domingo, 27 de dezembro de 2015

“Acompanhe-me em meu raciocínio”, diria Bussunda.

Uma galáxia tem milhões, não, vamos falar mais impactante, tem duas mil vezes quarenta e cinco mil estrelas que, eventualmente, terão cinco ou sete planetas em volta. Quem pensa Deus do tamanho da gente, diz: deve ter vida em milhares de planetas, alguns com civilizações mais desenvolvidas que a nossa. 

Agora, olhe esta foto, são as galáxias NGC 3808A (à direita) e a NGC 3808B, elas estão se fundindo a 75.000 anos-luz de nós. Sóis esbarrarão em outros sóis, planetas se chocarão com planetas e estrelas, será o caos. Pense então: se tem gente lá, o fim do mundo estará chegando para eles.
Então, vamos falar um pouquinho sobre vida. “A concepção vitalista já existia na antiguidade, em Aristóteles e Pitágoras: a vida é uma força sem igual. No século XVIII o desenvolvimento da ciência tornou os sábios mais materialistas, mas a vida continuava a ser um mistério porventura maior que antes. Entre as propriedades dos corpos vivos e as dos corpos inorgânicos há uma diferença fundamental, o princípio vital, espécie de fluido imaterial de força misteriosa”.
Tome como exemplo uma ameba, um organismo vivo unicelular. No laboratório o bioquímico vai encontrar em sua composição: 85% de água, proteínas, açúcares, aminoácidos, RNA, nucleotídeos isolados e íons inorgânicos. Dá para fazer um fluido igualzinho, mas esse material não terá vida, não conseguirá fazer uma fagocitose, isto é, absorver um lixinho que aparece boiando à sua volta.

Cada vez me convenço mais que a grande verdade é que vida num planeta todo feito de material inorgânico só surgiu na Terra. E tem um propósito para isso. 

sábado, 26 de dezembro de 2015

Quando você for julgar alguma coisa...

Quando você for julgar é bom que tenha um conhecimento bem abalizado da matéria para não cometer injustiça.
Os fundadores das congregações protestantes, especialmente as que surgiram no século XVIII, eram tentados a chamar a Igreja Católica de a Grande Babilônia, e uma das razões é que o catolicismo se apropriou de datas pagãs transformando-as em festividades cristãs. O livro Colunas Vivas de São Pedro informa muito sobre isto (p. 199): “O papa estabeleceu, conforme os decretos dos santos pais, que o jejum de março fosse sempre celebrado na primeira semana da quaresma e o jejum de junho na semana de Pentecoste”. Veja bem, a Igreja Romana é Católica, o que significa dizer Universal, e à época tinha como objetivo servir aos francos, aos anglos, aos germânicos e à outros povos. “O tempo é, em todos estes casos, um referencial padronizado a ser adotado por diferentes populações, uma coordenada comportamental à qual deveriam se conformar os homens e as mulheres de diversas partes da Cristandade”. Mas havia um problemão. “Na época em que estas decisões conciliares foram tomadas, a heterogeneidade dos calendários era atordoante. Às vezes, bastava ir de uma cidade para outra na Itália para encontrar-se em um novo ano. No dia 25 de março enquanto os pisanos comemoravam o início de 1100 os florentinos saudaram a chegada de 1101, enquanto em França os parisienses permaneciam em 1099”.

Viu o tamanho do problema da Igreja de Cristo que precisava apascentar gentes de todas as nações? “Esquivando-se destes riscos, o papado empregou um tempo menos dúbio. Os meses destacados na liturgia correspondiam aos pontos de alternância das estações e ao calendário agrícola. Desde o século IV, o Concílio de Nicéia (325) recomendava que a páscoa fosse assinalada pelo equinócio vernal que dava início a um novo ciclo de cultivo. No século VI a Sé de Roma tornou prática para os cristãos a preparação para a Páscoa estendendo-se por sete domingos, era a Quaresma. O jejum da Quaresma não era um sacrifício já que nesta época do ano os celeiros estavam vazios e a fome se avizinhava”.

Jesus havia dito (Mateus 24: 45): “Quem é realmente o escravo fiel e prudente, a quem o seu Senhor encarregou dos seus domésticos, para lhes dar o alimento no tempo apropriado? Feliz aquele escravo se o seu Senhor, quando vier, o encontrar fazendo isso! Digo a verdade a vocês: Ele o encarregará de todos os seus bens”. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O Grito da Independência por quem estava lá.

Solenemente o amigo Ademar Valim me estendeu um envelope branco tamanho A4 e disse circunspecto: "O historiador Beckmann Pithany garimpando livros raros em cebos no Rio de Janeiro encontrou uma carta de Joaquim José de Souza Breves, o Rei do Café. Como sei de seu prazer em estudar a História tirei cópia e passo às suas mãos. Mande-me sua impressão".
Ontem mesmo, depois do belo e forte pedal, sentei lendo e saboreando as palavras: “Ele assistiu o Grito da Independência e dos presentes foi o último a falecer”, afirma Beckmann. Falava de Joaquim José, homem de nossa região e, há época, um dos homens mais ricos do Brasil: era dono de “inúmeras fazendas onde empregava mais de seis mil escravos, do porto e armazém-depósito em Mangaratiba [quando se desce àquele trecho do litoral sul-fluminense passamos por essas ruínas] 

e de muitos imóveis no Rio de Janeiro, sendo o mais precioso uma chácara em frente ao Jardim Botânico”.
Mas lendo as 11 páginas minha imaginação se deteve em Joaquim José com 18 anos. Agora é o historiador José Adal que conta. [Joaquim José aos 38 anos e já Comendador da Imperial Ordem da Rosa]

Uma carta havia preparado José de Souza Breves, seu pai, para recepcionar o príncipe regente D. Pedro de Alcânta que passaria pela pacata cidade de São João Marcos em caminho de São Paulo. A carta incluía também um convite para o jovem Joaquim José se incorporar a comitiva. ‘Seu’ José Breves reuniu a família e anunciou as novidades, incumbindo ‘dona’ Maria Pimenta de Almeida Breves, sua esposa, dos preparativos para receber as dezoito pessoas e de encomendar ao alfaiate um uniforme de gala para o rapaz.
D. Pedro saí do Rio de Janeiro – situação que havia sido planejada por seu ministro José Bonifácio de Andrade e Silva junto com a arquiduquesa e princesa Dona Leopoldina – onde ficavam todas as instituições portuguesas e centenas de luzitanos funcionários da Coroa de Portugal. Corria a notícia de que o reino europeu teria enviado uma carta exigindo a volta do príncipe Pedro de Alcântara à Portugal. Decidiu-se a viagem do jovem príncipe à São Paulo para que não estivesse no Rio quando a carta chegasse e os oficiais portugueses obrigassem o príncipe a embarcar de volta à Europa. A esposa e o ministro fizeram ver à Pedro que estava na hora de uma temerária tomada de decisão: ou voltava a ser o Brasil uma imensa colônia do pequeno Portugal, ou se separava dele e seguia seu destino de imensa nação. José Bonifácio era paulista e na cidade de Piratininga havia só um governo provinciano e uma tropa. De muito os paulistas eram maioria na colônia portuguesa.
Em 23 de agosto de 1822 a comitiva deixa a capital como se estivesse indo apenas numa visita pouco oficial do príncipe à cidades da província de São Paulo. Passam por Itaguaí e seguem beirando a encosta da serra do Mar. Em Mangaratiba sobem a serra. Consta que não iam à cavalo já que a subida íngreme em trilha dificultosa era mais apropriada para mulas. Do alto da serra do Piloto, apreciando a beleza do mar, os subalternos dão de beber aos animais numa fonte que ficou conhecida como Bebedouro do cavalo de D. Pedro. 

A viagem continuou no meio da densa mata Atlântica com inúmeros córregos cortando o caminho. Sobre um riacho mais forte os cavaleiros passaram sobre a ponte Bela.
[não é certo afirmar que as pessoas na foto fossem lusitanos da comitiva de D. Pedro]

A chegada à São João Marcos foi festiva com os sinos da igreja badalando alegremente. O povo do lugarejo cercou seu príncipe que era aclamado, tocado e olhado com devoção. 
[pessoas menos sérias afirmaram que na foto no portal da igreja de S. João Marcos aparecem D. Pedro e seu amigo Chalaça, mera especulação] 

Entraram na casa de José Breves que disse ao príncipe: Esteja em vossa casa, Alteza. Não eram meras palavras, pois onde o príncipe entrava o local ficava sendo conhecido para sempre como onde ele pisou. O jovem Joaquim José lhe foi apresentado e Pedro lhe disse: "Deste momento em diante vosmecê é meu guarda de honra e coloco minha vida sob vossa proteção". O rapaz não cabia em si de emoção.

Dia seguinte a comitiva deixou a cidade pelo caminho recoberto de pedras e sombreado pela mata milenar. Pernoitaram em Pouso Seco – é preciso descobrir onde ficaram -, passaram por Bananal, voltando a pernoitar em São José do Barreiro. Beckmann, conta: “Quando D. Pedro penetrou o território paulista, todas as cidades do chamado Vale do Paraíba, a partir de Bananal, o esperava com luzidas representações de cavaleiros da melhor nobreza do lugar, que o festejavam como ‘futuro Imperador do Brasil’ e o acompanhavam como grupos de guerra”. Era isto que José Bonifácio havia planejado secretamente enviando cartas a cada comarca paulista, que Pedro fosse ganhando confiança de que a tomada de posição não era uma usurpação, era vontade do povo. 
O rapaz de São João Marcos estava entre os que cercaram o príncipe na hora do grito. Do próprio punho, em 15 de maio de 1842, o Comendador Joaquim José assim descreveu a cena à D. Pedro II: "De repente sua Alteza gritou: 'Laços fora, soldados! Estão rompidas nossas relações com Portugal e nada temos a temer! Então, toda guarda de Honra foi tirando dos chapéus os laços azul e branco, símbolo da união entre Brasil e Portugal. Jogaram-nos ao chão, pisoteando sobre eles e gritando: Viva a Independência do Brasil! Todos os presentes, aproximando-se de sua Alteza, lhe cumprimentaram por seu gesto decisivo. Foi aí então, que ali no meio da estrada, desembainhando a espada, sendo seguido por todos os militares, e com os músculos rígidos, a espada levantada, bradou com todas as suas forças: Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, eu proclamo agora Independência do Brasil!"
[não se deu bem assim, como Pedro Américo pintou numa tela de 7,60mx4,15m, em Florença, onde fez seus estudos entre 1886-1888, pagos por D. Pedro II]
  
A tudo isto o jovem Joaquim José assistiu, essa experiência se incorporou à sua vida... tudo porque não ficou em casa sentado, mas saiu pelas estradas com a comitiva.
Um bom 2016 para todos nós, saindo de casa e andando pelas trilhas deste mundo que Deus nos deu.              

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Ele quer que odiemos nossos vizinhos árabes.

Uma crônica sobre o livro Terrorismo e Martírio, de Gilles Keppel, nos alerta: “Abou Moussab Al-Souri prega a resistência islâmica mundial 

e idealizou o Estado Islâmico atuando em dois níveis: no mundo virtual, usando as mídias sociais, e no mundo real, na guerra na Síria. Através do Facebook, You Tube e Twitter eles cooptam jovens para matar em suas próprias cidades, ou recrutam soldados para enviar à Síria e Iraque. Textos de doutrina sobre escolha de alvos e os métodos, são enviados pelas redes sociais e os jovens têm autonomia para escolher onde atacar”.
Lili me perguntou mais de uma vez: Mas onde fica o Estado Islâmico? Disse-lhe que os líderes se escondem em algum buraco, talvez bem próximo de onde foi o Jardim do Éden – local que identifico em meu livro Adão, Feito da Terra. Mas esse estudioso diz que esse exército é diferente, seus pequenos pelotões estão em toda parte: “a guerra virtual, através das novas tecnologias digitais continuará sendo desenvolvida em diversos locais por células autônomas”.

Mas o que este exército do Mal quer? “O Estado Islâmico provoca o Ocidente para que a reação da sociedade também seja radical e favoreça o surgimento de uma islamofobia que fará com que os árabes e descendentes passem a ser maltratados e tenham que escolher o seu lado do conflito. Será difícil vencer com bombas uma guerra ideológica que oferece para os jovens uma situação real que se parece em tudo com os joguinhos eletrônicos de realidade virtual que estão acostumados a jogar”.
E a opção não é nos afastarmos da adoração à Deus por causa desses doidos.   

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Angústia: o medo de ter uma severa perda.

Soren Kierkegaard nasceu em Copenhague, em 1813, 

no tempo que Napoleão levava a ferro e fogo a ideologia da Revolução Francesa aos outros povos da Europa. Formou-se em Teologia e Filosofia e se tornou um dos grandes pensadores da história humana. Na monografia de Pedro C.F. Santos ele comenta o livro Conceito de Angustia: “Ele filosofa a partir do mito da queda de Adão e Eva. Kierkegaard ensina que eles começaram a existir quando foram colocados diante da possibilidade de escolher. A existência humana implica decisão, escolha, não eram mais determinados pela natureza, como os antigos hominídeos. Enquanto viviam no paraíso eles não conheciam a angústia. Assim, é a partir da queda que essa emoção instaura sua morada na existência, torna-se presente no ser humano e o homem será desde então um ser angustiado”.

Hoje estamos cercados pela obrigação de fazer muitas decisões, a cada instante. Por melhor que sejamos centrados não conseguimos ficar livres da angústia. Ela nos atinge quando ficamos preocupados com a correção de uma decisão que tomamos. Nenhum de nós vive mais num Paraíso onde havia uma só questão pendente, e como o casal vivia bem daquela maneira um outro modo de existência, na verdade, nem era uma questão a ser pensada. Quando eles passaram a imaginar como seria o outro jeito de viver e isto começou a ganhar importância em suas vidas obrigando-os a tomar uma decisão, aí Adão e Eva, como eu e você, passamos a sentir angústia: o medo de escolher errado, de ter uma severa perda.    

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Era quase tão difícil quanto a gente se livrar de Eduardo Cunha.

Colunas Vivas de São Pedro, é o livro e tese de doutorado, do jovem professor brasileiro, Leandro Duarte Rust.

Nele estou aprendendo sobre o panorama da Europa e da Igreja Católica logo após o ano 1000. “Aqueles eram tempos difíceis”. O professor respeita as posições da cúria, mas não entra no essencial: acreditar que a Igreja ainda estava sobre a supervisão de Jesus, o Deus Filho.
Mateus 16:15-19: Ele lhes perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “O senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivente.”  Jesus lhe disse então: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas, porque isso não lhe foi revelado por homens, mas pelo meu Pai, que está nos céus.  Também, eu lhe digo: Você é Pedro, e sobre esta rocha construirei a minha congregação, e os portões da Sepultura não a vencerão. Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que você amarrar na terra, já terá sido amarrado nos céus, e tudo o que você soltar na terra, já terá sido solto nos céus.”
O papa Nicolau II publicou a decretal, Em Nome do Senhor: “No ano de 1059 de sua Encarnação, perante os santos evangelhos decretamos: Quando o bispo desta Igreja Romana Universal vier a falecer, os cardeais bispos decidam entre si e com a aprovação do povo a eleição do papa, evitando assim que a triste moléstia da venalidade não tenha oportunidade de se perpetuar”.
O contato estreito entre o bispo principal e os imperadores vinha desde Constantino e se intensificou durante e após o reino de Carlos Magno. Chegou ao ponto do papa ser escolhido pelo imperador. O escolhido não deixava de ser um cristão muito dedicado, mas então o Espírito Santo tinha de usar o imperador para designar quem Deus queria na direção da Igreja. Mas no princípio não foi assim. Os bispos impuseram as mãos sobre o sucessor de Pedro.
Esta situação também facilitava o “tráfico de simonismo, até ao ponto em que a coluna do Deus Vivo parecia vacilar”. Simonismo é um termo que vem de um homem chamado Simão que quis comprar de Pedro o poder de curar. Alguns maus cristãos pagaram propina para serem eleitos bispos e era um custo para a Igreja se livrar dessas pragas. Quase tão difícil quanto a gente se livrar de Eduardo Cunha, hoje.