quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O mais valioso de todos os presentes

No tempo de São João Damasceno os muçulmanos dominavam o Oriente Próximo. Sua família era árabe, mas todos convertidos ao cristianismo. Nasceu no ano 675, em Damasco. 

Aos trinta anos abandonou as comodidades da casa paterna e ingressou num mosteiro no deserto da Judeia, próximo de Jerusalém. Ordenado presbítero foi designado como pregador nas igrejas da Cidade Santa, principalmente na do Santo Sepulcro. Suas homilias eram cheias de sabedoria revelando aos cristãos atentos pormenores bíblicos que lhes enchia o coração de alegria. Estou lendo no livro, No Coração da Igreja, do professor Felipe Aquino, alguns de seus sermões. Naquela época os cristãos já veneravam intensamente a virgem mãe de Jesus. Ele leu um texto do profeta Isaías, que muito falou da vinda do Messias. As palavras parecem falar do povo de Israel, mas Damasceno mostrou que a profecia tinha dois comprimentos, o outro era revelando como seria o nascimento da virgem Maria (Isa.54:1):
“Jerusalém, você nunca teve filhos,
nunca sentiu dores de parto,
mas agora cante e grite de alegria,
pois o Senhor diz:
‘A mulher abandonada terá mais filhos
do que a que mora com o marido’.
Aumente a sua barraca,
torne ainda maior o lugar onde você mora
e não faça economia nisso.
Encompride as cordas da barraca e pregue bem as estacas.
Pois você vai estender as suas fronteiras para todos os lados;
o seu povo será novamente dono
das regiões que os seus inimigos conquistaram,
e cidades desertas ficarão cheias de gente”.
O presbítero leu aí o seguinte: “Que feliz casal são vocês, Joaquim e Ana que passou quase toda vida sem ter filhos. A vós toda criação se sente devedora. Pois foi por vosso intermédio que uma criatura pode oferecer ao Criador o mais valioso de todos os presentes, isto é, uma jovem pura, a única pessoa digna do Senhor Deus gerar nela seu Filho

Felizes sois, Ana e Joaquim, por terdes estabelecido um modo de viver agradável a Deus. Na vossa casta e santa convivência educaste a pérola da virgindade. Aquela que, de maneira única, conservaria sempre a virgindade tanto em seu corpo como em  seu coração. Por teres levado uma vida piedosa gerastes uma filha que é superior aos anjos e agora é rainha das cortes angélicas”.

Feliz 2015 com muita fé e saúde.   

sábado, 27 de dezembro de 2014

Vamos ver se você é bom de sabedoria.

Qual a diferença entre saber-como e saber-que? Michael Polanyi, cientista inglês (1891-1976), para explicar essa diferença usou a imagem de andar de bicicleta. 

Ah, agora chamei atenção dos amigos ciclistas que leem pouco. Saber-como é o conhecimento teórico. Então, com algumas fórmulas de Física incompreensíveis para mim se compreende como é que um cara fica sobre duas rodas e não cai nem para um lado nem para o outro – há os que caem para frente numa capotagem digna de uma boa rizada. Já o saber-que é o entendimento que se tem andando na bike. É a percepção da inclinação que se precisa dar para entrar naquela curva na velocidade em que estamos sem sair pelo mato a fora.
https://www.youtube.com/watch?v=6mJUrhAy8lE 
Descobri isto tudo procurando saber o que é epistemologia, palavrão que li logo no princípio do livro A Revelação Cristã do Logos. Essa difícil palavra nomeia a filosofia que procura compreender, entender e perceber antes de saber. É mais emoção e sentimento enquanto a sabedoria comum é mais racional. Como diz o rei Pelé: entendeu? 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Como dizem os jovens: tudo junto e misturado.

Quando se está lendo dois livros, fatalmente eles se entrelaçam. Certos trechos tratam do mesmo assunto. Desta vez o objeto da atenção foi Deus.
Em O Senhor Smith, o personagem diz p.256: “Se eu aceitasse Deus como um pai benevolente, às vezes colérico, distribuindo favores e castigos, talvez tivesse simplificado minha vida. Devo dizer que acredito em Deus como uma força que arrancou do caos um universo. Se ele é uma poderosa coleção de leis e impessoal, ou se é Jeová, zeloso e protetor, vingativo e terrível, não sei dizer”. Com certeza tem aí a maneira de pensar do autor, o norte-americano Louis Bromfield (1896-1956).

Em No Coração da Igreja, no capítulo que fala dos sermões de São Bernardo, francês e franciscano (1090-1153), 

diz que ele ensinou p.218: “’O Verbo era Deus’, mas os homens não sabiam como Ele é e como pensa. Então, fabricavam ídolos conforme seus próprios corações. Pois Ele era incompreensível e inteiramente impensável. Por isso, Deus desceu a Terra, porque queria ser compreendido e ter seu pensamento exposto a nós. Mas de que modo fez isso?, perguntas. Ele se fez conhecido deitado no presépio, no colo da Virgem, pregando incansavelmente aos homens, reclinado em oração, pendente na cruz e pálido na morte, mas também mostrando aos apóstolos as marcas dos cravos e subindo ao céu”.

O que fazer? Como um leitor que lê num livro uma coisa e em outro algo diferente, deve pensar? Como dizem os jovens de hoje: tudo junto e misturado.  

Paz, isto jamais acontecerá!

“Há uma impressão chocante, de algo que acabou não sendo executado, na morte de um jovem” – p.227 do livro Sr. Smith.
O personagem está numa ilha do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, e diz isso olhando um jovem japonês morto. Um soldado, vendo a mesma cena, não se aguenta e diz:
“Somos é uns estúpidos muito desengraçados! Precisava aparecer alguém que dissesse, com autoridade: Parem com isso! Pelo seu próprio bem e pelo desgraçado bem do resto do mundo, pare com isso!”
Foi o que senti, uma noite, ao sair de uma reunião no Voldac e ver um rapaz morto na calçada. Ali era outra guerra, a guerra das drogas. Meu sentimento foi o mesmo do soldado: Isso precisa parar! Quem pode dizer a cada jovem do mundo?: resolva seus problemas por outro meio que não seja as drogas!
O oficial volta a falar: “Que aconteceria se todos os jovens do globo se levantassem e dissessem: Já estamos fartos de morrermos cedo. Não acompanharemos mais essa desgraçada tolice. Queremos viver em paz, estudando, trabalhando, criando outros jovens e construindo”.


Depois da 2ª Grande Guerra, uma geração de jovens decidiu protestar contra outras guerras. Foram os hippies e os pacifistas. Mas foi ali também que eles iniciaram a grande guerra suja dos tóxicos. Detesto pensar assim, mas às vezes parece que a conclusão do capitão é a mais plausível: Viver em Paz, isto jamais acontecerá!     

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Andar de bicicleta lá é um perigo.

 “Na véspera já havia tirado a bicicleta do depósito. Havia dois meses que não andava nela. Teve de encher os pneus, engraxar a corrente e limpar a poeira. Ao montar nela e percorrer as ruas nas primeiras horas daquela manhã tão clara, Assaf estava feliz, assobiando e cantando, soltando a voz. Dinka trotava ao seu lado, corria na frente e voltava, lançando a Assaf olhares cheios de perguntas. Ela se afastava, chegava a desaparecer por um momento atrás de um carro estacionado, mas voltava logo. Ele deixou que ela o conduzisse”.

Esta narração está na p. 118 do livro Alguém para Correr Comigo, de David Grossman. Fala de um rapaz israelense andando em sua bicicleta com sua cadela ao lado andando por ruas de Jerusalém.
“Pedalava e assobiava, vendo como estava treinada a correr ao lado da bicicleta. Seguia-a pelas ruas preguiçosas, ainda despertando, entre caixas de leite e jornais dobrados sobre o passeio esperando o jornaleiro, e entre os jatos de água dos comerciantes lavando a calçada na frente das lojas. Aos poucos ela o foi conduzindo rumo à saída de Jerusalém. Corria ao seu lado, num leve galope, com visível prazer, saltando das patas traseiras para as dianteiras, lembrando um cavalinho de carrossel num parque de diversões; mas, mudou subitamente de direção”.
Neste ponto da história ele faz a descrição de como funciona o olfato do cão.
“Assaf percebeu como a coisa acontecia: seu nariz captava uma partícula de informação entre os milhares de cheiros e lembranças que preenchiam o espaço. Aparentemente, um deles transmitia algo com mais intensidade que os outros. Ela parava, voltava ao local onde sentira o cheiro, ficava parada farejando, interpretava o sentido e então, com toda a força, se lançava no novo caminho. Era um lugar ermo, sem casas e Dinka estava um pouco menos segura de si. Corria para frente e voltava, percorrendo grandes círculos a esmo, com hesitação. Às vezes parava e farejava ansiosamente nas quatro direções, sem conseguir tomar uma decisão. Em certo ponto a trilha estava bloqueada por um monte de pedras. Assaf escondeu a bicicleta atrás de um arbusto, subiu nas pedras e atravessou um pequeno descampado onde o mato estava alto e Dinka era apenas um risco móvel dividindo o mato em dois. Então, o descampado chegou ao fim, e Assaf se viu diante de um aglomerado de casas. Ruínas”.

Quando se pega uma trilha nova, em que nunca passamos, temos essas surpresas, mas como o jovem ciclista está nos arredores de Jerusalém ruínas tanto podem ser muito antigas, até dos tempos bíblicos, ou recentes.
“Caminhou pela aldeia fantasma na ponta dos pés, numa leve demonstração de respeito. Aqui já viveram pessoas, palestinos, pensou. Aqui, nesta mesma trilha, andavam e falavam, e seus filhos brincavam e corriam, e não imaginavam que algum dia teriam de sair daqui. Assaf sempre tivera o cuidado de não se aprofundar muito no assunto, talvez porque toda vez que abordava temas políticos começava a ouvir dentro de sua cabeça as intermináveis discussões entre judeus liberais e tradicionais. Os primeiros argumentam entre os dentes que toda aldeia abandonada como essa era uma ferida aberta no coração da sociedade israelense. ‘Tomamos as casas e terras dos palestinos’, e os outros replicavam que ‘se tivesse sido o contrário, a casa dele é que estaria assim, o que preferia?’”

É por isto que aquela terra está sempre em guerra e andar de bicicleta lá é um perigo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Você é gente ou é um rato?

Concordo com tudo isso escrito no livro Sr. Smith – uma maneira de dizer que é uma pessoa comum, um Silva qualquer – p. 50: “O que me parece terrível é haver em nosso mundo moderno tão pequeno espaço para pensar. Uma das razões disto é que os desprovidos de mente se multiplicam mais depressa que os que param pra refletir. Quem não pensa, não se dá a consideração sobre sua própria pessoa, nem sobre seu ambiente mutante, sua fé ou o universo. Ficam ouvindo o rádio [olha que no tempo que esse livro foi escrito o rádio era uma peça grande na sala onde a família se reunia para ouvir, ao anoitecer; imagine o autor vivendo hoje e vendo todo mundo com fone de ouvidos escutando música?!], apenas um ruído para encher o vazio da mente”.
Pensar, pegar um objeto – pode ser um problema da firma ou da família, uma lei que o governo tenta passar no Congresso, um dogma religioso, um fato histórico, etc – e examiná-lo detidamente com os olhos da mente, é atividade mais importante do ser inteligente. O livro repreende: “Somos escravos do rádio, dos automóveis e dos telefones. Largamos tudo para atender um chamado, como se fôssemos ser punidos com tortura se o deixarmos tocar até cansar”.

Tem aquela antiga pergunta: Somos gente ou rato?
Esta pintura do amigo Ney Tecídio é um exemplo de quem pensa e cria.

sábado, 29 de novembro de 2014

Como você compreende, “vê”, Deus?

Para você ele é concentrador, isto é, busca tudo para si, ou é dispersador, delegador de funções, permitindo que cada ser busque o melhor para si mesmo. 
Se você entende Deus como o grande agrupador, seu conceito é criacionista, quer dizer, seu entendimento é de que Deus fez cada ser vivo: a barata, o leão, a formiga e o elefante, a baleia e o sabiá. Mas se para você Deus é profundamente liberal, dispensador de liberdade de escolha de seus seres, sua tendência é evolucionista, quer dizer Deus usou leis naturais para que a vida tomasse inúmeras formas.
Acabei de ler um artigo Diversidade dos Seres. Conta que homens muito antigos já quedavam meditando na origem da vida em nosso planeta. Diz o artigo que o primeiro que se conhece foi um filósofo grego, Anaximandro (610-546 a.C - no tempo contado de trás para frente, uma convenção para estudar os acontecimentos antes de Cristo vir a Terra, ele viveu 64 anos, entende?), que escreveu Sobre a Natureza, um estudo de biologia em forma de poesia. Dizia ele que “Organismos, como plantas e animais, começaram a aparecer da lama, e os primeiros animais foram os peixes, dos quais os humanos emergiram”. Não gostou dessa explicação? Os cientistas de hoje dizem que ela é falsa, mas tem um tiquinho de verdade. 
Outro pensador foi Carlos Lineu (1707-1778): “Ele criou o sistema de dois nomes latinos usados até hoje para identificar os seres vivos. Para explicar a diversidade da vida, ele sugeriu que em algum momento Deus criou em uma enorme montanha em uma ilha no equador, com diferentes biomas ao longo de suas encostas, todos os organismos vivos exatamente como os vemos hoje. Quando as águas baixaram, os animais se deslocaram para todos os lugares”. É mais ou menos como teria acontecido depois - e no que muitos creem - no dilúvio global. 
Outro, muito conhecido, Charles Darwin 

em A Origem das Espécies, "publicada em 1859, propõe uma explicação para a origem da diversidade da vida através dos mecanismos de seleção natural de características que tornam um animal mais apto a sobreviver, processo que com o tempo dá origem a novas espécies e que ficou conhecido como a Teoria da Evolução Darwiniana”. Para Darwin, Deus criou seres elementares que geraram toda diversidade que existe agora. 
Hoje, os cientista trabalhando com moléculas, genes, átomos e subpartículas, pensam, como Motoo Kimura, que “ao mesmo tempo que um animal está adaptado a algum nicho ecológico através da seleção natural, existem mutações dentro da população ou mesmo do indivíduo que causam variedades e outras que não tem valor adaptativo imediato, mas como também não atrapalham continuam presentes na população até acontecer alguma mudança no planeta que causa a deriva genética”.

Como cito no meu livro, Adão, Feito da Terra, quando há muitos milênios Deus decidiu criar a vida neste planeta Ele disse (Gênesis 1:24) : “Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie e se multipliquem sobre a Terra; e assim foi”. Então, para mim, nosso Criador é Dispersador.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A sabedoria humana é um exercício da alma.

Jesus escolheu homens simples, pescadores e coletores de impostos, judeus, e os preparou para pregar aos sábios de seu povo. Mas a ordem que deixou era levar a nova doutrina à todas nações. Então, precisava de uma pessoa instruída na sabedoria dos homens para alcançar o mundo todo. Chamou Paulo de Tarso. Cento e vinte anos após a morte de Paulo outro cristão conhecedor dos ensinos dos filósofos gregos foi usado por Jesus para ensinar e defender a fé cristã dos ataques dos sábios romanos. Veja o que Orígenes disse sobre as duas sabedorias (Contra Celso, livro VI p. 13):

“Segundo Platão, existe uma sabedoria divina e uma sabedoria humana. A sabedoria humana, que chamamos ‘sabedoria deste mundo, é loucura diante de Deus’. A sabedoria divina sobrevém por uma graça de Deus que a concede àqueles que se prepararam convenientemente para recebê-la e principalmente àqueles que, reconhecendo a diferença entre uma sabedoria e outra, dizem em suas preces: Por mais perfeito que seja alguém entre os filhos dos homens, se lhe falta a sabedoria que vem de Ti, de nada valerá. Nós afirmamos: a sabedoria humana é apenas um exercício da alma; a divina é seu fim: ela é apresentada como o alimento sólido da alma no texto: ‘Os adultos, porém, que pelo hábito possuem o senso moral exercitado para discernir o bem e o mal, recebem o alimento sólido’”.
Aquele que diz: a Bíblia me basta, não percebe que numa mente mais exercitada pelo estudo, a fé fica mais linda.

“A sabedoria humana forma-se pelos exercícios do corpo, estando, pois, limitada ao horizonte da finitude do saber. Alcançá-la depende do trabalho para se perscrutar as leis da natureza e desvendar os mistérios da ciência. Enquanto saber ascético ou advindo pelos exercícios e localizado no horizonte deste mundo, a sabedoria humana tem fins práticos, que visam superar certas limitações da condição humana e aliviar as dores da existência. Clemente de Alexandria já havia destacado o sentido da sabedoria humana dizendo que é ‘coisa boa em si e necessária’, porém incompleta porque limitada ao território da razão humana. A sabedoria divina, enquanto dom sobrevém da comunhão divina, por isso, mais que um exercício, é um fim em si mesma, pois introduz o sábio no gozo imediato com o doador do saber”.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Não imagine que o Filho saiu de Deus

No meu livro Adão, Feito da Terra, cito a passagem da Bíblia onde Deus anuncia seu plano de fazer o homem: “Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco”. Isto foi muitos milênios antes de Adão e Eva. Observe que Ele fala no plural, "vamos fazer".
Milhares de anos depois, um escritor registrou o que era o pensamento dos cristãos lá pelo ano 110 d.C (João 1:1-3): “Antes de ser criado o mundo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e era Deus. Assim, desde o princípio a Palavra estava com Deus. Deus fez todas as coisas por meio dele e nada do que existe foi feito sem ele”. Este era com quem Deus falava.
E então, lá pelo ano 200 d.C, o filósofo Orígenes explicou esta intricada relação do Pai com o Filho:
“O Unigênito, nosso Salvador, único engendrado pelo Pai, é filho por natureza e não por adoção. Ele é nascido da própria inteligência do Pai, pois a natureza divina não é divisível, para que nós não imaginemos que o Filho é procriado por uma divisão ou uma diminuição da substância do Pai. Mas, que ele é inteligência, coração e pensamento de Deus; esse Logos permanece no seio do Pai, anuncia Deus que ninguém jamais viu, e revela o Pai, que pessoa alguma conhece, senão ele próprio, e aqueles a quem o envia o Pai celeste”.
Não imagine que o Filho saiu de Deus, “a natureza divina não é divisível”. Nem pense que o “Filho é procriado por uma divisão ou uma diminuição da substância do Pai”. Não são dois deuses, pois “esse Logos permanece no seio do Pai”. Mas Orígenes vai mais longe:
“Ele desceu sobre a terra por piedade, ele pacientemente sentiu nossa paixão antes de sofrer a cruz e de dignar-se assumir nossa carne; pois se ele não tivesse sofrido, não teria partilhado a vida humana. E o próprio Pai, Deus do universo, pleno de indulgência, de misericórdia e de piedade, se põe em uma condição compatível com a grandeza de sua natureza e leva sobre si as paixões humanas”.
Prestou atenção neste pensamento: “O próprio Pai, Deus do universo leva sobre si as paixões humanas”.

Deu para entender?

sábado, 8 de novembro de 2014

Ele pode caber numa célula.

Conjunto de Cantor. 
- Zé, acho que faltou colocar um artigo: conjunto de um cantor.
Não posso dizer que não tenha a ver com música, mas é matemática. Cantor é  o matemático russo Georg Ferdinand Ludwig Philipp Cantor. 

Ele descobriu um conjunto de espaços, tempos, números formados por intervalos, e muito mais. A fórmula é esotérica, pelo menos para mim.
C1/3 = n = 1An
O que me fascina é que esse fractal é descrito como sendo fechado. É um sistema com as seguintes propriedades.
É infinito abarcando tudo.
Não tem medida, é uma amplidão sem espaço.
Essa descoberta de Cantor tem aplicações muito avançadas, mas não conheço nenhuma.
Ou melhor, ela pode ser uma descrição matemática do Criador de tudo.
Deus pode estar abraçado a você, mas você não pode penetrá-lo. Nada em sua criação pode fazer parte dEle.
É infinito, pois se você pensar na galáxia mais distante, uma que se demoraria 14 bilhões de anos para chegar lá, Deus é muito maior que esta extensão.
E o mais incrível, não se pode medir o Pai do Mundo e Ele pode caber numa célula.

Me desculpe se estou errado.
Em tempo: há dias em que fico muito feliz, é quando alguém que comprou meu livro me diz: Já li umas cem páginas. Essa noite sonhei que meu carro estava lotadinho de agulhas. Fui procurar uma interpretação no livro de sonhos. Diz na página de Utensílios: Se alfinetes aparecerem em seu sonho quer dizer que você poderá estar tentando cutucar alguém. Adão, Feito da Terra, foi escrito para compartilhar coisas que aprendi com muita leitura e estudo. Teimei em publicá-lo porque quero passar essas informações para muitas pessoas. Ele tem a intenção de divertir, ensinar e, por que não, cutucar.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ele é filho por natureza e não por criação.

Tanta coisa já foi dita – e nosso século que há pouco começou parece que já disse mais do que todo o tempo anterior – sobre Jesus que para podermos nos equilibrar sobre essa rede balançante, forçoso é voltarmos ao passado, ao começo de tudo. Ou pelo menos aos anos próximos ao acontecimento singular, a crucificação do judeu Jesus.
No ano 33, um mês e meio depois daquele drama, o apóstolo Pedro disse a uma multidão que visitava Jerusalém (Atos 2:34-36 ) : “Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Saiba, pois com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo”. Era assim que aqueles primeiros cristãos entendiam quem era Jesus, era o Messias prometido.
Perto de 80 anos depois começou a circular nas igrejas cristãs já espalhadas por todo entorno do Mediterrâneo indo até a Turquia, um Evangelho atribuído ao apóstolo João. Naquele quase um século a visão que os cristãos tinham sobre o homem Jesus tinha ganho uma nova interpretação (João 1:1-14): “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. O judeu Jesus havia sido o unigênito de Deus muito antes de ser criado o mundo.
Muitos acreditavam assim e tantos outros zombavam dessa crença. No fim do segundo século o cristão e filósofo Orígenes dedicou-se a pensar quem era o Verbo. “Vemos que o Filho de Deus, chamado também sua Palavra e Sabedoria, é aquele somente que conhece o Pai e o revela àqueles que se tornam capazes de receber sua Palavra e sua Sabedoria, pelo fato mesmo de que ele é a figura e expressão da substância de Deus”.

Assim como um pesquisador de um novo vírus se debruça dias e dias estudando a questão, Orígenes também dedicou um longo tempo para pensar essa relação entre o Pai e o Filho, como era existirem na mesma substância. “O Unigênito, nosso Salvador, é o único engendrado (generatus natura) pelo Pai, é filho por natureza e não por criação. Ele é nascido da própria inteligência do Pai, como a vontade de Deus; pois ele não é divisível, não imaginemos que o Filho é procriado por uma divisão ou uma diminuição da substância do Pai. Esse Logos, permanece no seio do Pai, anuncia Deus que ninguém jamais viu, e revela o Pai, que pessoa alguma conhece, senão ele próprio, aqueles a quem o envia o Pai celeste”.

Os cristãos não são politeístas, não adoram três deuses, adoram um só Deus.

domingo, 2 de novembro de 2014

A causa de toda perturbação está em que ninguém se acusa a si mesmo.

Temos, agora, uma coisa muita agradável, eu e Lili. Ao invés de sentarmos para estudar juntos, estamos deitando para ler, com todo respeito. A pouco estávamos lendo uma exortação de um homem que viveu na terra de Gaza. 

Doroteu (505-565) tornou-se cristão, escolheu a vida de monge, fundou um monastério e escreveu Instruções para um Treinamento a Plena Vida Espiritual. Enquanto recebíamos massagem por todo corpo explicava a Lili que aquela época parecia-se muito com a nossa.
- Parecia-se a de hoje em que sentido, Zé?
Disse São Doroteu: “Somos negligentes e amantes da vida cômoda, acreditamos andar pelo caminho certo, apesar de sermos impacientíssimos em tudo. Assemelhamo-nos a um bonito pão que ao ser cortado mostra um miolo cheio de sujeira. Levamos a vida quietos e de modo pacífico, mas basta alguém lançar uma palavra desagradável e imediatamente jorra de dentro de nós acusações e imprecações, pus e sujeira oculta”.
Fiz para Lili um breve resumo do mundo em torno de Mediterrâneo àquela época. Por seiscentos anos os romanos se expandiram dominando e levando seu idioma, sua cultura, costumes e saberes por toda Europa e Oriente Médio. Mas ao final do século IV os guerreiros e os sábios romanos tornaram-se corruptos e amantes da vida fácil e licenciosa. Sempre houve malfeitores, mas então em cada família havia pessoas sem princípios e os familiares suportavam e até aceitavam aquilo.
- Os bons não eram mais a maioria, não é?
Pior, não havia mais um parâmetro para o que era ser um bom cidadão. Inverteram-se todos valores. Não parece com hoje em dia? Então, os povos bárbaros – com uma cultura selvagem, analfabetos, pobres, com uma religião que adorava a natureza, sujos e sem conhecimento de bons costumes – venceram os “bons romanos”, educados, religiosos e com alguma riqueza. O século V viu a civilização romana ser desmanchada: as estradas calçadas que ligavam Roma a povos em todas as direções foram abandonadas e se desmancharam, as torres de comunicação que de tantos em tantos quilômetros enviavam mensagens sejam por reflexos de espelho ou por movimento de bandeiras foram desativadas e as linhas de comércio foram cortadas. Cada guerreiro bárbaro mais terrível formou sem principado cuja única relação com os vizinhos era de guerra.
- A cultura latina acabou, Zé?  
Não, ela foi mantida acesa pela Igreja Católica.  (pintura feita por cristãos nas catacumbas, séc.III)

E não adianta “torcer o nariz”. Se não fosse o latim falado pelos padres nos mosteiros, a leitura regular dos livros e o trabalho de fazer cópias deles e o estudo continuado das ciências feitas nesses locais que os bárbaros não atacavam por superstição e medo, tudo teria desaparecido. São Doroteu de Gaza foi um desses homens incansáveis. Vivemos num tempo semelhante àquele. Vale que temos a “rodear-nos uma tão grande nuvem de testemunhas”, como esse homem. 
(pintura no teto da Igreja de Santa Pudenziana, final séc. IV)  


Ah, ia esquecendo o que ele nos mandou fazer numa época em que ser gay é respeitável, vender os princípios por um bom dinheiro é sinal de capacidade e achar o aborto, a pedofilia e a falta de cuidado com as crianças coisa de gente avançada: a causa de toda perturbação está em que ninguém se acusa a si mesmo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O que desorienta é a ignorância.

A dissertação do professor Lúcio Álvaro Marques, A Revelação Cristã do Logos, diz nos dá uma informação preciosa:
“O século segundo marcou uma mudança na filosofia grego ocidental em direção à teologia, à sociedade e à religião. O pensamento de Orígenes, doutor da Igreja, prioriza o valor moral que foi capaz de tornar o cristianismo um gênero de vida e de conduta mais elaborado que o pagão. O devir do Logos cristão funde elementos das culturas grega e bárbara, gentia e hebraica, e porque a razão se mostrou capaz de mudar a personalidade, passaram de uma vida de devassidão desenfreada à prática das virtudes. É por isso que estão cobertos de poder os que ouvem a palavra de Deus, e eles a manifestam por sua disposição de alma, sua conduta e sua luta até à morte pela verdade”.

Os gregos, dedicando-se ao pensar acumularam grande conhecimento, mas os cristãos transformaram o saber em entendimento. 

Em Comentário ao livro Cântico dos Cânticos, Orígenes diz: “Se é verdade que a sabedoria é a ciência das coisas divinas e humanas e de suas causas, a palavra divina é eflúvio do poder de Deus, uma emanação puríssima da glória do Onipotente, pelo que nada de impuro nela se introduz. Pois ela é reflexo da luz eterna, espelho nítido da atividade de Deus e imagem de sua bondade. Por isso, afirmo: jamais o verdadeiro sábio rejeitará a Sabedoria cristã. Assim, um cristão que tem conhecimento verdadeiro do cristianismo, nem ficará desorientado e nem embaraçado pela sabedoria. Pois a verdadeira sabedoria não desorienta, e sim a ignorância, e a única realidade sólida é a ciência e a verdade que provêm da sabedoria”.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Era o seu arquiteto dia a dia.

JESUS, nome mais lindo da história. 
Tantos clamam para se ter fé em Jesus. Mas quem é Jesus para você? Essa era a pergunta que se fazia os cristãos por volta do ano 100: quem é Jesus?

- Zé, por favor, não complique.
Li o livro ZELOTA e emendei com A REVELAÇÃO CRISTÃ DO LOGOS, tese do mestre em teologia Lúcio Álvaro Marques, e quero compartilhar essa bela compreensão sobre quem é Jesus.
Os primeiros discípulos acreditavam o que? “Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou? Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Quem o seguiu não andava atrás de um revoltoso nem de um milagreiro, seguia-o porquê acreditava que ele era o Messias, o prometido de Deus que salvaria o mundo. Eram todos judeus.
Cem anos se passaram e os cristãos judeus tornaram-se minoria, a maioria, gente de muitas nações, não conhecedores da Bíblia, eram chamados helenistas. Sua cultura era grega. Os seguidores de Jesus mais instruídos nos filósofos encontraram um personagem que se encaixava na figura de Jesus, o Logos. Como era o Logos dos gregos?
Um dos mais antigos filósofos, Hesíodo, explicava: “Logos é o meio unificador de todas as coisas do cosmo. Logos designa tanto a linguagem quanto a inteligência do mundo. Essa inteligência tem caráter divino, por isso ela organiza o cosmo. O logos congrega opostos, como teoria e prática, moralidade e intelectualidade, física e metafísica, na unidade, graças ao seu caráter. Ele desvela-se como inteligência e lei que conduz do caos ao cosmo”. Muito antes de nascer Jesus os gregos entendiam que um ser de "caráter divino" criou tudo com Deus.
Os cristãos primitivos ficaram maravilhados pois esta descrição correspondia a uma antiga narração bíblica (Provérbios 8:27-31): “Quando Deus estabeleceu os céus, lá estava eu, quando determinou as fronteiras do mar eu estava ao seu lado, e era o seu arquiteto; dia a dia eu era o seu prazer e me alegrava continuamente com a sua presença. Eu me alegrava com o mundo que ele criou, e a humanidade me dava alegria”. Os hebreus o chamavam de Sabedoria.

Foi essa crença que se perpetuou e quem acredita deve crer que Jesus não é só um judeu sábio. Ele é o Logos previstos pelos gregos e aquele, segundo os semitas, a quem Deus disse: Façamos o homem a nossa imagem. 
Ele se humanizou e viveu entre nós. Crês nisso?

Quero lhe apresentar novos amigos do livro Adão, Feito da Terra: 


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Talvez jamais nos ocorra de novo.

“Uma verdadeira imagem do passado passa célere e furtiva. É somente como imagem que lampeja justamente no instante de sua recognoscibilidade, para nunca mais ser vista, que o passado tem de ser capturado. Pois sendo uma imagem irrestituível do passado ameaça desaparecer se no presente não a se reconhece como algo intensamente buscado”, do livro Sobre o conceito da História (p.62), de Walter Benjamin.
Quando se é um bom leitor, ou mesmo um bom ouvinte, percebe-se de repente uma semelhança entre algo que está acontecendo e um momento histórico no passado:
“A preocupação de salvar o passado no presente, graças à percepção de uma semelhança que transforma os dois, é uma prova maravilhosa de atenção. Transforma o passado porque este assume uma nova forma, que poderia ter desaparecido no esquecimento; transforma o presente porque este se revela como a realização possível da promessa anterior, que poderia ter-se perdido para sempre, que ainda pode se perder se não a descobrirmos, inscritas nas linhas do atual instante”.
É fugaz, é como uma bolha de gás que sai do lodo e se incendeia no ar, igual a uma que sem querer fotografei em Piraí. Tais lampejos costumam ocorrer em momentos de ansiedade e crise, então fisguemo-los como a um peixe lindo.
“No momento de perigo, quando a imagem dialética lampeja, o historiador ou o homem atento deve dar prova de presença de espírito para captar esse momento único, essa ocasião fugaz e precária de salvação, antes que seja demasiadamente tarde. Porque essa lembrança, que se apresenta num instante de perigo, pode ser precisamente o que ‘o salva’”.

Não tenhamos medo de pensar. Ocorrendo uma ideia, paremos o que estamos fazendo. Reviremo-la na cabeça, burilando-a como um joalheiro faz com a pedra bruta. Reflitamos, escrevendo até para não esquecer. Talvez o mesmo insight jamais nos ocorra de novo, ou mesmo, ninguém mais o veja. 
Mais amigos: Aline da oficina na Ponte Alta, meu vizinho Arthur, Beth da relações públicas e José Elias do Sind. Metalúrgicos, Clóvis de segurança na internet, Eliomar o dentista do Vila Shopping, o simpático Laurício, Lucas de marketing.
 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Minha imaginação se superpõe ao que é autêntico.

É muito bom ler uma obra de Sigmund Freud. Ele escreve bem e de modo que nos prende a atenção, e o próprio assunto que ele trata – a mente e a sexualidade – nos são instigantes. Assim, comecei a ler Três Ensaios sobre a Sexualidade. Logo no prefácio – ainda não passei disso – ele fala do mesmo problema que enfrentei com a escrita de meu livro: Adão, Feito da Terra.
“Ante o caráter incompleto de meus estudos analíticos, não me restou senão seguir o exemplo daqueles descobridores que têm a felicidade de trazer à luz do dia, após longo sepultamento, as inestimáveis embora mutiladas relíquias da antiguidade. Restaurei o que faltava segundo os melhores modelos que me eram conhecidos de outras análises, mas, como um arqueólogo consciencioso, não deixei de assinalar em cada caso o ponto onde minha construção se superpõe ao que é autêntico”.
É sempre assim, não se consegue abranger toda verdade, em nenhuma ciência, e o estudioso tem de completar o que falta com material de sua imaginação.
Então, ele começa a falar dos sonhos dos pacientes: “Já mencionei, como foi que deparei com o problema dos sonhos. Encontrei-o em meu caminho quando me empenhava em curar as psiconeuroses, pois meus pacientes me contavam sonhos que pareciam reclamar inserção na longa trama de relações tecida entre um sintoma da doença e uma patogenia. Nessa época, aprendi a traduzir a linguagem dos sonhos em formas de expressão de nossa própria linguagem, compreensíveis. Esse conhecimento, posso asseverar, é imprescindível para o psicanalista, pois o sonho é um dos caminhos pelos quais pode aceder à consciência o material psíquico que, em virtude da oposição criada por seu conteúdo, foi bloqueado da consciência, recalcado, e assim se tornou patogênico”.

Vou continuar a ler e depois conto mais.
Meus novos amigos: Roberto da Galeria Kennedy, Andreia contadora da Sávio Gama, Erenice com salão no ed. Pastor (também com curso de teologia católica), veterinário Duílio em Niterói, Fogaça em sua imobiliária no Shopping Vila, Gercy e sua loja de m´veis rústicos na 7 Setembro, Gustavo ajudando sua mãe no Espaço de Vida Saudável no Shopping Vila, e Maurício do Grêmio Administrativo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O jeito é se conformar e “engolir o sapo”.

Um pregador com sua Bíblia na mão tem que fazer muitos malabarismos para explicar determinadas doutrinas. Meu pai, que não menosprezava as Escrituras, me mostrou as palavras de um filósofo que disse: “A Bíblia é uma velha rabeca (violino) com a qual se pode tocar qualquer toada”. No livro Zelota o iraniano Reza Aslan me fez ver algo que sabia e não via. 
Nem passara ainda dez anos da crucificação de Jesus quando começou um cisma na Igreja Cristã. Saulo, inimigo dos cristãos converteu-se em 37 e.C e, já profundo conhecedor da Bíblia, começou a pregar em cidades gregas, a quem nunca lera a Bíblia. E ensinava diferente dos apóstolos e da igreja em Jerusalém, cujo bispo era Tiago. Na carta que ele escreveu aos cristãos na Galícia, Paulo disse (2:16): “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada”. Tiago disse em sua carta (1:23 e 2:10): “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecediço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos”. 
O livro Zelota, conta (p. 225): “Nunca houve qualquer dúvida sobre onde se colocaria a lealdade da comunidade cristã. Tiago, Pedro e João, estes eram os pilares da Igreja. Eles eram os principais personagens de todas as histórias que se contavam sobre Jesus. Foram os homens que andaram com Jesus. Estavam entre os primeiros a vê-lo ressuscitar dos mortos. A autoridade que os apóstolos mantinham sobre suas vidas era inabalável. Nem mesmo Paulo poderia escapar dela. Em 57 e.C ele precisou apresentar-se perante Tiago e arrepender-se publicamente do que pregava”. 
Lucas conta assim (Atos 21:17-24): “E, logo que chegamos a Jerusalém, os irmãos nos receberam de muito boa vontade. E no dia seguinte, Paulo entrou conosco em casa de Tiago, e todos os anciãos vieram ali. E, havendo-os saudado, contou-lhes por miúdo o que por seu ministério Deus fizera entre os gentios. E, ouvindo-o eles, glorificaram ao Senhor, mas disseram-lhe: “Bem vês, irmão, quantos milhares de judeus há que creem, e todos são zeladores da lei. E já acerca de ti foram informados de que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a apartarem-se de Moisés, dizendo que não devem circuncidar seus filhos, nem andar segundo o costume da lei. Que faremos pois?  Em todo o caso é necessário que a multidão se ajunte; porque terão ouvido que já és vindo. Faze, pois, isto que te dizemos: Temos quatro homens que fizeram voto. Toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles os gastos para que rapem a cabeça, e todos ficarão sabendo que nada há daquilo de que foram informados acerca de ti, mas que também tu mesmo andas guardando a lei”. 
E Paulo se retratou. Quantas vezes temos de nos submeter aos superiores! O jeito é se conformar e “engolir o sapo”.
Mais amigos estão lendo Adão, feito da Terra: o dentista Júlio da 33, o vendedor de carros Adriano de Niterói, Alberto do Espaço Antoneli 33, Alex cabeleireiro na Beira Rio, a cabeleireira Berê do CBS e Érika e colaboradora de outro salão no CBS.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Ora, você tem mais o que pensar!

Ora, você tem mais o que pensar, mas me pareceu tão revelador isto que li no livro Zanota, que não posso me conter e quero te contar. Jesus uma vez fez uma enquete com seus discípulos:    
“- Quem as pessoas dizem que sou?
- Alguns dizem que tu és João Batista.
- Outros dizem que és Elias.
- Ainda outros que és Jeremias.
- Mas quem vós dizeis que eu sou?
- Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.
Então, Jesus ordenou que não contassem a ninguém que ele era o Messias (Mateus 16:13-16)”.
O livro diz (p. 152): “Existe um termo que os estudiosos dão a esse estranho fenômeno: segredo messiânico. Alguns acreditam que foi um jogo de marketing, pois conta Marcos em seu evangelho (7:36): 'Quanto mais ele lhes ordenava mais excessivamente eles o proclamavam'. Porém, quando se referia a si mesmo, Jesus usava um título completamente diferente e enigmático. Chamava a si mesmo de ‘o Filho do Homem’. Muitos concordam que Jesus tirou este título de uma visão do profeta Daniel (7:13, 14): ‘Na mesma visão vi um Filho do Homem que vinha entra as nuvens do céu. Ele foi até onde estava Aquele que Sempre Existiu e deram-lhe o poder e a autoridade de rei a fim de reger todas as nações’. Este Reino de Deus fará uma inversão completa da presente ordem, na qual os pobres serão ricos e os humildes poderosos. Quem melhor do que Jesus para incorporar esta nova ordem social já que tinha esses valores invertidos em sua cabeça. Pois, como rei, nem lugar próprio tinha para reclinar a cabeça”.

Jesus ensinava que em seu Reino os mansos herdarão a Terra, que os famintos seriam saciados e os que choram não chorarão mais. Eu e você, conseguiremos aceitar um mundo assim?  
Novos amigos: Jairo que conserta joias e fuma pra caramba, Adrina da ótica Sider, José Pereira da firma de informática no Aterrado, Marilena do salão na Sávio Gama, a dentista Maria Vinciprova,da Vila, e Marcelo que faz baners na Vila.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Por que têm erros cronológicos na Bíblia?

No século XVIII, com a filosofia positivista dominando o estudo acadêmico, os professores começaram um exaustivo estudo da Bíblia, não como a Palavra de Deus para o homem, mas como um livro dos homens. A Wikipédia explica: “O exame do texto bíblico pergunta quando e onde um texto se originou. Por quem, para quem, e em que circunstâncias ele foi produzido; que influências e fontes foram usadas em sua composição. Ele também se interessa pela natureza do texto, incluindo o significado das palavras e se vale de uma ampla gama de disciplinas acadêmicas, incluindo a arqueologia, antropologia, linguística, etc, para entendê-lo”.
Assim, o livro Zelota, ensina: “O evangelho de Marcos foi o primeiro a ser escrito, por volta de 70 e.C, quarenta anos depois da crucificação de Jesus. Parece que a comunidade cristã daquela época não estava preocupada com qualquer aspecto da infância e juventude de Jesus, pois não são relatadas neste evangelho. Ele começa falando: E foi assim que João Batista apareceu no deserto”. Os evangelho s de Mateus e Lucas foram escritos vinte anos depois, cerca de 90 e.C e basearam-se em escritos de cristãos dos anos 50 e.C e que os estudiosos chamam de documento Q. Nele havia informações sobre a infância de Jesus, incluindo as de que ele foi criado na pequena Nazaré mas nasceu em Belém.
Esse livro Zelota fala então de uma contradição na história de Jesus em Lucas (2:1-6): “E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse (este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria). E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz”. Dizem os registros romanos que o censo foi no ano 6 e.C e Jesus nasceu em 2 a.C. Então, o livro Zelota chega a conclusão que Jesus não nasceu em Belém. Porém, outros estudiosos dizem que alguma outra razão moveu José a levar sua família para Belém. Lá nasceu Jesus, como avisaram os profetas, e só voltaram a Nazaré depois do censo. Houve uma troca na ordem dos acontecimentos.

Quem tem fé de que há Deus e que Ele se comunicou conosco continua acreditando nos fatos principais da Bíblia, mas se pergunta: Por que o Pai Eterno deixou que este caso fosse contado assim, com erros cronológicos? 
Aproveito para mostrar outros amigos que compraram meu livro: Adão, Feito da Terra. Carla da Pet Au q Mia, Niterói; Cícero; Genival da Pet da 60; Milla, arquiteta da 33; Nilza, fisio da 33, e padre José Antonio da Paróquia São Paulo Apóstolo.
 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Lá, essa euforia se transforma em desejo de matar.

Desde o início deste século quantas organizações muçulmanas violentas já vimos? Não dá para contar nos dedos das duas mãos. A atual é o Estado Islâmico e não vai parar de aparecer novas. O livro Infiéis, o Conflito, que estou terminando de ler, explica (p.225): “O historiador Alphonse Dupront disse: ‘Quando ouvimos as palavras “cruzada” ou “jihad” algo nos perturba, um medo que está vivo e é real’. Podemos determinar os meios pelos quais esses temores e esse ódio foram produzidos em nós. São dois tipos de opinião: existente, que está presente em nós desde antes de acontecer grandes conflitos; e a criada, formada quando de um grande ataque, pela exploração da mídia e pela propaganda política”.
Não devemos nos iludir, nunca haverá paz no Oriente Próximo. Como uma fagulha incendeia um capinzal seco, uma palavra tem um efeito terrível no meio daquela gente (p.239): “Falar em guerra santa se tornou um meio de rápida mobilização, livre do domínio da lei. Falar em ‘cruzada’ ou ‘jihad’ faz vibrar um forte sentimento, um irresistível chamado às armas. O geógrafo Cyril Graham quando esteve no Líbano viu e contou: ‘Senti que estava no meio de algum extraordinário frenesi de sangue, do qual toda a normalidade de desvanecera. Agora, os árabes falam com grande insolência e gabam-se do número de cristãos que mataram. Estão revertendo a seus antigos costumes”. Esse pintura de Eugène Delacroix, Massacre em Quios (1824), mostra como a luta entre árabes e cristãos e judeus já dura séculos.


Lembra-se do mês de junho que passou, do delírio e do desvario que tomou conta dos brasileiros durante os jogos da Copa do Mundo? Lá naquelas terras de além Mediterrâneo, essa euforia se transforma em desejo de matar.     

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Revisite o passado e aprenda com ele.

Dentro de nós existe uma imensa biblioteca de lembranças e vivências. O livro Amor e Trevas, do israelense Amos Óz, desvenda um pouco dessas riquezas represadas na gente. Na tese de mestrado sobre esse livro, a professora Luciana Salviano Brandão Lopes

comenta (p.61): “Há uma diferença fundamental entre esquecer para lembrar, e esquecer de lembrar. No entanto, nas duas ‘é colocado em questão o papel desempenhado pela memória, pela lembrança que conduz quem lembra à edificação de um monumento de si’. A memória, nesse caso, atuaria como duplo do eu e imporia ao sujeito que lembra a falsa consciência da sua plenitude e autonomia, ‘condenando-o a refazer o tecido de sua história sempre com os mesmos fios de um único e imutável trançado o qual, por não conter os fios que o Outro tece, é irremediavelmente alienante’. Por outro lado, no caso da memória operadora da diferença, o processo é de descobrimento, desconstrução, desterritorialização, processo produtivo que ‘tece com as ideias e imagens do presente a experiência do passado’”.
- Zé, com franqueza, não entendi nada.

Primeiro: ‘a memória conduz quem lembra à edificação de um monumento de si’. O homem pós moderno é instado a toda hora a viver seu presente e esquecer o passado, especialmente quando foi mau. Mas para a “edificação de um monumento de si mesmo”, é preciso visitar a grande biblioteca da memória. Não para “ refazer o tecido de sua história sempre com os mesmos fios de um único e imutável trançado”, o que nos condenaria a reviver um pesadelo, mas usar a memória como “um processo de descobrimento, de desconstrução, num processo produtivo”. Arranjemos espaço em nossa vida para revisitar o passado e aprender com ele.
Vou mostrar os novos amigos que adquiriram meu livro Adão, Feito da Terra: João, o engenheiro; Anísio da auto-escola; Hudson, o ciclista; e Rodrigo da autoShow.



sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Preciso fazer essa peregrinação.

Temos que “tirar o chapéu” para o serviço em favor da fé cristã feito pela Igreja Católica.
- Pô, Zé, tudo agora é a Igreja, você só tem falado nela.
Estou lendo o livro Infiéis, o Conflito quem tem quase 500 p, estão tenho encontrado muito coisa boa de refletir. Como essa informação p.190: “Um cavaleiro, lá pelo ano 1000 e.C deixou todos os seus bens para a abadia de Cluny e partiu para a Terra Santa. Aos amigos, disse: ‘Decidi ir para Jerusalém onde Deus se fez homem e falou com os homens, para o adorar onde ele caminhou’”.  
Mas as viagens dos crentes fervorosos haviam começado bem antes, no século IV: “A peregrinação cristã começou no reinado do imperador Constantino. Sob seu governo foram empreendidos grandes esforços para localizar e restaurar lugares bíblicos perdidos. Sobre a gruta do Santo Sepulcro foi construído um vasto complexo para visitação. A mãe de Constantino autorizou, por sua própria conta, a construção de uma igreja em Belém e outra no monte das Oliveiras. Ela, Helena [santa], também foi responsável pela redescoberta das, por tanto tempo perdidas, cruzes de Jesus e dos dois malfeitores. Essas relíquias tinham sido guardadas pelos primeiros cristãos. A identificação de qual delas tinha suportado o corpo do Filho de Deus foi simples. Deitaram uma mulher gravemente doente sobre cada uma delas e sobre a qual teve milagrosa recuperação foi declarada a cruz de Cristo. São Jerônimo que viveu em Jerusalém, disse p.405: “O tempo me impede de relatar minuciosamente os santos, mártires e bispos que vieram a esta cidade. Todos diziam que sua devoção seria incompleta e faltaria a sua virtude um retoque final, a menos que adorassem a Cristo no próprio lugar onde viveu e morreu por nós”.

Se hoje, um cristão de qualquer denominação consegue fazer uma completa via sacra pelos lugares em que Jesus andou, muito deve a Igreja Católica.
Mais um painel cheio de gente bonita: Drs. Gilson (ortopedista) e Marco (medicina nuclear), Mônica da ótica Brasil, Jamil&Jamile da FitSure, Rosângela da Laprodonto e Alexandre da Sulkscrin.
    

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Um escritor parece estar montando um dinossauro a partir de um osso só.

“Uma narrativa pode ter a função de catarse, pois, como uma carta pode também ser endereçada àquele que a escreve, já que, ao escrever, também se lê aquilo que foi impresso no papel”.

O escritor israelense Amós Oz revela assim que a escrita de seu livro Amor e Trevas, o fez “colocar pra fora” emoções represadas, tanto amorosas como odiosas.
“O ato de escrever é penoso, envolve leitura, rasura, o vai e vem das ideias e também certa estética na escolha das palavras e parágrafos. O escritor lê, conserta, rabisca, apaga o que escreve, pensa em novas palavras ou ideias, e, em algumas vezes, até desiste do que está narrando”.
A professora de Literatura, Lucina S. Brandão Lopes, fez esse comentário: “Sabe-se através de ensaístas e escritores que a literatura é faltosa e que é impossível escrever tudo. Há sempre algo valioso, entretanto, que pode ser resgatado por meio da escrita”. 
Oz, acrescenta: “Senti-me um cientista, um paleontólogo desenterrando um pedacinho de um dinossauro para chegar à dimensão real da ossada dele. Descrevo um ambiente em que tudo era secreto e escondido, então foi como desvelar o oculto”.
Assim mesmo me sentí escrevendo Adão, Feito da Terra. Mais amigos que vão lê-lo: 

Brito, em sua peixaria no Aterrado; Matiola e Valtair, grandes ciclistas; Fernanda, em sua loja de confecções na São João; Gustavo, gerente da loja de decoração na Amaral Peixoto; e o jovem advogado Pedro;