domingo, 27 de dezembro de 2015

“Acompanhe-me em meu raciocínio”, diria Bussunda.

Uma galáxia tem milhões, não, vamos falar mais impactante, tem duas mil vezes quarenta e cinco mil estrelas que, eventualmente, terão cinco ou sete planetas em volta. Quem pensa Deus do tamanho da gente, diz: deve ter vida em milhares de planetas, alguns com civilizações mais desenvolvidas que a nossa. 

Agora, olhe esta foto, são as galáxias NGC 3808A (à direita) e a NGC 3808B, elas estão se fundindo a 75.000 anos-luz de nós. Sóis esbarrarão em outros sóis, planetas se chocarão com planetas e estrelas, será o caos. Pense então: se tem gente lá, o fim do mundo estará chegando para eles.
Então, vamos falar um pouquinho sobre vida. “A concepção vitalista já existia na antiguidade, em Aristóteles e Pitágoras: a vida é uma força sem igual. No século XVIII o desenvolvimento da ciência tornou os sábios mais materialistas, mas a vida continuava a ser um mistério porventura maior que antes. Entre as propriedades dos corpos vivos e as dos corpos inorgânicos há uma diferença fundamental, o princípio vital, espécie de fluido imaterial de força misteriosa”.
Tome como exemplo uma ameba, um organismo vivo unicelular. No laboratório o bioquímico vai encontrar em sua composição: 85% de água, proteínas, açúcares, aminoácidos, RNA, nucleotídeos isolados e íons inorgânicos. Dá para fazer um fluido igualzinho, mas esse material não terá vida, não conseguirá fazer uma fagocitose, isto é, absorver um lixinho que aparece boiando à sua volta.

Cada vez me convenço mais que a grande verdade é que vida num planeta todo feito de material inorgânico só surgiu na Terra. E tem um propósito para isso. 

sábado, 26 de dezembro de 2015

Quando você for julgar alguma coisa...

Quando você for julgar é bom que tenha um conhecimento bem abalizado da matéria para não cometer injustiça.
Os fundadores das congregações protestantes, especialmente as que surgiram no século XVIII, eram tentados a chamar a Igreja Católica de a Grande Babilônia, e uma das razões é que o catolicismo se apropriou de datas pagãs transformando-as em festividades cristãs. O livro Colunas Vivas de São Pedro informa muito sobre isto (p. 199): “O papa estabeleceu, conforme os decretos dos santos pais, que o jejum de março fosse sempre celebrado na primeira semana da quaresma e o jejum de junho na semana de Pentecoste”. Veja bem, a Igreja Romana é Católica, o que significa dizer Universal, e à época tinha como objetivo servir aos francos, aos anglos, aos germânicos e à outros povos. “O tempo é, em todos estes casos, um referencial padronizado a ser adotado por diferentes populações, uma coordenada comportamental à qual deveriam se conformar os homens e as mulheres de diversas partes da Cristandade”. Mas havia um problemão. “Na época em que estas decisões conciliares foram tomadas, a heterogeneidade dos calendários era atordoante. Às vezes, bastava ir de uma cidade para outra na Itália para encontrar-se em um novo ano. No dia 25 de março enquanto os pisanos comemoravam o início de 1100 os florentinos saudaram a chegada de 1101, enquanto em França os parisienses permaneciam em 1099”.

Viu o tamanho do problema da Igreja de Cristo que precisava apascentar gentes de todas as nações? “Esquivando-se destes riscos, o papado empregou um tempo menos dúbio. Os meses destacados na liturgia correspondiam aos pontos de alternância das estações e ao calendário agrícola. Desde o século IV, o Concílio de Nicéia (325) recomendava que a páscoa fosse assinalada pelo equinócio vernal que dava início a um novo ciclo de cultivo. No século VI a Sé de Roma tornou prática para os cristãos a preparação para a Páscoa estendendo-se por sete domingos, era a Quaresma. O jejum da Quaresma não era um sacrifício já que nesta época do ano os celeiros estavam vazios e a fome se avizinhava”.

Jesus havia dito (Mateus 24: 45): “Quem é realmente o escravo fiel e prudente, a quem o seu Senhor encarregou dos seus domésticos, para lhes dar o alimento no tempo apropriado? Feliz aquele escravo se o seu Senhor, quando vier, o encontrar fazendo isso! Digo a verdade a vocês: Ele o encarregará de todos os seus bens”. 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O Grito da Independência por quem estava lá.

Solenemente o amigo Ademar Valim me estendeu um envelope branco tamanho A4 e disse circunspecto: "O historiador Beckmann Pithany garimpando livros raros em cebos no Rio de Janeiro encontrou uma carta de Joaquim José de Souza Breves, o Rei do Café. Como sei de seu prazer em estudar a História tirei cópia e passo às suas mãos. Mande-me sua impressão".
Ontem mesmo, depois do belo e forte pedal, sentei lendo e saboreando as palavras: “Ele assistiu o Grito da Independência e dos presentes foi o último a falecer”, afirma Beckmann. Falava de Joaquim José, homem de nossa região e, há época, um dos homens mais ricos do Brasil: era dono de “inúmeras fazendas onde empregava mais de seis mil escravos, do porto e armazém-depósito em Mangaratiba [quando se desce àquele trecho do litoral sul-fluminense passamos por essas ruínas] 

e de muitos imóveis no Rio de Janeiro, sendo o mais precioso uma chácara em frente ao Jardim Botânico”.
Mas lendo as 11 páginas minha imaginação se deteve em Joaquim José com 18 anos. Agora é o historiador José Adal que conta. [Joaquim José aos 38 anos e já Comendador da Imperial Ordem da Rosa]

Uma carta havia preparado José de Souza Breves, seu pai, para recepcionar o príncipe regente D. Pedro de Alcânta que passaria pela pacata cidade de São João Marcos em caminho de São Paulo. A carta incluía também um convite para o jovem Joaquim José se incorporar a comitiva. ‘Seu’ José Breves reuniu a família e anunciou as novidades, incumbindo ‘dona’ Maria Pimenta de Almeida Breves, sua esposa, dos preparativos para receber as dezoito pessoas e de encomendar ao alfaiate um uniforme de gala para o rapaz.
D. Pedro saí do Rio de Janeiro – situação que havia sido planejada por seu ministro José Bonifácio de Andrade e Silva junto com a arquiduquesa e princesa Dona Leopoldina – onde ficavam todas as instituições portuguesas e centenas de luzitanos funcionários da Coroa de Portugal. Corria a notícia de que o reino europeu teria enviado uma carta exigindo a volta do príncipe Pedro de Alcântara à Portugal. Decidiu-se a viagem do jovem príncipe à São Paulo para que não estivesse no Rio quando a carta chegasse e os oficiais portugueses obrigassem o príncipe a embarcar de volta à Europa. A esposa e o ministro fizeram ver à Pedro que estava na hora de uma temerária tomada de decisão: ou voltava a ser o Brasil uma imensa colônia do pequeno Portugal, ou se separava dele e seguia seu destino de imensa nação. José Bonifácio era paulista e na cidade de Piratininga havia só um governo provinciano e uma tropa. De muito os paulistas eram maioria na colônia portuguesa.
Em 23 de agosto de 1822 a comitiva deixa a capital como se estivesse indo apenas numa visita pouco oficial do príncipe à cidades da província de São Paulo. Passam por Itaguaí e seguem beirando a encosta da serra do Mar. Em Mangaratiba sobem a serra. Consta que não iam à cavalo já que a subida íngreme em trilha dificultosa era mais apropriada para mulas. Do alto da serra do Piloto, apreciando a beleza do mar, os subalternos dão de beber aos animais numa fonte que ficou conhecida como Bebedouro do cavalo de D. Pedro. 

A viagem continuou no meio da densa mata Atlântica com inúmeros córregos cortando o caminho. Sobre um riacho mais forte os cavaleiros passaram sobre a ponte Bela.
[não é certo afirmar que as pessoas na foto fossem lusitanos da comitiva de D. Pedro]

A chegada à São João Marcos foi festiva com os sinos da igreja badalando alegremente. O povo do lugarejo cercou seu príncipe que era aclamado, tocado e olhado com devoção. 
[pessoas menos sérias afirmaram que na foto no portal da igreja de S. João Marcos aparecem D. Pedro e seu amigo Chalaça, mera especulação] 

Entraram na casa de José Breves que disse ao príncipe: Esteja em vossa casa, Alteza. Não eram meras palavras, pois onde o príncipe entrava o local ficava sendo conhecido para sempre como onde ele pisou. O jovem Joaquim José lhe foi apresentado e Pedro lhe disse: "Deste momento em diante vosmecê é meu guarda de honra e coloco minha vida sob vossa proteção". O rapaz não cabia em si de emoção.

Dia seguinte a comitiva deixou a cidade pelo caminho recoberto de pedras e sombreado pela mata milenar. Pernoitaram em Pouso Seco – é preciso descobrir onde ficaram -, passaram por Bananal, voltando a pernoitar em São José do Barreiro. Beckmann, conta: “Quando D. Pedro penetrou o território paulista, todas as cidades do chamado Vale do Paraíba, a partir de Bananal, o esperava com luzidas representações de cavaleiros da melhor nobreza do lugar, que o festejavam como ‘futuro Imperador do Brasil’ e o acompanhavam como grupos de guerra”. Era isto que José Bonifácio havia planejado secretamente enviando cartas a cada comarca paulista, que Pedro fosse ganhando confiança de que a tomada de posição não era uma usurpação, era vontade do povo. 
O rapaz de São João Marcos estava entre os que cercaram o príncipe na hora do grito. Do próprio punho, em 15 de maio de 1842, o Comendador Joaquim José assim descreveu a cena à D. Pedro II: "De repente sua Alteza gritou: 'Laços fora, soldados! Estão rompidas nossas relações com Portugal e nada temos a temer! Então, toda guarda de Honra foi tirando dos chapéus os laços azul e branco, símbolo da união entre Brasil e Portugal. Jogaram-nos ao chão, pisoteando sobre eles e gritando: Viva a Independência do Brasil! Todos os presentes, aproximando-se de sua Alteza, lhe cumprimentaram por seu gesto decisivo. Foi aí então, que ali no meio da estrada, desembainhando a espada, sendo seguido por todos os militares, e com os músculos rígidos, a espada levantada, bradou com todas as suas forças: Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, eu proclamo agora Independência do Brasil!"
[não se deu bem assim, como Pedro Américo pintou numa tela de 7,60mx4,15m, em Florença, onde fez seus estudos entre 1886-1888, pagos por D. Pedro II]
  
A tudo isto o jovem Joaquim José assistiu, essa experiência se incorporou à sua vida... tudo porque não ficou em casa sentado, mas saiu pelas estradas com a comitiva.
Um bom 2016 para todos nós, saindo de casa e andando pelas trilhas deste mundo que Deus nos deu.              

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Ele quer que odiemos nossos vizinhos árabes.

Uma crônica sobre o livro Terrorismo e Martírio, de Gilles Keppel, nos alerta: “Abou Moussab Al-Souri prega a resistência islâmica mundial 

e idealizou o Estado Islâmico atuando em dois níveis: no mundo virtual, usando as mídias sociais, e no mundo real, na guerra na Síria. Através do Facebook, You Tube e Twitter eles cooptam jovens para matar em suas próprias cidades, ou recrutam soldados para enviar à Síria e Iraque. Textos de doutrina sobre escolha de alvos e os métodos, são enviados pelas redes sociais e os jovens têm autonomia para escolher onde atacar”.
Lili me perguntou mais de uma vez: Mas onde fica o Estado Islâmico? Disse-lhe que os líderes se escondem em algum buraco, talvez bem próximo de onde foi o Jardim do Éden – local que identifico em meu livro Adão, Feito da Terra. Mas esse estudioso diz que esse exército é diferente, seus pequenos pelotões estão em toda parte: “a guerra virtual, através das novas tecnologias digitais continuará sendo desenvolvida em diversos locais por células autônomas”.

Mas o que este exército do Mal quer? “O Estado Islâmico provoca o Ocidente para que a reação da sociedade também seja radical e favoreça o surgimento de uma islamofobia que fará com que os árabes e descendentes passem a ser maltratados e tenham que escolher o seu lado do conflito. Será difícil vencer com bombas uma guerra ideológica que oferece para os jovens uma situação real que se parece em tudo com os joguinhos eletrônicos de realidade virtual que estão acostumados a jogar”.
E a opção não é nos afastarmos da adoração à Deus por causa desses doidos.   

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Angústia: o medo de ter uma severa perda.

Soren Kierkegaard nasceu em Copenhague, em 1813, 

no tempo que Napoleão levava a ferro e fogo a ideologia da Revolução Francesa aos outros povos da Europa. Formou-se em Teologia e Filosofia e se tornou um dos grandes pensadores da história humana. Na monografia de Pedro C.F. Santos ele comenta o livro Conceito de Angustia: “Ele filosofa a partir do mito da queda de Adão e Eva. Kierkegaard ensina que eles começaram a existir quando foram colocados diante da possibilidade de escolher. A existência humana implica decisão, escolha, não eram mais determinados pela natureza, como os antigos hominídeos. Enquanto viviam no paraíso eles não conheciam a angústia. Assim, é a partir da queda que essa emoção instaura sua morada na existência, torna-se presente no ser humano e o homem será desde então um ser angustiado”.

Hoje estamos cercados pela obrigação de fazer muitas decisões, a cada instante. Por melhor que sejamos centrados não conseguimos ficar livres da angústia. Ela nos atinge quando ficamos preocupados com a correção de uma decisão que tomamos. Nenhum de nós vive mais num Paraíso onde havia uma só questão pendente, e como o casal vivia bem daquela maneira um outro modo de existência, na verdade, nem era uma questão a ser pensada. Quando eles passaram a imaginar como seria o outro jeito de viver e isto começou a ganhar importância em suas vidas obrigando-os a tomar uma decisão, aí Adão e Eva, como eu e você, passamos a sentir angústia: o medo de escolher errado, de ter uma severa perda.    

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Era quase tão difícil quanto a gente se livrar de Eduardo Cunha.

Colunas Vivas de São Pedro, é o livro e tese de doutorado, do jovem professor brasileiro, Leandro Duarte Rust.

Nele estou aprendendo sobre o panorama da Europa e da Igreja Católica logo após o ano 1000. “Aqueles eram tempos difíceis”. O professor respeita as posições da cúria, mas não entra no essencial: acreditar que a Igreja ainda estava sobre a supervisão de Jesus, o Deus Filho.
Mateus 16:15-19: Ele lhes perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “O senhor é o Cristo, o Filho do Deus vivente.”  Jesus lhe disse então: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas, porque isso não lhe foi revelado por homens, mas pelo meu Pai, que está nos céus.  Também, eu lhe digo: Você é Pedro, e sobre esta rocha construirei a minha congregação, e os portões da Sepultura não a vencerão. Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que você amarrar na terra, já terá sido amarrado nos céus, e tudo o que você soltar na terra, já terá sido solto nos céus.”
O papa Nicolau II publicou a decretal, Em Nome do Senhor: “No ano de 1059 de sua Encarnação, perante os santos evangelhos decretamos: Quando o bispo desta Igreja Romana Universal vier a falecer, os cardeais bispos decidam entre si e com a aprovação do povo a eleição do papa, evitando assim que a triste moléstia da venalidade não tenha oportunidade de se perpetuar”.
O contato estreito entre o bispo principal e os imperadores vinha desde Constantino e se intensificou durante e após o reino de Carlos Magno. Chegou ao ponto do papa ser escolhido pelo imperador. O escolhido não deixava de ser um cristão muito dedicado, mas então o Espírito Santo tinha de usar o imperador para designar quem Deus queria na direção da Igreja. Mas no princípio não foi assim. Os bispos impuseram as mãos sobre o sucessor de Pedro.
Esta situação também facilitava o “tráfico de simonismo, até ao ponto em que a coluna do Deus Vivo parecia vacilar”. Simonismo é um termo que vem de um homem chamado Simão que quis comprar de Pedro o poder de curar. Alguns maus cristãos pagaram propina para serem eleitos bispos e era um custo para a Igreja se livrar dessas pragas. Quase tão difícil quanto a gente se livrar de Eduardo Cunha, hoje.  

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Marte não é medonhamente seca.

Em 2023 representantes de nossa raça estarão rumando para Marte numa viagem de 9 meses.
- Não creio que isto vá acontecer, Zé.
Quem estiver vivo daqui há 8 anos acompanhará este evento. Mesmo quando os astrônomos julgavam que não havia água em Marte, já se desenvolvia um projeto para fixar a raça humana lá. Agora que se sabe que no planeta vermelho também tem lençóis freáticos (congelados) tudo ficou ainda mais provável. E como para confirmar essa possibilidade li a respeito no livro O Vento do Saara, de Ronald Victor C Bodley, quando da visita do autor numa região ao oeste do Saara, Mzab.

“A parte do Saara onde está Mzab é uma área medonhamente seca. Ali não se encontra fontes de água como num oásis no meio da areia do deserto. Quando o povo chegou ali, fugido de constantes saques de árabes, não viram nenhuma vegetação, forte indicação de que nunca chovia por ali. Mas sendo um vale quase abaixo da linha do mar sugeria a presença dalgum lençol subterrâneo. E a verdade é que com utensílios primitivos e trabalho tenaz descobriram água. Hoje há mais de 3.000 poços, alguns com 150m de profundidade e nenhum com menos de 50m”
- Como é que eles puxavam água dessa profundidade, Zé?

De um modo engenhoso eles retiravam a água em grandes bolsas. Depois de cavado o poço construíam um reservatório, colocavam uma roldana sobre a boca do poço e um camelo puxava a corda até a bolsa chegar a superfície. O animal puxava o peso por 50m ou 150m, até despejar a água numa calha que a conduzia para dentro da cisterna, e voltava para perto do poço quando o grande balde mergulhava na água. 

Hoje existem na região seis belas cidades em meio a oásis luxuriantes. 

Em tempo, meu livro Adão, Feito da Terra alcançou 1.500 exemplares vendidos, você já tem seu exemplar? Ligue pra mim 98821-6146 e receba em casa meu livro com uma incrível aventura, metade real metade ficcional. 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Não se perde nenhuma das nossas generosas fadigas.

Cada geração que chega a este mundo precisa aprender tudo que seu pai e seu avô já sabem. Uma delas é a de que o que a vida nos pede é paciência e perseverança. 
Leia este parágrafo da encíclica Evangelii Gaudium, do papa Francisco (p.140): “Como nem sempre vemos de imediato os resultados, precisamos de uma certeza interior, ou seja, da convicção de que Deus pode atuar em qualquer circunstância, mesmo no meio de aparentes fracassos. Esta certeza é o que se chama 'sentido de mistério', que consiste em saber, com certeza, que se você se oferece e se entrega a Deus por amor, seguramente será fecundo. A pessoa deve sabe com certeza que a sua vida dará frutos, mas sem pretender conhecer como, onde ou quando; deve estar segura de que não se perde nenhuma das suas obras feitas com amor, não se perde nenhuma das suas preocupações sinceras com os outros,
não se perde nenhuma das suas generosas fadigas, não se perde nenhuma dolorosa paciência.

Às vezes invade-nos a sensação de não termos obtido resultado algum com os nossos esforços, mas a missão não é um negócio. É algo de muito mais profundo, que escapa a toda e qualquer medida. O Espírito Santo trabalha como quer, quando quer e onde quer. No meio da nossa entrega criativa e generosa, aprendamos a descansar na ternura dos braços do Pai. Sigamos em frente, empenhemo-nos totalmente, mas deixemos que seja Ele a tornar fecundos, como melhor lhe parecer, os nossos esforços”.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Vou com minha bike subir a serra da Piedade.

Ontem, pedalava e conversava com o amigo Luciano Moura, aficionado pela cultura medieval e mais precisamente por tudo que houve antes do Modernismo. 

Falávamos dos  dinamarqueses, os vikings e sua invasão da Grã-Bretanha. Então, ele disse inspiradamente: A Igreja Católica foi um grande freio para impedir que os homens voltassem aos seus mais baixos instintos. E, agora cedo, li sobre isto no livro A Serra e o Santuário, de J C V Tambasco.
Esta obra fala de Caeté, cidade alguns quilômetros depois de Belo Horizonte. Um pouco afastado do centro da cidade tem um monte onde o povo sobe para rezar numa pequena igreja que foi antes uma capela. Lá do alto o visual das terras de Minas é muito bonito. E já estou me aprontando para viajar de ônibus até lá perto, tirar minha bike do bagageiro e pedalar por aquele lugares afastados da correria da vida mundana.

Aí é que uma coisa se liga a outra. A capela foi erigida pelo português Antônio da Silva Bracarena. Ele veio para o Brasil e para Minas Gerais já no final da mineração do ouro e trabalhou na região de Ouro Preto. Era um mestre construtor de grandes obras: igrejas, prédios públicos e casas de gente rica. Ganhou um bom dinheiro, levava uma vida folgada. “Vida folgada” é uma expressão que engloba uma existência voltada para a satisfação pessoal e sem se preocupar muito em controlar hábitos e comportamento. Mas Bracarena deixou de ver graça nisso. Foi se tornando mais religioso e resolveu que precisava levar a sério o que Jesus mandou: Orai e vigiai. Decidiu se tornar um anacoreta.
- Dá pra explicar o que significa isso, Zé? Não estou nada afim de procurar no Google.
É um ermitão, um homem que se afasta da vida mundana e que fiscaliza com determinação todos os desejos de seu corpo. Ele imita o princípio da vida de Cristo que foi para o deserto e ficou lá 40 dias jejuando, orando e vigiando. Preparando-se como um guerreiro para enfrentar o Mal. O lema dum monástico foi expresso por Santo Antão que viveu no fim do terceiro século da Era Cristã: “Aquele que se permite tudo, chegará muito depressa a cometer tudo o que não é permitido”.
Bracarense usou o dinheiro que tinha para fazer a capela no alto do morro e estando na cidade o jovem Antônio Francisco Lisbôa – que anos depois, doente, passou a ser chamado de Aleijadinho – esculpindo as imagens da igreja matriz da cidade, encomendou-lhe a imagem de Nossa Senhora da Piedade. Um viajante europeu, Jean de Montlaur, visitando a pequena igreja no início do século XX, descreveu assim a imagem: “A virgem pálida segura entre seus braços o corpo divino do Seu filho coberto de chagas, pleno de realismo. Não é a Ele que ela olha, mas àqueles que os vêm visitar. Seus olhos falam de uma tristeza infinita”. E o frei Luís de Ravena, escrevendo a seus superiores, em 1861, disse: “Coisa mais notável! Aqueles que não vêm ao santuário por espírito de religião, senão por passeio, no silêncio desta solidão, longe do tumulto do século e sobretudo por estar diante desta imagem perfeitíssima, experimenta uma comoção insólita e pensa logo numa mudança de vida”.


Por isso, vou com minha bike subir a serra da Piedade.     

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Prenda-o e não lhe dê chance de aprender a ser do bem.

Povo fascinante os Vikings, os guerreiros dinamarqueses. Sobre eles estou lendo em O Último Reino, emprestado pelo amigo Luciano Moura. O personagem principal é um menino inglês capturado e criado por um chefe que veio das terras nórdicas. O que o menino pensa nos esclarece muito sobre a diminuição da idade para efeitos penais.
Um menino tem várias influências. Leia o que diz Uhtred (p. 79): “Observe a apenda, dissera meu pai, e eu estava aprendendo. O que mais pode fazer um garoto que ainda não mudou de voz? Só um em cada três homens é um valente e cuidado com os golpes baixos, a traição. Olhe e aprenda, dizia meu pai”. Mas o pai morreu e ele acabou nas mãos de um assassino, que também lhe ensinava. Afinal, o que mais pode fazer um rapaz senão aprender? (p. 70) “O que acontecerá com você será de sua própria responsabilidade. Você vai aprender a usar uma arma e a enfrentar os oponentes e depois usará o que aprender para tornar sua vida boa ou ruim”.

Assim acontece com quem não tem experiência de vida e teve um bom professor marginal e não teve um pai presente e preocupado. Então, o jovem pensa mais ou menos desse jeito (p. 113): “Comecei a pensar que não era bom ficar do lado do bem, porque ele estava perdendo. Por isso decidi ser assassino. Claro que estava confuso, mas não dava para ficar muito tempo pensando nisso. Em vez disso, à medida que me aproximava dos 12 anos, comecei minha luta de verdade. Era obrigado a ficar horas segurando uma arma pesada com as mãos estendidas para a frente do corpo até os braços doerem. Aprendi a atirar e fui treinado para matar. E ainda estou aprendendo a me proteger. Cresci, ganhei músculos e comecei a falar com voz de homem. Era do bem, mas parecia um matador”.
Não queira se defrontar com um menor dividido assim. Com um criminoso profissional talvez você tenha uma chance de ficar vivo, com o adolescente criminoso, jamais. (p.121) “Levamos o roubo para o carro e, naquela noite, enquanto bebia cerveja , pensei em mim como um guerreiro. Tive a infância perfeita, pelo menos na minha ideia de garoto. Vivia no meio de homens de verdade, era livre e vivia solto, não era restringido por nenhuma lei, não era incomodado por padres ou pastores, era encorajado à violência e raramente estava sozinho”.


Trancafie-o aí, neste momento confuso. Puna-o para toda vida e não lhe dê chance de aprender a ser do bem.    

domingo, 12 de abril de 2015

Tau - Os símbolos têm muita força.

O amigo Luciano Moura me emprestou um livro, O Último Reino, de Barnard Cornweel, sobre os Vikings. Na p 52 fala do martelo de Thor:
 “- Que negócio é este no seu pescoço?
Mostrei. Era um grosseiro martelo de ferro do tamanho do polegar de um homem.
- Ainda vamos transformar você num dinamarquês.
O martelo era o símbolo de Thor, filho de Odin. Falavam mais de Thor e me perguntava se o filho não seria mais importante que o pai. Mas ninguém parecia se importar muito com isso. Não havia sacerdotes entre os dinamarqueses, que não pareciam muito preocupados com seus deuses, embora quase todos usassem o emblema do martelo ao pescoço”.
Neste século XXI a maioria faz tatuagens, usam amuletos e a cruz sem se preocupar com adoração, “não parecem muito preocupados com seus deuses”. 

Mas os símbolos marcados em nosso corpo ou pendurados nele têm força. Estão ligados ao tempo em que os quase humanos ainda nem falavam.
A Wikipédia cita um Dicionário que diz: “A forma da cruz de duas vigas teve sua origem na antiga Caldeia e foi usada como símbolo do deus Tamuz (tendo a forma do Tau místico, a letra inicial de seu nome) naquele país e em terras adjacentes no Egito. Por volta dos meados do terceiro século d.C, a igreja havia arrematado certos símbolos e festas pagãs para a fé cristã”.
Alguns protestantes dizem que a Igreja Católica é Babilônia por usar costumes oriundos da caldeia. Mas o ser humano é milhares de anos mais antigo que os babilônios que também herdaram os símbolos e comemorações. Citando a Enciclopédia Britânica a Wikipédia, diz: “Encontraram-se diversos objetos, datando de longos períodos anteriores à Era Cristã, marcados com cruzes de feitios diferentes, datando desde a parte posterior da Idade da Pedra”. 

A Bíblia fala do Tau “última letra do alfabeto hebraico, e diz em Ezequiel 9, 1-7: “Passa pela cidade, por Jerusalém, e marca com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram por todas as práticas abomináveis que se cometem” Um site franciscano, diz: “Horizontalidade e verticalidade. As duas linhas: Céu e Terra! Temos o símbolo do TAU riscado nas cavernas do humano primitivo. Nos objetos do Faraó Achenaton no antigo Egito e na arte da civilização Maia. 

Francisco de Assis o atualizou e imortalizou. Não criou o TAU, mas o herdou como um símbolo seu de busca do Divino e Salvação Universal”.


A viga horizontal é o homem em sua vida limitada, a estaca vertical é a alma (todo conjunto de informações de nossa vida guardados na memória de Deus) que ascende e busca o espiritual. Os símbolos têm muita força. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Vai ser preciso muitas “cotas” para resgatar tudo.

“Pureza de sangue”, já ouviu falar disso?
Quando da descoberta do Brasil havia em Portugal forte descriminação as pessoas que descendiam de árabes, de judeus ou de africanos. Este preconceito veio para a América. Quem não fosse um europeu puro, fosse descendente dos três grupos já mencionados e também de índios, não podia exercer um cargo público, nem participar da alta sociedade. Diz o trabalho do Dr. em História, Daniel Precioso, Pardos e Crioulos em Ordens Terceiras (p. 120): “A nota distintiva de “liberto” foi abolida no reino português pelo Alvará de 16 de janeiro de 1773, mas na prática as associações religiosas mantiveram restrições à entrada de pessoas com ‘defeito de qualidade’”.
As Ordens Terceiras eram confrarias, associações de cristãos católicos, que tanto cuidavam da parte religiosa – organizando festas dos dias santos, procissões, ereção de igrejas... – com prestava assistência aos membros – pagando enterro e missa, auxiliando com alimento os que ficavam pobres... 

Mas o costume da escravidão havia se entranhado até mesmo nessas irmandades. Assim, havia aquelas de pretos, de crioulos, de pardos e de brancos. “As arquiconfrarias das Mercês afirmaram em seus estatutos que aceitavam todas as pessoas que quisessem entrar por devoção, fossem forros (libertos) ou cativos (escravos). Porém, essa propalada abertura nem sempre condizia com a realidade. Por exemplo, não há qualquer registro de inscrição de irmão ‘preto’ durante toda segunda metade do século XVIII. Os confrades do Cordão (franciscanos) não incluíram em seus estatutos cláusulas excludentes. Não determinava que seus sócios fossem de pardo para cima. Porém os libertos recebiam o cordão (uma corda com três que devia ser amarrada a cintura como fazia São Francisco de Assis) e imediatamente podiam usá-lo publicamente. Os irmãos cativos não, pela seguinte razão: ‘pode acontecer que o irmão escravo proceda mal para com seu Senhor que o mande castigar publicamente e isto traria injuria à Confraria”.

Nossa cultura – lembranças, histórias e vivências – está tão cheia de maus tratos aos irmãos pretos que vai ser preciso muitas “cotas” para resgatar tudo.     

quinta-feira, 19 de março de 2015

"Matar um infiel é essencial à salvação da alma".

O articulista do Diário do Vale, Jorge Luiz Calife, escreveu no caderno Lazer de 16/03/2015, falando do seriado de astronomia, Cosmos:  “O Cosmos de Neil de Grasse Tyson é certamente mais polêmico do que a versão antiga. Vivendo em um mundo aterrorizado pelo fundamentalismo religioso... é implacável com o criacionismo e com ideias religiosas medievais”. 

Estou lendo um ensaio do filósofo Arthur Schopenhauer, Religião e o Vazio da Existência em que escreveu: “As religiões, assumidamente, apelam não à convicção respaldada em argumentos, mas na crença baseada numa revelação. E como a capacidade de acreditar é mais aguçada na infância elas tomam o cuidado especial em enraizar essas doutrinas de fé com ameaças a perda da salvação. Na infância, essas doutrinas apresentadas com seriedade não permitem possibilidade de dúvida ou questionamento e esta impressão nas mentes jovens resulta ser tão profunda que dificilmente eles terão coragem de perguntar: isso é verdadeiro? Se, por exemplo, for ensinado a um jovem árabe que matar um infiel é essencial à salvação futura da alma, quase todos fariam disso o objetivo principal de suas vidas”.
- Então, Zé, você é contra ensinar religião nas escolas?

Uma criança deve receber as informações mais variadas possíveis, então temas religiosos são necessários de conhecer, mas o professor, quando o tema contrariar a ciência humana comprovada tem o dever de mencionar isto aos seus discípulos. 

sábado, 14 de março de 2015

“A religião é o suspiro da criatura oprimida"

Sempre ouvi dizer que quem primeiro pensou a frase: A religião é o ópio do povo; foi Karl Marx.
Mas não foi. Vivendo e aprendendo. Ele criou esta frase no livro Crítica da filosofia do direito de Hegel, publicado em 1844. Foi Wilhelm Friedrich Hegel quem teve esta visão da religião. O contexto daquela frase, diz: "É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião, a religião não faz o homem. E a religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se perder. Mas o mundo do homem é o Estado e a sociedade. Este Estado e esta sociedade é que produzem a religião. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião”.
É só então, depois de citar Hengel, que Marx, conclui: “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo”.
- Zé, se compreendi direito ele não falou mal da religião.

Comecei a ler um belo livro, A Serra e o Santuário, do amigo J. C. Vargens Tambasco, falando da serra de Caetés, muito além de Belo Horizonte. Logo na Introdução, ele diz falando do Ciclo do Ouro, da prosperidade e da licenciosidade dos que trabalhavam e dos que usufruíam daquela riqueza farta: “Dentro desse viver, a criação do Santuário de Nossa Senhora da Piedade... erigido em tempos de intensa religiosidade das gentes... era entendida como meio eficaz da remissão dos pecados da comunidade... e do apaziguamento de um Deus severo propenso a castigar coletivamente uma comunidade que vivesse de forma ímpia”.


Então é isso o que eles tentaram dizer: “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração”. Para mim a religião é bem mais do que isto, e pra você? 

segunda-feira, 9 de março de 2015

Em um ambiente assim tenho que andar com a minha bike.

Quando se junta imensas pedreiras formadas por violentos cataclismos, 

águas que correm por entre as pedras arrancando e arrastando cristais de rocha e matas densas cheias de pujante vida, 

o que acontece num lugar desses?
- Num lugar assim tem Zé Adal pedalando!

Acontecem celebrações das religiões que veneram a natureza. 

O Meio da Serra – é assim que é nomeado a metade da subida da serra da Estrela – é conhecido como a Terra dos Orixás. Portões no meio de densas árvores abrem para barracões, alguns com imensos símbolos das forças da Natureza. Como essas figas, representação do fálico, do membro masculino.
Essa adoração convive em paz com a adoração do Criador do mundo que idealizou e mandou fazer nosso universo em 3D.

Não é de agora que os homens que amam aventura sobem esta serra em curvas fechadas e íngremes. Os marcos da Estrada do Ouro aparecem a margem do caminho lembrando os corajosos que sempre enfrentaram esta subida.

Em um ambiente assim, realmente, eu tenho que andar com a minha bike.                                                    

sexta-feira, 6 de março de 2015

Minha irmãzinha, a poodle Malu.

Gosto muito do pensador, filósofo, Arthur Schopenhauer, como neste trecho do seu ensaio O Sistema Cristão (p.13):
“Vou mencionar um erro fundamental do cristianismo e cujas consequências nocivas são obvias: refiro-me à inatural distinção que esta teologia faz entre o mundo humano e animal – ao qual de fato pertence. Estabelece o ser humano como todo-importante e olha os animais tão-somente como coisas. O bramanismo e o budismo, por outro lado, reconhecem que o homem está relacionado genericamente com a natureza. O importante papel representado pelos animais nestas religiões, em comparação com seu completo desprezo no judaísmo e no cristianismo, mostram qual sistema de fé está mais próximo da perfeição. A religião ocidental falha em proteger os animais da brutalidade, frequentemente mais que bestiais. Foi preciso formar-se sociedades de proteção dos animais. Em toda Ásia, tal coisa seria supérflua, pois lá os animais são suficientemente protegidos e estimados, em parte por causa da doutrina da metempsicose [é a crença de que as almas humanas, pós-morte, ficam esperando a reencarnação dentro de um cão, uma vaca ou um elefante e, se cometeram muitas faltas, num porco ou numa cobra]. Um exemplo de como tais sentimentos de caridade se manifestam nessas religiões pode ser visto no grande hospital de animais em Surat. Quando um brâmane ou budista tem boa sorte num negócio, ou passa por um acontecimento feliz, vai ao mercado, compra pássaros engaiolados e os solta. 

Por outro lado veja-se [a internet está cheia de vídeos revoltantes que deleto sem ver] como os cristãos tratam os animais, mutilando-os e rindo. Mesmo os cavalos que constituem seus meios de sustento são exigidos ao máximo até a idade avançada, instando a buscarem forças que já não têm sob lambadas do chicote. Mas o que se poderia esperar das massas quando pessoas educadas  continuam fanaticamente, e resistindo aos zoólogos que classificam o homem como animal, acreditando que o ser humano é uma criação especial de Deus feito para dominar os animais?” 
Bem, um escritor, mesmo um filósofo, para provar uma ideia pinta com cores fortes o que ele quer criticar. Neste caso, Schopenhauer, está criticando os criacionistas e ataca o cristianismo. Mas entre os cristãos são tantos os que estimam os animais! Quer mais carinho do que Lili dá à Malu?
    

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

É só uma cópia de uma crença antiga.

Oh, por Deus, por que nos preocuparmos com gente que viveu há 5.500 anos?
O livro O 12º Planeta, diz p.92:
“Numa curva do Eufrates, onde a fronteira Síria corta atualmente o rio, os escavadores revelaram uma cidade principal cujos edifícios foram erigidos e tornados a erigir, continuamente, entre os anos 3.000 e 2.000 a.C., em alicerces que datam de séculos anteriores. Estes remotos vestígios incluem uma pirâmide de degraus, templos e o palácio que ocupava 2 hectares”.
Nas câmaras de escrita os arqueólogos encontraram mais de 20 mil pranchas de barro com escritas cuneiformes. Elas contam histórias, são contratos de negócios e contêm estudos religiosos. 
(nesta pintura o rei Zinri-Lin, à esquerda, recebe o cetro de autoridade real da deusa que tem o pé sobre um leão - sinal de que é superior ao rei dos animais e dos homens - ela é Isthar)

Estes livros de barro revelam uma coisa espantosa:
“O Grande Pai dos Deuses, o Rei dos Deuses, aquele cujo domínio era a extensão dos céus, era AN, e seu símbolo, uma estrela.” As pessoas daquela época reservavam uma semana para homenagear seu Deus Supremo. “No último dia toda a região animava e celebrava a presença do divino. A um sinal do templo principal, os sacerdotes de todos os outros templos de Uruk tinham de acender fogueiras e os sacerdotes noutras cidades, vendo as fogueiras em Uruk, procediam do mesmo modo”.
Agora vem o espantoso, AN tinha um filho: “A segunda mais poderosa deidade do panteão sumério era ENLIL. Seu nome significava Senhor do Espaço. Ele era o filho mais velho de AN, nascido na residência celestial paterna. Mas em algum momento dos longínquos tempos, desceu à terra e tornou-se, deste modo, o principal Deus do céu e da terra. Quando os deuses se reuniam em assembleia na residência celestial, ENLIL presidia à reunião ao lado de seu Pai”.

Os grandes estudiosos, mas que não têm a verdadeira sabedoria, concluem que a crença cristã – Jesus subiu a céu, está sentado a direita de Deus Pai, de onde há de vir julgar os vivos e os mortos – é uma cópia de uma crença dos homens que viveram há 5.500 anos. Mas quem tem fé entende que o Espírito Santo havia revelado à eles uma grande realidade que então era só um projeto. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Nós, homo sapiens, sempre pensamos naquilo.

“Como Adão viveu num tempo em que os homens já conheciam o fundamento de várias ciências não se podia confiar só na memória, mesmo ela sendo bem desenvolvida naquela época. Sendo um homem bem preparado, com conhecimentos de Astronomia, Astrologia, Teologia, História e Administração ele tinha muita necessidade de fazer um registro físico de tudo”.
Essas palavras são do meu livro Adão, Feito da Terra p.128 e explicam o impulso que levou o homem a aprender a escrever.
O livro, O 12º Planeta, mostra tabelas de escritas antigas. Nesta, as letras a esquerda foram criadas há 3.500 anos. Observe a letra delta, atual d e a koppa, o q de agora.

Neste outro quadro aparece as letras feitas pelos sumérios há 5.500 anos, quinhentos anos antes de Adão, a distância entre nós e Pedro A Cabral.
   
Observe o delta que significa mulher, é uma vulva. E kappa, representando homem, é um membro. Percebe-se como nós, homo sapiens, sempre pensamos naquilo. Veja que os símbolos representavam ideias, coisas, só séculos depois é que ganharam sons vocálicos e formaram palavras.

Veja quanto andamos, mas ainda não deixamos de pensar naquilo, ideia fixa que só Freud explica. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Comentando "O 12º Planeta".

Por indicação do jovem advogado Klein, comecei a ler O 12º Planeta (1976), de Zecharia Sitchin. Ele também fala sobre a suméria, palco da história do meu livro, Adão, Feito da Terra.
“Os planaltos e as cadeias montanhosas estendidas em semiarco desde as montanhas Zagros, a leste (onde hoje o Irã e o Iraque têm uma fronteira comum), através das cadeias Ararat e Tauro ao norte, e depois descendo para o oeste e para o sul, para as terras montanhosas da Síria, Líbano e Israel, estão repletos de cavernas onde se preservaram provas da existência do homem pré-histórico”.

Mas sendo “cada cabeça uma sentença”, Zecharia está preocupado com a explosão de conhecimento do homem sumério e, como ele vivia a grande aventura espacial das décadas de 1960 e 70, procura provas diferentes das que procurei. No momento máximo da Guerra Fria entre EUA e URSS aconteceram as missões do Projeto Apollo que duraram de 1961 a 1972. 

E os pensadores “diziam lá com seus botões” p.5: “Enquanto nós próprios nos aventuramos no espaço, um olhar novo e a aceitação das Antigas Escrituras são mais do que oportuno. Agora que os astronautas aterraram na Lua e missões não tripuladas exploram outros planetas, é impossível não acreditar que uma civilização de outro planeta mais avançado que o nosso fosse capaz de fazer aterrissar seus astronautas no planeta Terra, algures no passado”.
Ele, e outros escritores dessa época, entenderam que o grande salto de conhecimento do ser humano foi feito com a ajuda de extraterrestres.
Sobre aquele tempo de pouco avanço, meu livro diz p.14: “Passaram-se 4.900 séculos e essas criaturas que deixaram sua marca no nosso DNA - tanto os registros de nossa evolução como acontecimentos que quase dizimaram nossa espécie – conseguiram avançar muito pouco intelectualmente. Aprenderam a se comunicar por gestos e sons, domesticaram animais, aprenderam para que serve as plantas, construíram utensílios de barro e pedra, fabricaram armas, produziram o fogo e aprenderam a guardá-lo e inventaram a roda. Não podemos julgá-los, mas é muito pouco em tanto tempo!”

Então, o homem aprende a agricultura e começa a escrever coisas que outros entendem. Aí tudo se apressou. Escritores daqueles anos, como o suíço Erich von Däniken e o seu Eram os Deuses Astronautas?, escrito em 1968, pensava que seres de outros planetas vieram ajudar os humanos. Porém, desde aqueles anos até agora, lá se vão 50 anos, ouvindo o Universo com dezenas de sonares eles se desapontaram. Nunca ouviram comunicações de outras civilizações, só ouvem o Grande Silêncio. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Será que um dia poderemos dominar estes poderes?

Há leituras que são controversas, instigantes, e que provam nossa capacidade de aprender coisas novas o tempo todo. Assim é no livro As Doutrinas Secretas de Jesus. Veja o que o autor afirma na p. 47:
“A verdade é que as primitivas doutrinas e práticas cristãs continham mais mistérios e segredos genuínos relativos a leis e princípios naturais ainda desconhecidos do que os pagãos jamais haviam conhecido. Embora seja indiscutivelmente verdadeiro que nas primitivas religiões pagas encontramos muitos mistérios, eles não passam de inteligentes usos da lei natural. Os iluminadores ensinamentos de Jesus e seus discípulos desfizeram os engôdos de muitos enigmas pagãos, mas Jesus também trouxe uma nova luz para a compreensão desses antigos mistérios, e com isto fez com que eles evoluíssem para sublimes e transcendentais revelações e demonstrações da verdade”.
Os quatro evangelistas dão testemunho de que Jesus tirou muito pão e muita carne de peixe de uns poucos pães e peixinhos. Mesmo os bons cristãos procuram explicações para este milagre. Mas e se o Filho de Deus tivesse um poder que ainda não conseguimos dominar?

“Os mistérios que Jesus ensinou a Seus discípulos, e que foram por eles usados em seus trabalhos missionários específicos, nunca estiveram separados da igreja cristã. Entretanto, é verdade que, à medida que a religião cristã foi sendo sistematizada, ritualizada e modernizada, os mistérios transcendentais que Jesus veio revelar perderam-se, tornando-se finalmente desconhecidos até mesmo para os mais proficientes instrutores dos Evangelhos cristãos”.

Será que um dia estaremos evoluídos bastante para dominar estes poderes? De tão maravilhosos precisariam ser usados só para o bem.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

As reuniões secretas de Jesus.

Em cada cabeça uma sentença.
E assim é, cada pessoa vê um fato da história de sua maneira. Comecei a ler um livro que faz parte dos estudos maçônicos e da Rosa Cruz, é As Doutrinas Secretas de Jesus, de Spencer Lewis

Ele acredita que Jesus foi um enviado de Deus, mas que como homem ele ensinou mais do que uma forma de viver, ele ensinou uma ciência secreta. Veja esse trecho a p. 33:  
“Foi dessa forma que Jesus gradualmente expôs a Seus estudantes selecionados as grandes verdades secretas sobre os mistérios da vida e da morte e os valores espirituais da Terra e do Reino que estava por vir. Foi nessas reuniões que Ele provou e demonstrou que Sua doutrina não era apenas filosófica, religiosa, moral ou de mero valor ético, mas tinha também valor prático. Ele lhes ensinou a natureza da doença, sua causa e sua cura. Ensinou-lhes o quanto era falaz depender exclusivamente de ervas, drogas, bruxarias ou encantamentos e outras formas de tratamento, quando havia um grande poder divino que poderia ser e seria exercido através deles, tendo por elemento essencial o poder criativo usado por Deus no começo dos tempos e na criação do universo. A transformação de água em vinho, a restauração instantânea de ossos quebrados e tecidos necrosados, a volta do batimento a um coração sem vida, a doação da visão aos olhos cegos, a preparação de pão e peixe a partir de elementos invisíveis do espaço e outras,eram demonstrações do poder da lei natural e divina agindo em uníssono. Estes ensinamentos faziam parte dos procedimentos de cada uma dessas reuniões secretas. O caminho para a vida eterna, a verdadeira imortalidade da alma, a purificação do corpo e do Eu Interior, a consecução da beleza espiritual, do poder divino e da harmonização com Deus eram cuidadosamente explicados, passo a passo, em lições coletivas e instrução pessoal. A Lei do Triângulo e o significado da Trindade eram básicos em todas as discussões filosóficas e demonstrações alquímicas ou físicas das leis universais de Deus".
Esta visão do Cristo o transforma de um pastor sacerdote num mago cheio de poder.
"Podemos fechar os olhos e ver o local mais importante dessas reuniões, o Cenáculo.

Deve ter sido bastante amplo para acomodar cento e vinte pessoas, e ter espaço para as demonstrações. Sabemos com certeza que esse local foi reservado para o uso exclusivo de Jesus e seus estudantes por um longo período de tempo, mas isso significou muito pouco para os estudantes do cristianismo no passar dos séculos”.

Segundo ele os milagres de Jesus eram efeito de um elemento essencial o poder criativo usado por Deus no começo dos tempos e na criação do universo. É o que eu e você cremos, mas dito de forma diferente e muito intrigante.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

É prato feito para uma piada.

Abri o caderno Prosa e Verso e na última página vi um artigo sobre o Charlie Hebdo: ah, de novo não!, mas li ... e descobri. Isabel Lustosa 

disse assim: “Nestes tempos de ampla liberdade política e de opinião, quem exerce controle são movimentos sociais organizados. A imposição de uma linguagem politicamente correta tenta eliminar do acervo de anedotas as que possam ser preconceituosas contra negros, mulheres, judeus e homossexuais”.
Parei pra pensar: ainda ficaram as louras, os fumantes... e os MUÇULMANOS! Ocorreu-me o apelo patético de líderes árabes: Também, para que ficar mexendo com o profeta e Alá?!
Isabel disse, ainda: “Se há quem se queixe que isso representou empobrecimento dos recursos humorísticos, é preciso lembrar que a cultura se modifica com a modificação dos costumes e valores”.
Neste trecho refleti: os líderes islâmicos condenaram a barbaridade daqueles rapazes porque elas trazem desprezo pela Alcorão e seu profeta. É isto. O bizarro, o que ofende o gênero humano – a cultura de hoje não valoriza mais os atos heroicos de guerra – é prato feito para uma piada. 

Um jovem me disse, ontem, que está escrevendo sobre “falso moralismo”. O hipócrita também dá uma piada perfeita.

Então, meditei: o que será que vai acabar primeiro, a falta de paciência  dos árabes com a opinião dos outros ou as caricaturas sobre eles? 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Por uma solidão que sufoca.

Vivemos numa época designada como pós-moderna, e não podemos fazer nada quanto a isso.
Muita calma. O filósofo Walter Benjamin, que estou lendo no livro Sobre o Conceito de História, disse sobre o que se lê nesse tempo:
“A capacidade de contar histórias declinou com as transformações trazidas pela sociedade capitalista. Foi substituída pelo romance e pelo jornalismo. Os jornais cumprem a exigência do público, trazer notícias novas a cada dia [Benjamin não imaginava, mesmo com sua visão antecipadora, que hoje teríamos notícias novas a cada minuto]. O romance acabou com a troca de experiências [a razão que causou o descobrimento da escrita há 6 mil anos e da qual falo no meu livro, Adão, Feito da Terra], veio suprir a necessidade do sujeito moderno de expandir cada vez mais seu espaço interno, esse eu interior hipertrofiado por uma solidão que sufoca. Com a inexistência de uma experiência comum, a história e a memória coletiva desapareceram”.
No Sri Lanka o papa Francisco falou sobre o desafio para os homens modernos tão isolados uns dos outros: “Sobretudo neste momento da história há tantas pessoas de boa vontade que procuram reconstruir os fundamentos morais do conjunto da sociedade. Almejo que o crescente espírito de cooperação entre os líderes das diferentes comunidades religiosas encontre expressão num compromisso que ponha a reconciliação de todos no centro de qualquer esforço para renovar a sociedade e as suas instituições”.
Com outras palavras a jornalista Catalina Botero escreveu numa crônica sobre o massacre do Charlie Hebdo: “Muito se tem dito sobre o fundamentalismo islâmico, no entanto, esse pensamento não liberal e antidemocrático está, lamentavelmente, mais generalizado do que aparenta”.

Então, não podemos embarcar neste modo de vida “com um espaço interior hipertrofiado” e “com um pensamento não liberal e antidemocrático”. 

Sacudamos isso de cima da gente. Como disse o ladrão com um porco nos ombros: tire esse bicho daí!