domingo, 11 de janeiro de 2015

Há duas maneiras de estudar o passado.

O filósofo Walter Benjamin (1892-1940), 

mente maravilhosa que percebia o que estávamos vivendo antes de nos darmos conta disso, explicou-as assim: “O passado se apresenta ao historicismo [uma das formas de interpretar o que aconteceu] como uma imagem eterna, por isso, através de uma investigação criteriosa pode ser conhecida integralmente. O historiador deve usar de empatia, capaz de compreender o fato segundo os critérios próprios àquele tempo, procurando resgatá-lo como realmente se deu. O investigador historicista deve despojar-se de todos os conhecimentos do seu momento atual, deve esquecer tudo aquilo que for posterior ao período analisado”.
Parece o certo, não é? Mas Benjamin tinha uma visão diferente: “Essa história que descreve um fato como um espetáculo, é a história contada pelos vencedores. Assim, é a perspectiva dos que venceram que é preservada de geração em geração. O historiador construtivista [a outra forma de estudar o passado] sabe que usar os óculos da pretensa imparcialidade científica significa encobrir os valores da cultura dominante preservada nos documentos deixados pelos vencedores. É preciso buscar os documentos dos que perderam. É trabalhoso na medida em que o número dos documentos deixados pelos vencidos são poucos. Ele precisa descobrir as iniciativas malogradas da construção de um possível futuro. Então, ele nos deixa perceber que o nosso presente poderia ser outro”. São textos de seu livro Tese Sobre o Conceito de História (1940).  

Em meu livro, Adão, Feito da Terra

procurei entender aquele homem não pela visão das religiões, dos que venceram e estão aí, mas pelo olhar dos derrotados, como Adão mesmo foi.  

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