O filósofo Walter
Benjamin (1892-1940),
mente maravilhosa que percebia o que estávamos vivendo
antes de nos darmos conta disso, explicou-as assim: “O passado se apresenta ao
historicismo [uma das formas de interpretar o que aconteceu] como uma imagem
eterna, por isso, através de uma investigação criteriosa pode ser conhecida
integralmente. O historiador deve usar de empatia, capaz de compreender o fato
segundo os critérios próprios àquele tempo, procurando resgatá-lo como
realmente se deu. O investigador historicista deve despojar-se de todos os
conhecimentos do seu momento atual, deve esquecer tudo aquilo que for posterior
ao período analisado”.
Parece o certo, não é? Mas Benjamin tinha uma visão
diferente: “Essa história que descreve um fato como um espetáculo, é a história
contada pelos vencedores. Assim, é a perspectiva dos que venceram que é
preservada de geração em geração. O historiador construtivista [a outra forma
de estudar o passado] sabe que usar os óculos da pretensa imparcialidade
científica significa encobrir os valores da cultura dominante preservada nos
documentos deixados pelos vencedores. É preciso buscar os documentos dos que
perderam. É trabalhoso na medida em que o número dos documentos deixados pelos
vencidos são poucos. Ele precisa descobrir as iniciativas malogradas da
construção de um possível futuro. Então, ele nos deixa perceber que o nosso
presente poderia ser outro”. São textos de seu livro Tese Sobre o Conceito de
História (1940).
Em meu livro, Adão, Feito da Terra,
procurei entender aquele
homem não pela visão das religiões, dos que venceram e estão aí, mas pelo olhar
dos derrotados, como Adão mesmo foi.


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