Um bom aluno de História, mesmo depois de anos, ainda lembra
dos reis católicos espanhóis Fernando e Isabel. Mas talvez só recorde que eles
ajudaram Cristóvão Colombo a montar sua expedição marítima que descobriu a
América. Mas o livro Infiéis faz uma revelação.
Os árabes invadiram a Espanha em 711 com grande facilidade e
por 700 anos edificaram cidades e edifícios belíssimos. Mas aos poucos os
espanhóis católicos foram tomando suas cidades até que no reinado de Fernando e
Isabel só Granada continuava como cidade muçulmana. Um convívio pacífico por
mais de sete séculos terminou com rancor de ambos os lados. Tanto os cristãos
quanto os muçulmanos referiam-se ao outros como porcos ou cães. O livro diz
(p.130): “Bestializar qualquer ser humano, dar-lhe caráter de animal o torna
desprezado, ao mesmo tempo em que humaniza quem acusa. Os cristãos tinham a
concepção de que os judeus e os islamitas traziam uma mácula genética e jamais
poderiam possuir a verdadeira fé católica”. Começou uma guerra contra Granada que durou 10
anos com a vitória dos católicos que já possuíam artilharia. “Na grande torre
de vigia foi erguido uma grande cruz de prata e o povo gritou: São Tiago, São
Tiago [padroeiro de Espanha] e Viva Castela do rei Fernando e da rainha Isabel.
Os soberanos ajoelharam-se e todo exército seguiu-lhes o exemplo”.
Pintura de Francisco Pradilla y Ortiz, Rendição de Granada com Fernando de vermelho e Isabel no cavalo branco.
Depois disso
eles emitiram decretos proibindo o culto muçulmano e exigindo que se
convertessem ou que abandonassem tudo que tinham e voltassem para a África.
Todo essa convicção contra os árabes e judeus, nós
brasileiros, descendentes dos portugueses que foram antigos espanhóis,
herdamos. Não são estranhos os pré-conceitos que temos contra esses povos.







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