Vivemos numa
época designada como pós-moderna, e não podemos fazer nada quanto a isso.
Muita calma.
O filósofo Walter Benjamin, que estou lendo no livro Sobre o Conceito de História, disse sobre o que se lê nesse tempo:
“A
capacidade de contar histórias declinou com as transformações trazidas pela
sociedade capitalista. Foi substituída pelo romance e pelo jornalismo. Os
jornais cumprem a exigência do público, trazer notícias novas a cada dia
[Benjamin não imaginava, mesmo com sua visão antecipadora, que hoje teríamos notícias novas a cada minuto]. O romance acabou com a troca de experiências
[a razão que causou o descobrimento da escrita há 6 mil anos e da qual falo no meu livro,
Adão, Feito da Terra], veio suprir a necessidade do sujeito moderno de expandir
cada vez mais seu espaço interno, esse eu interior hipertrofiado por uma
solidão que sufoca. Com a inexistência de uma experiência comum, a história e a
memória coletiva desapareceram”.
No Sri Lanka
o papa Francisco falou sobre o desafio para os homens modernos tão isolados uns
dos outros: “Sobretudo neste momento da história há tantas pessoas de boa
vontade que procuram reconstruir os fundamentos morais do conjunto da
sociedade. Almejo que o crescente espírito de cooperação entre os líderes das
diferentes comunidades religiosas encontre expressão num compromisso que ponha
a reconciliação de todos no centro de qualquer esforço para renovar a sociedade
e as suas instituições”.
Com outras
palavras a jornalista Catalina Botero escreveu numa crônica sobre o massacre do
Charlie Hebdo: “Muito se tem dito sobre o fundamentalismo islâmico, no entanto,
esse pensamento não liberal e antidemocrático está, lamentavelmente, mais
generalizado do que aparenta”.
Então, não
podemos embarcar neste modo de vida “com um espaço interior hipertrofiado” e “com
um pensamento não liberal e antidemocrático”.
Sacudamos isso de cima da gente. Como disse o ladrão com um porco nos ombros: tire esse bicho daí!


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