Dentro de
nós existe uma imensa biblioteca de lembranças e vivências. O livro Amor e
Trevas, do israelense Amos Óz, desvenda um pouco dessas riquezas represadas na
gente. Na tese de mestrado sobre esse livro, a professora Luciana Salviano Brandão
Lopes,
comenta (p.61): “Há uma diferença fundamental entre esquecer para
lembrar, e esquecer de lembrar. No entanto, nas duas ‘é colocado em questão o
papel desempenhado pela memória, pela lembrança que conduz quem lembra à edificação
de um monumento de si’. A memória, nesse caso, atuaria como duplo do eu e
imporia ao sujeito que lembra a falsa consciência da sua plenitude e autonomia,
‘condenando-o a refazer o tecido de sua história sempre com os mesmos fios de um
único e imutável trançado o qual, por não conter os fios que o Outro tece, é
irremediavelmente alienante’. Por outro lado, no caso da memória operadora da
diferença, o processo é de descobrimento, desconstrução, desterritorialização,
processo produtivo que ‘tece com as ideias e imagens do presente a experiência
do passado’”.
- Zé, com
franqueza, não entendi nada.
Primeiro: ‘a
memória conduz quem lembra à edificação de um monumento de si’. O homem pós
moderno é instado a toda hora a viver seu presente e esquecer o passado,
especialmente quando foi mau. Mas para a “edificação de um monumento de si
mesmo”, é preciso visitar a grande biblioteca da memória. Não para “ refazer o
tecido de sua história sempre com os mesmos fios de um único e imutável
trançado”, o que nos condenaria a reviver um pesadelo, mas usar a memória como “um
processo de descobrimento, de desconstrução, num processo produtivo”. Arranjemos
espaço em nossa vida para revisitar o passado e aprender com ele.
Vou mostrar os novos amigos que adquiriram meu livro Adão, Feito da Terra: João, o engenheiro; Anísio da auto-escola; Hudson, o ciclista; e Rodrigo da autoShow.

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