terça-feira, 15 de julho de 2014

É bom lembrar: basta estar vivo para morrer.

“Uma religião como o catolicismo tem a dimensão social como centro e considera que haverá um futuro contínuo tanto para o grupo quanto para os membros de maneira a dar tempo de se corrigir erros. Mas a visão escatológica de Jesus, da iminência do Reino de Deus, era de espécie bem diferente. O futuro para todos os fins e objetivos estava abolido e substituído por uma sensação de urgência”.
- Zé, li e entendi, mas não compreendi.
Escatologia refere-se a um tempo de grandes mudanças, até mesmo do fim de um sistema ou uma era. Numa religião que tenha este entendimento sobre nosso presente tempo “não existe uma segunda oportunidade. Um otimismo tranquilo, a sensação de tempo à vontade, não encontra lugar na iminência da crise e do caos. Um momento de aparente paz é apenas um engodo, o sossego antes da tempestade cair”.
O livro A Religião de Jesus (p.174), de onde tirei estes trechos, lembra que a pregação de Cristo era intensa como a dos novos pastores evangélicos: Arrependei-vos por o Reino está próximo. Porém, passou-se todo primeiro século e o Reino não veio. Pelo ano 60 e.C, Pedro sentou-se para escrever uma carta a ser copiada e lida em todas as congregações cristãs da época (2 Pedro 3:1-4) : “Amados, escrevo-vos agora esta segunda carta, em ambas as quais desperto com exortação o vosso ânimo sincero. Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda?”
O livro acima diz: “A partir daí, com o Dia do Senhor ainda não realizado, as chamas moribundas da espera se apagaram. Na prática a vida voltava ao normal e a religião de Cristo revertia a costumeira e segura realidade social da religião judaica”.
Mas tanto um padre há muito praticando o sacerdócio quanto um jovem e inflamado pastor protestante ainda pedem urgência. Se não for pelo Fim do Mundo que seja pelo vida da vida de cada crente. Pois é bom lembrar: basta estar vivo para morrer.
Dois novos leitores do meu livro, Adão, Feito da Terra: o adv. Ronaldo Alves e a vizinha Terezinha.



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