Quando nasci, andava-se de bonde e o trem ainda era Maria
Fumaça. Durante minha vida, inventaram a TV, aviões supersônicos, computadores
e todo o conhecimento contido na Internet. Então, não é difícil acreditar que
pelo fim da vida de meus netos o homem estará viajando no Tempo. Este é o mote
dos livros Operação Cavalo de Troia. Nele um cientista volta até os dez últimos
dias de Jesus na Terra. Apoiado por mais de cem pergaminhos e códices que falam
daquele ano, 30 e.C, J.J.Benitz faz o personagem assistir a flagelação do Cristo. A descrição é
terrível:
“Dos
legionários tinham-se separado dois, especialmente robustos. Ambos tinham nas
mãos grandes látegos curtos, formados por cabos de couro e metal, com três
correias de quarenta centímetros cada, armadas nas extremidades por pares de
astrágalos, um, e bolinhas de chumbo, o outro. A um sinal do oficial comandante, dois soldados
puseram o Mestre diante de um marco de quarenta centímetros de altura, tiraram o manto púrpura que
Herodes Antipas Lhe prendera ao pescoço e, com violência, O despojaram da túnica.
Com uma completa e absoluta docilidade, Jesus tudo consentia sem reagir. O Seu
corpo começara a suar. Com um puxão, o legionário obrigou-O a inclinar-Se para
o marco de pedra, prendendo a corda na argola metálica que coroava a pequena
coluna. A grande altura do Galileu e o reduzido tamanho do marco obrigaram-no a ficar numa posição muito forçada. O cabelo caíra para
a cara, escondendo as feições completamente. De repente, um dos carrascos
avançou e agarrando a tanga de Jesus arrancou-a com um puxão brusco, deixando-o
inteiramente nu. Num silêncio de expectativa, o legionário mais alto, postado à
direita do Mestre, levantou o seu flagrum de triplo rabo, atirando uma terrível
chicotada às costas de Jesus, ao mesmo tempo que cantava o número do golpe.
- Unus!
A chicotada foi tão brutal que
os joelhos do Rabi vergaram, mas com um movimento reflexo o Galileu voltou a
pôr-se de pé, ao mesmo tempo que o segundo verdugo vibrava novo golpe com o seu
flagrum bífido.
- Duo!
- Três!
- Quattour...
O
entrechocar dos ossinhos e das bolas de metal eram o único som perceptível
durante os primeiros minutos. Jesus, inteiramente curvado, ainda não deixara
escapar um só gemido. Os astrágalos e as peças de chumbo caíam-lhe nas costas,
arrancando de cada vez pedaços de pele. Logo à primeira chicotada vários fios
de sangue tinham começado a correr pelo corpo pingando no pavimento. Pouco a
pouco, a cada silvo do flagrum, os astrágalos e as bolas penetravam na pele,
rasgando os tecidos musculares e arrancando vasos e nervos.
- Triginta!
O Rabi caiu, ficando de joelhos
e com os dedos fortemente agarrados ao aro de metal da coluna. As costas,
ombros e zonas lombares estavam encharcados de sangue, com uma infinidade de
hematomas azulados.
-
Quadraginta!
O corpo do Nazareno não reagiu. O
centurião levantou a sua vara de vide, interrompendo a flagelação. Um dos
suados verdugos aproximou-se do Mestre, puxando-Lhe os cabelos e verificou que
desfalecera. Um dos legionários encheu um balde com a água da fonte,
despejando-o na nuca do Nazareno. Ao contato com o líquido a cabeça de Jesus
moveu-se ligeiramente, enquanto parte do sangue escorria para o chão, arrastado
pela água. Um dos verdugos agarrou-o pelas axilas, puxando-o para cima enquanto
o outro, sem contemplação alguma, Lhe puxava o cabelo e O obrigava a erguer o
rosto.
Um soldado com uma caçarola,
esvaziou-a na boca do Galileu. Ela continha água com sal. O exército romano
conhecia muito bem os graves problemas que podiam vir de um castigo como
aquele. O centurião levantou o seu bastão e os legionários voltaram a empunhar
os flagrum, prosseguindo o castigo.
- Unus!
O
novo golpe e os que se seguiram foram dirigidos especialmente às coxas, pernas,
nádegas, ventre e parte dos braços e peito.
- Decem!
Num esforço titânico para
suportar a dor, Jesus de Nazaré agarrara-se à argola da coluna, levantando o rosto
até onde lhe era possível. Dos músculos do pescoço, tensos como a corda de um
arco, descia um suor frio que escorria sem parar e que esbatia o vermelho-vivo
do sangue.
- Duo-de-viginti!
O
verdugo atirou o látego ao peito do Mestre. Um dos pares de ossinhos deve ter
ferido o mamilo esquerdo de Jesus, e a fortíssima dor provocou um movimento
reflexo. O Gigante levantou-se com todas as Suas forças, lançando um gemido
lancinante. Era o primeiro lamento do Rabi. Os verdugos, sabiam muito bem as
zonas em que podiam bater e aquelas em que não. Nenhuma das costelas ficou fraturada. A precisão das chicotadas, em contrapartida, foram abrindo os
flancos de Jesus até deixar a descoberto as faixas fibrosas, as últimas
proteções das costelas. Jesus teve de aguentar dores difíceis de imaginar.
-
Quadraginta!
A chicotada, que na realidade,
completava os oitenta açoites, caiu num homem praticamente destruído. O Mestre,
com o corpo deformado pelos hematomas e banhado em sangue, há algum tempo mal se mexia. Os Seus lamentos
imperceptíveis já não se ouviam e só ecoava no pátio o estalido dos látegos ao
cravarem-se na carne e a respiração cada vez mais ofegante dos verdugos,
visivelmente esgotados. O Nazareno se enrolara num novelo, com a cabeça e parte
do tórax apoiados nos braços, em posição fetal. As últimas chicotadas, cada vez
mais lentas e espaçadas, dilaceraram-lhe as nádegas, ventre e zonas laterais
das pernas, ferindo, até, as plantas dos pés.
A bexiga
urinária de tal modo devia estar cheia que, involuntariamente, os esfíncteres
dos ureteres se abriram, dando origem a uma micção. Felizmente, a urina - ainda
que extremamente amarela - não trazia sangue. Mas a descarga involuntária da
urina serviu apenas para provocar o riso dos romanos e um ataque muito mais
violento de ira em um dos verdugos que considerou aquilo como um insulto
pessoal. Levantando o látego, apontou-o com raiva para os testículos do Mestre.
Uma das pontas do flagrum tocou na pele do escroto e as outras duas caíram na
bolsa testicular. Reagindo ao golpe dilacerante, Jesus encolheu-se, ao mesmo
tempo em que a pulsação se acelerava e um gemido angustiante ecoava. Imediatamente
o pulso baixou para noventa e o Mestre, empalidecendo, desmaiou”.
Esse
suplício foi por mim e por você. Merecemos?

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