vivo, com o adolescente criminoso, jamais. (p.121) “Levamos o roubo para o carro e, naquela noite, enquanto bebia cerveja , pensei em mim como um guerreiro. Tive a infância perfeita, pelo menos na minha ideia de garoto. Vivia no meio de homens de verdade, era livre e vivia solto, não era restringido por nenhuma lei, não era incomodado por padres ou pastores, era encorajado à violência e raramente estava sozinho”.


Trancafie-o aí, neste momento confuso. Puna-o para toda vida e não lhe dê chance de aprender a ser do bem.    

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