quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Está pronto para combate-los?

O historiador Kennett Roberts contou, no livro Cara ou Coroa (p.66) que a guerra da Independência dos EEUU aconteceu num clima muito semelhante ao nosso, o Brasil de hoje:
“- Que indivíduos repugnantes? – diz um personagem jovem
- Não sei de lugar com maior número de corruptos do que este. Vinham nos engabelando e alardeando respeito ao governo e lealdade absoluta a mãe-pátria. Agora arrancaram a máscara da hipocrisia e ficamos sabendo que só sabem defender os seus interesses. Eles nos roubarão tudo – governo, leis, propriedade e a liberdade de pensamento e expressão”.
Então, menciona dois proeminentes defensores da independência, Sam Adams e John Hancock, e mostra que em cargos públicos deram “sumiço” a milhares de libras. E com certeza, com a emancipação da Inglaterra, tendo batalhado firmemente para isso, obteriam postos públicos ainda mais importantes e teriam chance de roubar muito mais.

Sai um governo, entra outro, e será sempre assim, mais e mais roubos? O personagem mais velho pergunta:
Está pronto para combate-los?

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

RECONSTRUINDO COM POUCA SEMELHANÇA.

Reconstrução, essa palavra parece descrever o trabalho de fazer algo voltar a forma que possuía. Mas em História não é assim. Vamos deixar o filósofo Paul Ricoeur explicar (Tempo e Narrativa p. 255): “Uma vez que queremos marcar a diferença entre ficção e história, sempre invocamos a ideia de alguma correspondência entre a narrativa do historiador e do que realmente aconteceu”.
Mas é impossível repetir exatamente o que aconteceu. Citar documentos da época ou o testemunho de quem lá viveu ou que ouviu de quem assistiu, não consegue reconstruir igual. “Estamos bem conscientes de que qualquer reconstrução é uma construção diferente do curso dos acontecimentos relatados”.
Assim, quando estudei livros e livros para compor uma história de Adão e Eva dei um duro tremendo para conciliar o que a Bíblia conta com o que a Arqueologia e a Paleontologia tem descoberto sobre o local e o tempo em que o casal viveu. 

“Se a História é uma construção, o historiador, por instinto, gostaria que ela fosse uma perfeita reconstrução. Parece mesmo que isto faz parte das obrigações impostas ao bom historiador. Coloque ele o seu trabalho sob o signo da amizade ou sob o da curiosidade, ele é movido pelo desejo de fazer justiça ao passado”.

Então, o filósofo diz algo majestoso: “A relação do historiador com o passado é, primeiro, a de uma dívida não paga em que ele representa a todos nós, os leitores”.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

FORMANDO UMA PERSONALIDADE FORTE

Veja que bela frase: O tempo narrado é como uma ponte lançada sobre uma grande brecha. – O filósofo Paul Ricoeur em Tempo e Narrativa.
Quando, depois de recolher muito material, comecei a narrar a história de Adão ao mesmo tempo que narrava a busca arqueológica de algum documento que o nomeasse, lancei uma ponte entre um homem que viveu há 6.000 anos e nós.

O pensador nos revela uma coisa importante, tomando como exemplo o Israel bíblico (P.2470): “ao contar narrativas tidas como testemunho dos acontecimentos fundadores de sua própria história, Israel se tornou esta nação que se perpetua. A relação é circular: a comunidade histórica que se chamava povo judeu tirou sua identidade dos textos que ela mesmo produziu”.
Quando se escreve sobre o passado, edificamos nossa personalidade tanto como indivíduo como parte de uma comunidade com fortes características próprias. Se não houvesse pesquisadores e escritores a cultura de um povo, qual uma árvore, não teria raízes, nem caule, nem galhos. Nós, hoje, seríamos folhas soltas que nem saberiam dizer de que árvore são.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

UM RELÓGIO MUITO LOUCO

Vamos levando a vida, vendo comportamentos mudando e atitudes surgindo, e aceitamos tudo sem uma interrogação. Por exemplo, por que o tempo parece estar passando mais rápido?
No livro Tempo e Narrativa, do filósofo Paul Ricoeur, li esta explicação (p. 367): “Quanto a marcha rumo ao progresso, já quase não acreditamos nela. A crença de que o tempo para dias melhores estava diminuindo – com os desastres recentes, desordens civis, novas doenças e corrupção crescente – caiu em descrença. Não vemos recuar para um futuro cada vez mais distante e incerto a realização de nosso sonho de uma humanidade reconciliada? A Época Moderna se caracteriza por um encolhimento do espaço de experiência, que faz com que o passado pareça-nos cada vez mais distante, mas também por um afastamento crescente do horizonte de expectativa. A esperança de nossos antecessores de que marchávamos para a realização da utopia (algo ainda sem um lugar) nós a perdemos. Resta-nos hoje a ucronia (algo sem tempo certo) já que o horizonte de expectativa recua mais rápido do que avançamos. Ora, quando a expectativa já não pode ser fixada num futuro determinado, balizado por etapas discerníveis, o próprio presente se vê dividido entre um passado superado e um futuro indiscernível. Isto tudo torna o presente cindido e o sentimos como em crise”.
Trocado em miúdos: o homem jovem tem pouca experiência porque não estudou bem o passado e ficou sem um futuro discernível; isto cria um relógio muito louco.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

ADIVINHA DE QUEM FALAVAM.

O livro Eu, Claudius o Imperador, de Robert Graves conta sobre uma profecia da sibila Trasyllas; é Calígula falando da avó Lívia, mulher de Augusto (p.272):
- “Metera-se-lhe no bestunto que um deus há mil anos referido em todas as profecias do Oriente, nasceria no tempo dela. Ele não nasceria em Roma, mas reinaria sobre nós. Deveria ser morto ainda jovem - após ter sido amado e odiado pelo seu povo - de morte miserável e abandonado por todos, mas causaria inumeráveis guerras entre as nações. Como toda profecia esta é cheia de presságios misteriosos. Diz que seus seguidores beberão seu sangue e depois de morto será maior que todos os deuses, mesmo em terras ainda desconhecidas para nós.
- E o senhor acredita nisso?
- Sim! Meus astrólogos dizem que muitos presságios vistos no Oriente dão conta de que esse homem já está vivo! Também tenho ouvido muito sobre isso de meus funcionários judeus. Creio em tudo isto e sei com certeza que se referem a mim”.
Calígula teve uma vida breve e governou boa parte do mundo por quatro anos. Nasceu em 12 d.C e morreu em 41 d.C. O jovem rei profetizado não foi ele, logicamente.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

UM HERÓI BRASILEIRO - coisa rara de se ver.

O século XIX caminhava rápido para seu término, quando no acender as luzes de 1896, 1º de janeiro, nasce mais um mineirinho que recebeu o nome antigo de Fulgêncio. As mulheres de Januária, cidadezinha de Minas Gerais, foram visitar o pequeno e gabavam a belezura de menino. Diz um ditado que no nascimento a emoção que governa é a esperança, pois não se sabe em que vai dar aquela criaturinha. Mas criado numa família com disciplina férrea o garoto só deu alegria aos pais. Contava 16 anos quando passou nos exames para a Polícia Militar e se destacou pela disciplina e serenidade. Chegou a tenente-coronel, e foi com esta patente que ele enfrentou seu maior desafio, comandar o 7º Batalhão da Força Pública de Minas Gerais na luta contra os irmãos brasileiros paulistas, era a Revolução de 1932. Sob seu comando estava um jovem de 29 anos, capitão médico, que atendia pelo nome de Juscelino Kubitschek de Oliveira. A história é assim, cheia de encontros improváveis.
Uma explicação: Na eleição para presidente da República, em 1929, Getúlio Vargas foi derrotado pelo candidato de São Paulo, Júlio Prestes. Mas alguns governadores apoiaram um golpe militar para tirar o presidente que terminava o mandato, Washington Luiz, e colocar Getúlio no poder. Minas apoiou este golpe contra a Constituição. Os paulistas se revoltaram.
Uma luta encarniçada se deu no alto da serra da Mantiqueira com a cidade de Cruzeiro lá embaixo. No túnel ferroviário centenas de soldados de ambos os lados morreram em combate. 

Na fuzilaria intermitente o jovem tenente-coronel de 35 anos foi atingido por uma bala de fúsil e veio a falecer. A estação ferroviária na entrada da Garganta do Embaú foi batizada Estação Coronel Fulgêncio.

Em 26 de setembro de 1986 foi criada a Medalha de Mérito Coronel Fulgêncio de Souza Santos. Este heroico brasileiro foi escolhido neste ano, 2016, como o benemérito dos aguerridos ciclistas Caçadores de Cachoeiras. 

domingo, 26 de junho de 2016

Seu despertar com o céu carregado de estrelas.

Quando me debrucei sobre o desafio de procurar o Adão bíblico, deparei com o problema do afastamento dele no tempo. Quanto mais no passado mais complicada é a recuperação dos acontecimentos. Cerquei-me de livros de Arqueologia, estudos da Pré-História, Filosofia e Teologia. Tudo o que lia juntava ao meu arquivo mental com dezenas de anos de estudar e ensinar.
Leio agora em Tempo e Narrativa, de Paul Ricoeur, a constatação (p. 317): “O imaginário cresce à medida que a aproximação se torna maior”. Não é difícil pegar um livro de Arqueologia e citar como era a religião no Norte do Iraque há 6 mil anos. Mas se o escritor se aproxima mais da cena, vendo Adão bem de perto, por exemplo, seu despertar numa madrugada com o céu carregado de estrelas, não há fontes científicas para te ajudar, resta a imaginação. “Tomemos a tese mais realista sobre a descrição do passado histórico: é preciso reinscrever o tempo da narrativa no tempo do universo. A história contada precisa submeter-se a cronologia da história do Sistema Solar e das galáxias e do ser humano”. E como se faz isso? “Não nos esqueçamos de que o abismo entre tempo do mundo e tempo vivido na narrativa só é atravessado graças à construção de alguns conectores. Um deles é inserir informações sobre o movimento da sombra projetada pelo personagem o que define o momento do dia e a estação do ano”.


Escrever um romance e ainda por cima histórico não é tarefa fácil. 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Posso interessá-lo por uma informação que você normalmente não usa?

Vou tentar porque lhe ajudará quando for ler seja o que for: uma apostila de um curso, uma notícia de jornal ou um livro técnico ou romântico.
Estou estudando o livro Tempo e Narrativa do filósofo Paul Ricoeur ,que ensina (p.290): “O autor que mais respeita seu leitor não é o que o gratifica ao mais baixo custo e só atinge seu leitor se compartilhar com ele um repertório familiar”.
Uma leitura que não tenha nada de novo para o leitor é uma perda de tempo. Tem que se puxar pelo raciocínio ou se empurrar para reflexão a mente assediada de bobagens e ideias repetidas. Tudo muito familiar.
“Por outro lado, o autor que pratica uma estratégia de desfamiliarização estimula uma leitura ativa, uma leitura que permita dizer: algo se passa nesse jogo, o que vou ganhar é proporcional ao que vou perder. A balança desse ganho e dessa perda é desconhecida do leitor”.
Num livro bom se aprende novos
insights, mas com certeza deixamos pelo caminho ideias pré-concebidas.
“Na realidade, é a pós-leitura que decide se a estase de desorientação gerou uma dinâmica de uma reorientação”.
Se um livro te faz parar e reler de novo o parágrafo é sinal de que ele mexeu com velhos conceitos que carregava.
No meu livro Adão, Feito da Terra, meu leitor acompanha o desespero de um jovem líder religioso perseguido por fanáticos da velha religião. Então, deixou-o estirado no chão e quem lê pergunta: morreu? está só ferido? Então dou um salto no tempo e no espaço e a pessoa com meu livro aberto nas mãos descobre que aquele moço idealista é o próprio...

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A pretexto de que nossa situação financeira é de completa ruína.

Existe a teoria de que a História se repete. Li uma comprovação disso no livro A Primeira República, de Edgard Carone. Neste livro o historiador comenta pouco e transcreve documentos, mensagens, decretos e decisões políticas emitidas pelos próprios. Assim, na p. 21 o presidente da República e militar, Manoel Deodoro da Fonseca, fala da situação do Brasil em seu governo: “A pretexto de que nossa situação financeira é de completa ruína e de que colossal déficit se verifica entre receita e despesa, a Câmara elegendo para a mesa administrativa e suas comissões quase unanimidade de adversários irreconciliáveis do governo desorganizou o país”.

O Brasil mais uma vez sofrendo com um mau governo. Então, o legislativo se mobilizou para derrubar o primeiro presidente da República. “Quando a 15 de novembro de 1889 me coube a honra de assumir o governo, em virtude da proclamação solene do Exército e da Armada como altos depositários da vontade nacional, meu primeiro cuidado foi organizar a administração interna”.
Mas foi um fracasso, milico é milico, político e político. O legislativo, com a missão de Constituinte começou a incomodar o mandatário: “À Constituinte pareceu querer concentrar em suas mãos a faculdade, que lhe era estranha, de governar o país. Assisti impassível à longa gestação dessa obra inçada de perigos que se amontoavam à proporção que ideias reacionárias e desrespeito às tradições nacionais iam penetrando nesse organismo público”.
Deodoro só faltou gritar: Não ao golpe! Mas naquele tempo, as instituições frágeis com a mudança de governo do reinado para a República, não teve como suportar o rancor do presidente e este mandou fechar a câmara. Se Dilma pudesse faria o mesmo, mas hoje são outros os tempos.
Isso ficou conhecido na História como Golpe de Estado de 3 de novembro de 1891. Mas agir contrário a lei nunca dá certo e Deodoro sofreu tantas pressões que vinte dias depois deixou o governo para seu vice. E Dilma também vai deixar o governo para seu vice.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Não passe adiante uma notícia sem verificar sua veracidade.

“Na noção de documento, hoje, já não se dá ênfase à função de garantia, mas sim de apoio a uma história, uma narrativa. O papel de garantia constituiu prova material, evidência de acontecimentos. Se a história é uma narrativa verdadeira os documentos constituíam seu último meio de prova”.
- Por que o documento não serve mais como prova?
Por muitas razões: ele pode ter sido “plantado” para nos dar uma falsa informação e pode ser tendencioso, isto é, ter sido produzido por pessoas interessadas em fazer valer uma situação que não aconteceu.
Assim, quando pesquisei e escrevi o livro Adão, Feito da Terra, tive o cuidado de agir como o autor das primeiras frases, o filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005) aconselhou (Tempo e Narrativa p. 197):

 “Qualquer rastro deixado pelo passado se torna um documento para o historiador, desde que ele saiba interrogar seus vestígios e questioná-los. O que guia o interrogatório do pesquisador é a própria temática escolhida por ele”.

Então, seja um historiador ou seja um simples cidadão, na procura de informações não aceite de saída um documento como verdadeiro, cheque por outras fontes para ver se é verdade e não passe adiante uma notícia sem verificar sua veracidade.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Para que não te metas aos poucos em maiores dificuldades.

“Em minha opinião, a maioria das pessoas chegou a conclusão de que todos os políticos são corruptos”. 

Esta frase foi dita por um personagem do livro Colapso, de Arthur Hailey e é o que eu e você pensamos, não é? Ele comenta mais chegando a uma conclusão a que também cheguei:
“Sendo assim, o cidadão comum se pergunta: porque deveria me castigar sendo honesto? Acredito também, vendo os políticos tirando proveito do prestígio político, que eles são responsáveis pela explosão do crime em todos os níveis, do banditismo organizado aos pequenos furtos.”
Isso sempre me faz lembrar do Evangelho (Lucas 17:1): “Jesus disse aos seus discípulos: Sempre vão acontecer coisas que fazem com que as pessoas caiam em pecado, mas ai do culpado! Seria melhor para essa pessoa que ela fosse jogada no mar com uma grande pedra de moinho amarrada no pescoço do que fazer com que um destes pequeninos peque.”
Ontem à noite, meditando na leitura de Imitação de Cristo li:
“É muito custoso contrariar a própria vontade.
Mas se não vences obstáculos pequenos e fáceis como triunfarás dos maiores?

Resiste no princípio à tua inclinação e rompe com o mau costume, para que não te metas pouco a pouco em maiores dificuldades.”

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O tempo vai tornando o delito mais grave.

Em meu livro Nasce a Cidade da Curva do Rio, digo na capa final: “O tempo tem o poder de apagar o que fizemos”. Mas o livro Colunas Vivas de São Pedro diz diferente. Citando o cânone 3 do III Concílio de Latrão: 

“Aqueles que são suspeitos de heresia devem ser declarados anátemas, deverá evitar-se o trato com eles, e se permanecerem assim durante o período de um ano, sejam condenados como hereges”. O livro explica: “Não era preciso que o suspeito de heresia incorresse em algum novo delito ou sequer que uma prova irrefutável surgisse, bastava que o tempo decorresse”. Mas como, com o passar do tempo a culpa não diminui? Não para a Igreja: “O passar dos anos, longe de diminuir o pecado o aumenta. A falta torna-se mais grave quanto mais tempo a alma desgraçada fica retida pelo pecado”.

Então, ambas declarações são verdadeiras: o tempo nos faz esquecer um delito, mas em nós o tempo vai tornando o delito mais grave.  

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Decisões que tomamos facilitam ou complicam a vida.

Quando a notícia acabou de correr mundo, sendo ouvida até nos rincões mais distantes, muito parecido com as ondas de choque da explosão atômica que se espalharam por quilômetros, um escritor alemão sentou e começou a escrever o livro Ainda Resta uma Esperança, que acabei de ler pela segunda vez. Na p. 193 tem esta conversa escrita por J. M. Simmel:

“- A vítima mais importante da bomba atômica, meu querido amigo, não foram os 300.000 japoneses. A maior vítima foi a guerra.
- Não entendo.
- Não quero dizer que eu ache que não vá haver mais conflitos. Não quero dizer que as classes sociais a partir de agora vão viver sem desavenças ou que os soldados vão poder se dedicar aos esportes.
- Sempre haverá guerra.
- Certo, mas não outra guerra mundial. Se nações resolvessem investir umas contra as outras com bombas atômicas, em poucos minutos cidades e multidões desapareceriam sob a forma de leve bruma.
- Pode ser, mais os militares continuarão sem bom senso e os políticos quando assumem o poder perdem o pouco que tem. As pessoas que decidem sobre nossos destinos não são normais. No meio da sociedade existe monstro desumanizados, eles não conseguem mais pensar em termos humanos e não tem condições de avaliar o alcance e as consequências de seus atos. Pode ser que não haja mais uma guerra mundial, mas haverá atentados e muitas mortes. Porque o que é e sempre será horrível não é a bomba, é o homem! Os homens são ruins.
- Não, os homens são bons. Acho que de uma forma muito misteriosa, mas cada vez com mais clareza e com mais frequência o bem está vencendo o mal. Creio firmemente que depende exclusivamente de nós vivermos em paz e sermos felizes”.

Cada decisão que tomamos facilitam ou complicam a vida da gente.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Quer poder humano maior que esse?

Houve dois papas governando a Igreja ao mesmo tempo.
Não estou falando de hoje quando temos o Papa Francisco em governo e o papa Bento XVI em repouso. Aliás, na história da Igreja Católica Romana houve diversas ocasiões em que dois papas dividiam a governança. O livro Colunas Vivas de São Pedro, descrevendo as decisões dos concílios entre os anos 1.000 e 1.200, fala de diversos casos assim. Naqueles séculos a Europa tinha um Império, o Romano Germânico, e pequenos reinos. Por diversas vezes, por discordar do Papa, o imperador do momento escolhia um outro e impunha que bispados o aceitassem. O povo, vivendo oprimido pelos senhores feudais aceitava o Papa imposto pelo imperador, mas oravam para que Deus Pai e Jesus, o verdadeiro Senhor da Igreja, colocassem ordem em Sua Casa.

Os Papas que não foram escolhidos pelo Espírito Santo não duravam e o Sucessor de Pedro continuava sua linhagem pela fé. “A Autoritas apostólica consistia num fenômeno social fundamentalmente inconsciente. A razão que fazia os papas atraírem para si colaboradores e vassalos em altas posições políticas e senhoriais, vinha de sua autoridade moral e espiritual de chefe da Cristandade. Veja este caso: O prior de Saint-Martin-des-Champes relutou em aceitar a doação de um sanguinário Senhor feudal, mas o cardeal Pierleoni disse-lhe: ‘Pela autoridade da Sé Apostólica que me foi entregue absolvo-o de qualquer temor de consciência’”.

A Igreja tinha o poder de perdoar e acalmar consciências, quer poder humano maior que esse?    

domingo, 3 de janeiro de 2016

Num dogma acredita quem quiser.

Desde que me entendo como gente gosto de ler e passei a vida tentando convencer à todos, começando por minha mulher e meus filhos, que ler é muito bom.
A leitura nos faz refletir... e é aí que mora o perigo. 
Estou na página 277 do Livro Negro da Psicanálise e um dos autores diz: “Freud e outros bons analistas, reconhecem que as provas que podem apresentar para confirmar a veracidade da psique não constituem a base de suas convicções”. Quer dizer: acreditam no valor da análise para ajudar uma pessoa e ponto.
Diz mais: “O sucesso terapêutico não pode conferir veracidade às teses da psicanálise, assim como as curas de Lourdes não podem confirmar nem refutar a doutrina da Imaculada Conceição”. A gente acredita ou não.

Desde tempos imemoriais alguns homens tiveram ideias, ou revelações. Muitos morreram acreditando sozinho no que “viram”, mas outros encontraram seguidores. E aí, pode-se ‘esfregar na cara’ dele que está vivendo um erro que ele não aceita rever seu ponto de vista. Uma Testemunha de Jeová entende que dar uma transfusão de sangue no filho seria condená-lo a morte eterna por Jeová. E não adianta argumentar com ela, sua razão diz que está certa e acabou. Pode-se mostrar a um PTista como seu partido quase acaba com o Brasil e ele vai te 'jogar no colo' muitos benefícios que esta diretriz política deu ao país.

Anotei na página do livro: “Uma força emana de uma ideia, esta se torna convicção e finalmente um dogma. Acredita quem quiser”.    

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Por que os alemães apoiaram o nazismo?

Por mais que se estude fica sempre uma lacuna, algo que não ficou claro em nossa mente.
Estou aprendendo muito com o livro Colunas Vivas de São Pedro, um estudo detalhado de Roma no século XII. Com ele estou completando pedaços da história que não entendia. Como, porque apareceram antipapas naquele tempo. Um bispo que se deixa ou trabalha para ser eleito papa por uma facção católica enquanto o papa eleito está vivo, é um antipapa. E houve vários entre 1050 e 1180, por que? O que favoreceu o protestantismo na Alemanha no século XV, e o que uma coisa tem a ver com a outra?

De 1084 a 1105 Henrique IV foi imperador da Alemanha, mas neste tempo seus domínios estendiam-se por toda Europa e chamava-se Sacro Império Romano Germânico. Nada tendo a ver com o Império Romano que se esfacelou no século IV. Para dominar tão vasto território Henrique exigiu o direito de investir como bispos cristãos que fossem leais ao seu governo, algumas vezes mais do que à fé cristã. O papa Gregório VII negou autorização e como o imperador teimasse o excomungou. Num mundo cristão, com o povo indo à igreja cada semana, ter um governo condenado pela Igreja era insustentável. Henrique pediu perdão, foi aceito de volta à Igreja e fez pior, levou um bispo a ser escolhido papa. Os cristãos do lugar em que residia o falso papado conseguiram destituí-lo, mas o imperador escolhia outro em novo local. Assim, o papa Pascoal II, escreveu (p. 205): “Por rasgar a túnica de Cristo, isto é, devastar a igreja com pilhagens e incêndios o rei Henrique IV é excomungado e condenado por desobediência. Nós o entregamos ao perpétuo anátema em nosso último sínodo com o julgamento de toda igreja”.
O Império balançava e um filho do imperador se revolta, forma um exército e vence o pai tornando-se Henrique V e prometendo ser um cristão fiel à Igreja Católica Romana. O papa o apoia: “Pascoal, bispo, servo dos servos de Deus a Henrique, caríssimo filho em Cristo e, pela graça do Deus onipotente, augusto imperador dos romanos, saudações e benção apostólica... Vossos predecessores, de fato, tanto engrandeceram as igrejas de seu reino como buscaram dar segurança, protegendo os bispos e abades [menos o pai dele, é claro]. Eis porque o zelo de tua prudência e poder deve elevar-se vigilante para que seja conservada a grandeza da Igreja Romana”. Mas este novo imperador acabou por prender o papa, por interesses de propriedades.

Assim essa disputa entre o governo germânico e a Igreja causou a eleição de antipapas como plantou em mentes e corações alemães uma cultura que resultou no apoio ao sacerdote cismático, Lutero, no século XV, e o surgimento do nazismo e de Hitler, no século XX.