terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Por uma solidão que sufoca.

Vivemos numa época designada como pós-moderna, e não podemos fazer nada quanto a isso.
Muita calma. O filósofo Walter Benjamin, que estou lendo no livro Sobre o Conceito de História, disse sobre o que se lê nesse tempo:
“A capacidade de contar histórias declinou com as transformações trazidas pela sociedade capitalista. Foi substituída pelo romance e pelo jornalismo. Os jornais cumprem a exigência do público, trazer notícias novas a cada dia [Benjamin não imaginava, mesmo com sua visão antecipadora, que hoje teríamos notícias novas a cada minuto]. O romance acabou com a troca de experiências [a razão que causou o descobrimento da escrita há 6 mil anos e da qual falo no meu livro, Adão, Feito da Terra], veio suprir a necessidade do sujeito moderno de expandir cada vez mais seu espaço interno, esse eu interior hipertrofiado por uma solidão que sufoca. Com a inexistência de uma experiência comum, a história e a memória coletiva desapareceram”.
No Sri Lanka o papa Francisco falou sobre o desafio para os homens modernos tão isolados uns dos outros: “Sobretudo neste momento da história há tantas pessoas de boa vontade que procuram reconstruir os fundamentos morais do conjunto da sociedade. Almejo que o crescente espírito de cooperação entre os líderes das diferentes comunidades religiosas encontre expressão num compromisso que ponha a reconciliação de todos no centro de qualquer esforço para renovar a sociedade e as suas instituições”.
Com outras palavras a jornalista Catalina Botero escreveu numa crônica sobre o massacre do Charlie Hebdo: “Muito se tem dito sobre o fundamentalismo islâmico, no entanto, esse pensamento não liberal e antidemocrático está, lamentavelmente, mais generalizado do que aparenta”.

Então, não podemos embarcar neste modo de vida “com um espaço interior hipertrofiado” e “com um pensamento não liberal e antidemocrático”. 

Sacudamos isso de cima da gente. Como disse o ladrão com um porco nos ombros: tire esse bicho daí!  

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