domingo, 7 de setembro de 2014

Não modificou minha maneira de ver a família de José.

Um amigo me disse, falando sobre meu livro Adão, feito da Terra: “Essa é sua maneira de relacionar o que conta a História com o que a Bíblia diz”. Cada obra literária é isso, a visão do autor sobre um assunto. Assim, quando comecei a ler Zelota, como um caçador seguindo a presa, procurei a maneira de entender Jesus, do autor, o iraquiano Reza Aslan, formado em Havard. Na p. 13, lá estava: “Tornou-se muito real para mim, Jesus como um camponês judeu e revolucionário que desafiou o governo do mais poderoso império da época”. Não é minha maneira de “ver” Jesus, mas continuei a ler. Foi na p. 51 que Aslan, usando seu conhecimento histórico da Galileia do tempo de Jesus, disse: “A antiga Nazaré repousa sobre um cume irregular de um morro. No início de nossa Era Cristã não era habitada por mais do que cem famílias. Era uma pequena aldeia de camponeses em sua maioria analfabetos e agricultores, um lugar que não existia em nenhum mapa”. 

Até aí, tudo bem, mas na p. 59 ele dá uma estocada na fé da gente: “Em Nazaré havia pouco para um carpinteiro fazer. Rara encomenda de uma mesa, algum banco ou um mobiliário simples”. Fiquei chocado! Isto colocava aquela pequena família, José, Maria e Jesus, numa condição de extrema pobreza! E é isto que o escritor Aslan queria me enfiar na cabeça e no coração! Mas, na p. 63 ele faz outra revelação que pretende confirmar sua opinião sobre o nosso Nazareno, mas que teve efeito contrário. “Nazaré estava a uma curta caminhada de uma das maiores e mais ricas cidades da Palestina, Séforis, capital da Galileia. Rica, cosmopolita e influenciada pela cultura grega, as famílias de judeus de Séforis eram o resultado do governo modernizador de Herodes”.
Tenho dois amigos que me contam da vida de sua família num sítio próximo de Miraí. O pai, ‘seu’ Álvaro, era um excelente marceneiro que mesmo com um maquinário feito por ele mesmo fazia cadeiras com encosto curvo, móveis com belos detalhes e um sem número de produtos de madeira. ‘Seu’ Álvaro não fazia as caprichosas obras de marcenaria para os habitantes de seu distrito, do tamanho da antiga Nazaré, mas para Miraí, Leopoldina e outras cidades grandes. Com seu trabalho sustentava e educava seus vários filhos.

Portanto, o livro Zelota não modificou minha maneira de ver a família de José. Ele foi um ótimo profissional que ensinou sua arte a seu filho adotivo e dava a esposa uma vida condizente com a condição de descendentes do rei Davi que eram.   

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