terça-feira, 23 de setembro de 2014

Lá, essa euforia se transforma em desejo de matar.

Desde o início deste século quantas organizações muçulmanas violentas já vimos? Não dá para contar nos dedos das duas mãos. A atual é o Estado Islâmico e não vai parar de aparecer novas. O livro Infiéis, o Conflito, que estou terminando de ler, explica (p.225): “O historiador Alphonse Dupront disse: ‘Quando ouvimos as palavras “cruzada” ou “jihad” algo nos perturba, um medo que está vivo e é real’. Podemos determinar os meios pelos quais esses temores e esse ódio foram produzidos em nós. São dois tipos de opinião: existente, que está presente em nós desde antes de acontecer grandes conflitos; e a criada, formada quando de um grande ataque, pela exploração da mídia e pela propaganda política”.
Não devemos nos iludir, nunca haverá paz no Oriente Próximo. Como uma fagulha incendeia um capinzal seco, uma palavra tem um efeito terrível no meio daquela gente (p.239): “Falar em guerra santa se tornou um meio de rápida mobilização, livre do domínio da lei. Falar em ‘cruzada’ ou ‘jihad’ faz vibrar um forte sentimento, um irresistível chamado às armas. O geógrafo Cyril Graham quando esteve no Líbano viu e contou: ‘Senti que estava no meio de algum extraordinário frenesi de sangue, do qual toda a normalidade de desvanecera. Agora, os árabes falam com grande insolência e gabam-se do número de cristãos que mataram. Estão revertendo a seus antigos costumes”. Esse pintura de Eugène Delacroix, Massacre em Quios (1824), mostra como a luta entre árabes e cristãos e judeus já dura séculos.


Lembra-se do mês de junho que passou, do delírio e do desvario que tomou conta dos brasileiros durante os jogos da Copa do Mundo? Lá naquelas terras de além Mediterrâneo, essa euforia se transforma em desejo de matar.     

Nenhum comentário: