Desde o
início deste século quantas organizações muçulmanas violentas já vimos? Não dá
para contar nos dedos das duas mãos. A atual é o Estado Islâmico e não vai parar de aparecer novas. O livro Infiéis, o Conflito, que estou terminando de
ler, explica (p.225): “O historiador Alphonse Dupront disse: ‘Quando ouvimos as
palavras “cruzada” ou “jihad” algo nos perturba, um medo que está vivo e é real’.
Podemos determinar os meios pelos quais esses temores e esse ódio foram
produzidos em nós. São dois tipos de opinião: existente, que está presente em
nós desde antes de acontecer grandes conflitos; e a criada, formada quando de
um grande ataque, pela exploração da mídia e pela propaganda política”.
Não devemos
nos iludir, nunca haverá paz no Oriente Próximo. Como uma fagulha incendeia um
capinzal seco, uma palavra tem um efeito terrível no meio daquela gente
(p.239): “Falar em guerra santa se tornou um meio de rápida mobilização, livre
do domínio da lei. Falar em ‘cruzada’ ou ‘jihad’ faz vibrar um forte
sentimento, um irresistível chamado às armas. O geógrafo Cyril Graham quando
esteve no Líbano viu e contou: ‘Senti que estava no meio de algum extraordinário
frenesi de sangue, do qual toda a normalidade de desvanecera. Agora, os árabes
falam com grande insolência e gabam-se do número de cristãos que mataram. Estão
revertendo a seus antigos costumes”. Esse pintura de Eugène Delacroix, Massacre em Quios (1824), mostra como a luta entre árabes e cristãos e judeus já dura séculos.
Lembra-se do
mês de junho que passou, do delírio e do desvario que tomou conta dos
brasileiros durante os jogos da Copa do Mundo? Lá naquelas terras de além Mediterrâneo,
essa euforia se transforma em desejo de matar.


Nenhum comentário:
Postar um comentário