Povo fascinante os Vikings, os guerreiros dinamarqueses.
Sobre eles estou lendo em O Último Reino, emprestado pelo amigo Luciano Moura. O
personagem principal é um menino inglês capturado e criado por um chefe que
veio das terras nórdicas. O que o menino pensa nos esclarece muito sobre a
diminuição da idade para efeitos penais.
Um menino tem várias influências. Leia o que diz Uhtred (p.
79): “Observe a apenda, dissera meu pai, e eu estava aprendendo. O que mais
pode fazer um garoto que ainda não mudou de voz? Só um em cada três homens é um
valente e cuidado com os golpes baixos, a traição. Olhe e aprenda, dizia meu
pai”. Mas o pai morreu e ele acabou nas mãos de um assassino, que também lhe
ensinava. Afinal, o que mais pode fazer um rapaz senão aprender? (p. 70) “O que
acontecerá com você será de sua própria responsabilidade. Você vai aprender a
usar uma arma e a enfrentar os oponentes e depois usará o que aprender para
tornar sua vida boa ou ruim”.
Assim acontece com quem não tem experiência de vida e teve
um bom professor marginal e não teve um pai presente e preocupado. Então, o jovem
pensa mais ou menos desse jeito (p. 113): “Comecei a pensar que não era bom
ficar do lado do bem, porque ele estava perdendo. Por isso decidi ser
assassino. Claro que estava confuso, mas não dava para ficar muito tempo
pensando nisso. Em vez disso, à medida que me aproximava dos 12 anos, comecei
minha luta de verdade. Era obrigado a ficar horas segurando uma arma pesada com
as mãos estendidas para a frente do corpo até os braços doerem. Aprendi a
atirar e fui treinado para matar. E ainda estou aprendendo a me proteger.
Cresci, ganhei músculos e comecei a falar com voz de homem. Era do bem, mas
parecia um matador”.
Não queira se defrontar com um menor dividido assim. Com um
criminoso profissional talvez você tenha uma chance de ficar vivo, com o
adolescente criminoso, jamais. (p.121) “Levamos o roubo para o carro e, naquela
noite, enquanto bebia cerveja , pensei em mim como um guerreiro. Tive a
infância perfeita, pelo menos na minha ideia de garoto. Vivia no meio de homens
de verdade, era livre e vivia solto, não era restringido por nenhuma lei, não
era incomodado por padres ou pastores, era encorajado à violência e raramente
estava sozinho”.
Trancafie-o aí, neste momento confuso. Puna-o para toda vida
e não lhe dê chance de aprender a ser do bem.



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